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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP - PARTE 1



O embrião daquilo que seria chamado de hip hop surgiu no South Bronx, em 1971, por obra e graça de uma família de jamaicanos que havia emigrado para os Estados Unidos em 1967.

A jovem Cindy Campbell, que precisava de dinheiro para voltar a estudar, pediu ao seu irmão Clive, de 16 anos, que organizasse uma festa. Quando morava em sua terra natal, Kingston, na Jamaica, Clive (também chamado de Hercules, por causa de seu tamanho descomunal) costumava freqüentar os bailes locais.

Ele ficava encantado com os enormes equipamentos de som dos DJs e se amarrava em ver como eles “batiam papo” ao ritmo da música, numa batida repetitiva, no início de cada set. A festa dos irmãos Campbell foi um sucesso: a entrada era 25 centavos para as moças e 50 para os rapazes. A música só parou às quatro da madrugada. Não demorou muito para que Clive organizasse outras festinhas no bairro.

Na Jamaica, os DJs eram os animadores de público nos sound systems, espécies de discotecas ambulantes que dominaram a ilha nos anos 50 e 60. Cabia a eles a tarefa de não deixar o pique das festas cair, por meio de muita falação bem-humorada, ao mesmo tempo que colocavam discos “quentes” para tocar, como disc-jóqueis tradicionais.

Com o passar dos anos, a comunicação com o público e o uso do microfone se tornaram mais importantes do que a própria seleção musical das festas, que rolavam quase sempre ao ar livre, nas praças públicas ou em terrenos abandonados na periferia de Kingston.

Os DJs faziam o que se chama de “talk over” (“falar por cima”), ou seja, pegavam a base instrumental das músicas como fundo sonoro e mandavam seus recados em cima da batida.

Foi assim que surgiram nomes como U-Roy (considerado por alguns o pai da criança – versão historicamente contestada), Prince Jazzbo e I-Roy. Através dos microfones eles faziam declarações de amor, trocavam provocações (é histórica a briga entre Jazzbo e I-Roy), faziam bravatas e mandavam mensagens de paz.

Com a popularização do rastafarianismo, no final dos anos 60, os DJs passaram a fazer comentários sócio-políticos, criticando o governo. O DJ Big Youth, por exemplo, de tanto alertar a população jamaicana para os problemas do país, ganhou o apelido de O Gleaner Humano – uma alusão ao “Daily Gleaner”, o jornal mais importante da ilha.

Por meio de Clive Campbell, essa cultura dos DJs jamaicanos chegou ao Estados Unidos e os habitantes do gueto americano rapidamente assimilaram a novidade. Em outras palavras, o talk over jamaicano, também chamado de “toast”, é o pai do rap americano.

No começo dos anos 70, as pessoas de outros locais não costumavam freqüentar os clubs do South Bronx porque tinham medo das gangues existentes, como Savage Skulls, Glory Stompers, Blue Diamonds, Black Cats e Black Spades.

Foi quando Clive começou a organizar as suas próprias festas nas ruas do bairro, as lendárias Herculoids Soundsystem Parties, inspiradas nas festas populares de Kingston. Em 1973, ele deu uma grande festa no Bronx, que até hoje é considerada o marco zero do movimento hip hop. Desde então, passou a ser conhecido – e respeitado – como Kool Herc, o “Hercules cool”, apelido que usava para pichar os trens do metrô. Tinha 18 anos e era o primeiro DJ que falava num ritmo entrecortado, enquanto fazia soar o “break”, a parte instrumental dos discos que tocava.

Ele também tinha três MCs de apoio, Coke La Rock, Clark Kent e Timmy Tim, e vários dançarinos que executavam seu número ao som do break, daí surgindo o nome “breakdancers” ou, como Kool Herc os chamava, “b-boys” (de “breakers boys”). Enquanto os bailarinos dançavam, o DJ fazia suas mixagens e os MCs desconstruiam as rimas criando o rap.

Até 1974, Kool Herc tocava músicas jamaicanas (reggae, ska e rock steady), sem grande sucesso. Foi quando começou a tocar músicas mais conhecidas dos adolescentes, como James Brown, Sly Stone e George Clinton, que atraiu gente de toda Nova York para apreciar suas sessões de discotecagem ao ar livre e o falatório tipo metralhadora giratória, pontuado de gírias, dos seus MCs.

Grafiteiro, dançarino de break e agitador cultural, Kool Herc foi o primeiro DJ de hip hop a utilizar o toca-discos SL 1200, da Technics, apelidado de “roda de aço”, por causa do motor, o único que é capaz de produzir e suportar, sem quebrar, o vai-e-vem dos scratches (a movimentação dos discos de vinil no sentido anti-horário de modo a produzir o som de arranhado).

Um dia, ao perceber que a animação dos dançarinos chegava ao ápice durante o peso do baixo e da percussão, ele começou a repetir essas pequenas sessões (batizadas de “breakbeats”, “batidas quebradas”) estendendo os intervalos das músicas. Para isso, Kool Herc usava um mixer e dois discos idênticos.

Mesclando os intervalos percussivos dos dois discos, tocados repetidas vezes de um prato a outro, ele criou o termo hip hop, de “hip-hoppin on the pick-ups” (“pula-pula no toca-discos”). Aproveitando-se do recurso “backspin” (“giro ao contrário”), só encontrado no referido pick-up da Technics, Kool Herc criou o scratch e a breakdance.



Atualmente devem existir mais de vinte técnicas diferentes de scratches, mas o DJ jamaicano detém a paternidade dos movimentos mais utilizados até hoje: “back to back” (a repetição de um mesmo trecho da música utilizando-se dois discos iguais), “cut” (quando a mão movimenta o vinil sem que seja utilizado o fader, canal que abre e corta o sinal dos toca-discos), “transformer” (a mão sobre o disco executa movimentos lentos sob a alta ação do fader) e “crab” (movimentos rápidos dos dedos sob o fader, como um caranguejo andando).

Diferente do que ocorria na Jamaica, onde o DJ também era responsável pela falação, no hip hop a sessão musical acabou sendo executada por uma equipe: um DJ cuidava da parte sonora, o que incluía os efeitos especiais obtidos por mixagem e scratches, e os MCs (o termo MC foi emprestado do “master of ceremony”, “mestre-de-cerimônias”, que abria os espetáculos funk, mas no hip hop passou a designar o “mike controllador”, “controlador de microfone”, nome do vocalista) encarregavam-se da recitação do texto, a meio caminho entre o cantado e o declamado.

Em torno dele gravitavam os demais rappers que tanto podiam ajudar nos vocais de apoio como fazer demonstração da dança break, participar de sessões de grafitagem ao vivo ou garantir a segurança da “crew” (“posse”, um dos nomes usados pelos rappers para evitar o termo “gangue”, que remetia à violência dos guetos).

Kool Herk, que sempre foi MC, DJ, grafiteiro e o diabo a quatro, continua na ativa, como pode ser visto na performance abaixo:




Escrito por simaopessoa às 11h04
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP - PARTE 2



No final da década de 70, o hip hop já era um movimento socio-cultural de vanguarda nos guetos negros, mas ainda faltava o seu reconhecimento pela maioria branca. A ousadia dos moleques é que assustava um pouco a população wasp (“branca, anglo-saxônica e protestante”).

Um grupo de rappers fechava as ruas sem autorização da polícia e desviava o trânsito na maior cara de pau. Os DJs colocavam duas pick-ups, mixer, microfone e amplificadores na calçada, faziam um “gato” nas linhas de transmissão de energia e tocavam os últimos hits até juntar o pessoal.

Feito o bolo, o MC catava o microfone e começava a despejar rimas que pregavam a auto-estima, a prevenção às drogas, a freqüência à escola, o direito de se orgulhar da cor da pele e a necessidade de andar sempre pelo caminho certo.

Era uma música criada por negros e latinos nas ruas do South Bronx, sem condições de viver dançando no reino dourado prometido pela disco music da época. Só faltava alguma coisa que canalizasse todos os anseios daquela juventude excluída e os traduzisse para algo consumível.

Foi nesse ambiente mais que propício que o casal Joe e Sylvia Robinson fundou a Sugar Hill, em 1979. Não que Sylvia fosse exatamente uma novata. Em 1951, como Little Sylvia, ela gravou pela Savoy Records. Mais tarde, juntou-se ao guitarrista Mickey Baker e colocou quatro singles – dos quais “Love Is Strange” foi o de maior sucesso – nas paradas. Reapareceu em 1968 fundando as gravadoras All Platinum, Stang, Turbo e Vibration ao longo dos anos 70. Em 1973 voltou ao microfone, com o hit “Pillow Talk”.

E aqui não custa lembrar que a história da música pop tem sido marcada por uma série de acasos e encontros fortuitos. O caso mais conhecido é o do caminhoneiro Elvis Presley, que entrou na Sun Records para gravar uma música para sua mãe e acabou se transformando no rei do rockabilly.

Outro caso é o dessa Sylvia Robinson, que foi parar na discoteca Harlem World para uma festa de sua irmã, em 1979, poucas horas após discutir com o marido a falência de sua gravadora.

A festa já estava fervendo quando um moleque, que fazia bico de segurança, pegou o microfone e começou a cantar sobre uma fita dos Mighty Force MCs, uma turma do Bronx conhecida por suas roupas diferentes, passos de dança descolados e habilidade para contar histórias. Ela nunca tinha ouvido aquilo: rimas recitadas sobre um disco.

Foi uma noite que mudou a história da música pop, a noite em que Sylvia Robinson virou a primeira empresária do rap. Sylvia pediu para o filho, que ia nas festas de hip hop, localizar aquele segurança, Henry Jackson, mais conhecido como Big Bang Hank.

Seu filho encontrou-o trabalhando numa pizzaria de Nova Jersey. Sylvia foi até lá e convidou Henry para integrar um grupo que ela estava formando, o Sugar Hill Gang, que depois virou também o nome de sua gravadora.

Jackson aceitou, mas, em vez de contar a boa notícia para seus manos do Bronx, assinou o contrato na surdina e convidou outro dois rappers Guy “Master Gee” O’Brien e Mike “Wonder Mike” Wright, para se juntar a ele.

O trio então gravou o single de 12 polegadas mais vendido da época, a hoje clássica “Rapper’s Delight”, primeira faixa a usar a expressão hip hop em sua letra e trazer rimas sobre uma base tirada de outra música.

O sucesso da onda disco naquele ano era “Good Times”, do Chic. Usando sua base sem a menor cerimônia, a gangue da gravadora Sugar Hills Records, de Nova York, fez “Rapper’s Delight”, que, depois da ladainha cantada pelas gangues do Bronx, abre com os versos: “O que você está ouvindo não é um teste/ Estou rappeando sobre a batida/ Eu, o balanço e os meus amigos/ Vamos tentar fazer você mexer os seus pés.”

Não foi o primeiro rap, muito menos o primeiro hip hop gravado, uma vez que a base instrumental era tocada por uma banda – a Fatback Band, que gravou quase todos os discos da Sugar Hill e que trazia futuros membros dos grupos Dub Syndicate e Living Colour.

O single “Rapper’s Delight” saiu em setembro de 1979, reciclando a base instrumental de “Good Times”, do grupo Chic. Chegou ao 36.º lugar na parada pop da Billboard. Foi Top Five na Inglaterra, em Israel, na África do Sul e no Canadá.

E deixou os DJs nova-iorquinos passados. Até então, eles não acreditavam que poderiam fazer discos com aquele tipo de música. De repente, surgia um povo de Nova Jersey – ainda por cima! – gravando com banda em vez de DJs e usando rimas de gente do Bronx. O refrão de “Rapper’s Delight” (“I said a hip hop the hibbe the hibbe to the hip hip a hop and ya don't stop / A rock on baby bubba to the boogety bang bang the boogie to the boogety beat”)já era famoso nas festas de hip hop.





Como se não bastasse, a gravadora passou a receber pedidos de quase 60 mil cópias do single por dia. Os Robinsons não perderam tempo. No fim de 1980, já tinham lançado mais uma dezena de 12 polegadas, detonando uma safra de pioneiros, como Spoonie Gee, Funky 4+1, Treacherous Three, Busy Bee e The Sequence, o primeiro grupo feminino de rap.

Não demorou muito para o maior de todos os DJs do Bronx assinar com a gravadora. E assim, com Grandmaster Flash na Sugar Hill, o hip hop finalmente começou a sua lenta conquista das pistas de dança do planeta.

Mas se no início tudo era festa de tiração de onda, como se pode conferir em outra música do Sugar Hill Gang, chamada “8th Wonder” (“Oitava Maravilha”): “Assim como o TNT, eu sou dinamite/ Eu te dou uma balançada até de manhã cedo.”, logo veio o DJ Grandmaster Flash, com seus polaróides da pobreza e da violência dos bairros negros.

Escrito por simaopessoa às 10h59
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP - PARTE 3



Nascido na ilha de Barbados, em 1958, o jovem Joseph Saddler tinha também paixão pela música. Para ele, Kool Herc era um deus, mas estava convencido de que poderia superá-lo. Segundo Saddler, a maioria das canções tinha apenas dez segundos que valiam a pena. Se mixasse esses trechos, poderia estendê-los para criar noites inteiras de baile.

Metido em seu quarto no Bronx, ele criou uma forma de ouvir um toca-discos com fones de ouvido, enquanto o outro aparelho animava a moçada. Com esse macete, um DJ poderia tocar – despercebida e ininterruptamente – os mesmos dois discos.

O jamaicano Kool Herc fazia isso na base do improviso, mas Saddler buscava a perfeição. Foi assim que ele se tornou o Grandmaster Flash. Ele manejava seus toca-discos como Jimi Hendrix tocava sua guitarra, girando o prato com seus cotovelos, pés e costas.

Como não dava para fazer tudo sozinho, reuniu uma turma para ajudá-lo. Nasceu assim a primeira super banda de rap, o Furious Five. Reunidos por Flash no distrito do Bronx em 76, Melle Mel e Kid Creole (os irmãos Melvin e Nathaniel Glover), junto com Cowboy (Keith Wiggins), Rahiem (Guy Williams) e Mr. Ness (Eddie Morris, mais tarde rebatizado como Scorpio) tornaram o rap esse forte veículo de denúncias sociais.

Grandmaster Flash já tinha lançado singles por dois selos pequenos sem sucesso, quando assinou com a Sugar Hill. Além disso, desde os 19 anos já era um cult hero entre o público do break (a música ainda não era chamada de hip hop) e entre os modernos que circulavam com Andy Warhol.

O grupo de rock Blondie chegou a gravar um hino de suas festas – a música “Rapture”, que virou o primeiro rap/rock a chegar ao topo da parada. E a banda punk inglesa The Clash vivia implorando para abrir seus shows.

Flash fazia parte da multidão atingida pelo single de estréia da Sugar Hill, mas não entendeu o porquê do alarde. O DJ acreditava que as sementes já tinham sido plantadas pelos “verdadeiros” bambas do hip hop, ele próprio nessa lista, que naquele mesmo ano haviam lançado “Superrappin’” pela gravadora Enjoy.

Como uma turma de desconhecidos de Englewood, New Jersey, emplacava um hit enquanto ele, Kool Herc, Afika Bambaataa, os Cold Crush Brothers e outras feras do South Bronx continuavam ralando nas festinhas da periferia?

Flash logo achou a resposta: a Sugar Hill podia não ter inventado o hip hop, mas conseguiu que o mundo inteiro olhasse para o som do gueto.

Em 1981, a Sugar Hill mantinha-se na pauta do dia com o grupo de Flash em “Apache”, baseada em uma versão de 1973 da Incredible Bongo Band para o original de Jorgen Ingmann, de 1961.

Mas é no ano seguinte, apenas uma semana depois de a banda da casa estourar mais um single (“The Lover In You”, junho de 1982), que seria lançada a pedra fundamental do rap de hoje. A música “The Message”, de Grandmaster Flash & The Furious Five, relacionava todas as mazelas urbanas comuns aos consumidores da gravadora – a selva injusta, a competição desigual, a batalha diária.

O single “The Message” marcou época: “Vidros quebrados em toda parte/ Pessoas mijando na rua e ninguém liga/ Não agüento o cheiro, não agüento o barulho/ Não tenho dinheiro para me mudar daqui/ Acho que não tenho mesmo nenhuma outra escolha.”

Nunca os MCs olharam de forma tão dura (e real) para o quintal da casa. Contra as expectativas, a música galgou a quarta posição na parada R&B, surpreendendo a própria Sugar Hill, que temia uma queda nas vendas com a mudança na imagem feliz-para-dançar do grupo. Ao contrário, manteve forte o nome da companhia ante o selo Tommy Boy, que no começo do ano tinha prensado “Planet Rock”, de Afrika Bambaataa.





A música marca também a primeira vez que um artista da Sugar Hill se destaca mais que os produtores e compositores e recebe crédito por isso, o que sempre foi uma questão delicada no estúdio em New Jersey – até os chics Bernard Edwards e Nile Rodgers tiveram uma bronca com os Robinsons pelo uso não autorizado de “Good Times”.

O DJ Grandmaster Flash demorou dois anos para estourar, porque os primeiros selos de rap não entendiam sua função na música. Para eles, o artista era quem tinha o microfone. Flash nem toca em seus primeiros singles – só indica aos músicos de estúdio o que imitar. Quem ia a suas festas não conseguia ver a discotecagem alucinada traduzida nas gravações com os Furious Five.

Ele só não inventou o hip hop e o scratch. O resto, fez tudo. Da invenção da bateria eletrônica caseira (o primeiro beatbox) ao aperfeiçoamento da mixagem ao vivo, além, claro, da transformação do DJ num malabarista de toca-discos, capaz de fazer mais scratches e emendar mais discos do que o olho humano era capaz de acompanhar – daí o apelido Flash.

A lenda chegou ao vinil em 81, com “Adventures In The Wheels Of Steel”, que abre com um trecho de “Rapture”, onde Debbie Harry, a vocalista do Blondie, declara: “Flash is fast, Flash is cool”, e segue emendando discos – dos hits do Chic às pauleiras da banda Queen.

As batidas antológicas e a influência dessa música repercutem até hoje, nos discos de mixagens dos Chemical Brothers e de Liam Howlett, do Prodigy. O disco “The Message” foi sua próxima gravação histórica.

A letra de Melle Mel, principal MC dos Furious Five, descrevendo o cotidiano desesperador do gueto, não foi o primeiro rap politizado, mas seu sucesso, maior que o de “Rapper’s Delight”, deu um tema para as gerações posteriores – de Public Enemy a Wu-Tang Clan.

Grandmaster Flash & The Furious Five permaneceram no pique com “Scorpio” e “The Message II (Survival)”, ainda em 1982. Em maio de 1983, rimaram pela última vez com “New York, New York”, separando-se antes do Natal.

A festa acabou nos tribunais, onde o grupo se livrou da Sugar Hill, mas não levou os cinco milhões de dólares que pedia. O rapper Melle Mel continuou com seus colegas e com o nome Furious Five, enquanto Flash e Kid Creole seguiram gravando juntos, mas sem repetir o êxito de antes. Na última semana, eles foram introduzidos no panteão do Museu do Rock.

Escrito por simaopessoa às 10h58
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP - PARTE 4



Em meados dos anos 70, o funkadelic George Clinton propôs “one nation under a groove” (“uma nação sob um ritmo”), num de seus hits mais conhecidos. Mal sabia ele que tal testamento seria levado às últimas conseqüências por toda uma geração de músicos negros.

O funk eletrônico do início dos anos 80, inventado pelo visionário DJ Afrika Bambaataa, sugeria que o mundo inteiro – e não apenas os Estados Unidos – chocalhassem seus traseiros ao som de um único balanço.

Colocando a precisão robótica dos alemães do Kraftwerk e o complexo primalismo dançante de James Brown lado a lado, o gênero contribuiu não só para a revitalização da música negra pós-disco como para o surgimento dos dois campos mais férteis da música atual – o hip hop e o techno.

Cunhado pelo próprio Afrika Bambaataa, o termo “electrofunk” sintetiza o estilo em uma única palavra e foi traduzido magistralmente pelo single “Planet Rock”, do DJ e sua trupe de rappers, batizados de Soulsonic Force, formada por Mr. Biggs, Pow Wow e MC Globe.

Bam, como é mais conhecido pelos admiradores, praticamente inventou o lado mais dançante do hip hop, quando no meio dos anos 70, em Nova York, era líder de dois grupos do South Bronx – o Black Spades, onde entrou com catorze anos, e o Universal Zulu Nation. O primeiro era uma gangue ativista que lutava pelos direitos dos negros. O segundo era uma versão urbana das equipes de som que deram origem ao toast na Jamaica.

A exemplo da turma de Kool Herc e Grandmaster Flash, a galera de Bam juntava-se em enormes galpões e, munidos de vitrolas, tocavam hits da juventude negra suburbana, os primeiros Prince, P-Funk, James Brown, Sly Stone e, estranhamente, artistas europeus semidesconhecidos que precederam o tecnopop.

Com um microfone numa mão e a outra fazendo brincadeiras sobre o prato do toca-discos, Bam deu as coordenadas para muitos freqüentadores de seus bailões criarem o hip hop, entre eles os artistas da gravadora Sugar Hill.




É importante não confundir esse electrofunk com o pré-rap da Sugar Hill. Apesar de origens parecidas e alguns elementos em comum, o electrofunk aponta para o futuro, mesmo que da forma mais caseira: teclados imitando ataques de orquestra e violinos, baterias eletrônicas do arco da velha, rap melódico, ruídos de videogame, gritos de ordem. O ritmo levava o conceito de space-funk de George Clinton tão além que o próprio cedeu aos encantos em “Computer Games”, de 1982.

É verdade que em setembro de 1999 a primeira gravação oficial de rap (o cultuado “Rapper’s Delight”) completou 20 anos, mas Bam lembra que grupos como The Last Poets e The Watts Prophets já gravavam rap em 1970 – a forma só não tinha este nome. De todo modo, o que Bam, Grandmaster Flash e Kool Herc inventaram há cerca de 30 anos foi muito mais importante que o rap. Foi o hip hop.

Nascido no South Bronx em 1960, Kevin Donovan, que tomou o nome emprestado de um guerreiro zulu do século 19 para se transformar em Afrika Bambaataa Aasim, deu atitude ao hip hop ao criar a Universal Zulu Nation, uma organização concebida nos moldes das gangues juvenis que atormentavam o Bronx.

A Zulu Nation (www.zulunation.com) é uma comunidade quase religiosa que crê na matemática, verdade, conhecimento, Deus, amor, respeito, ovnis, sabedoria, liberdade, justiça e economia, que reuniu DJs, MCs e breakers das comunidades negra e latina do bairro, trocando a violência das gangues por disputas de danças break.

Foi Bambaataa quem abriu as portas para o hip hop tornar-se uma colagem de estilos. Suas sessões de discotecagem eram conhecidas pelo ecletismo, o que atraía gente tão diferente quanto Malcolm McLaren (o inventor dos Sex Pistols) e Madonna a suas festas no Roxy e no Mudd Club, em Manhattan.

Ele tinha um sonho: juntar o funk rock de George Clinton ao experimentalismo eletrônico da vanguarda européia. Representavam uma visão de futuro que Bambaataa sintetizou num dos singles mais importantes da música pop: “Planet Rock”.

Essa música, lançada em 1982, inventou o estilo electro – ou electrofunk. Era funkeada, trazia rap, mas tinha batida eletrônica e sintetizadores.

A música, cuja base foi tirada de “Trans-Europe Express”, do grupo alemão Kraftwerk, foi feita em regime de mutirão por Bam com o grupo Soulsonic Force, o tecladista John Robie e o produtor Arthur Baker (New Order e Donna Summer).

Até hoje, muita gente pensa que a música do Kraftwerk foi sampleada. Não foi. Na realidade, foi o talento de John Robie, um mago dos sintetizadores, que reproduziu exatamente a mesma coisa.

O single “Planet Rock”, apesar de pouco executado pelas FMs americanas – que só se renderam ao hip hop no final dos anos 80 –, conseguiu ultrapassar 1 milhão de cópias vendidas nos EUA.

Entre 1982 e 1985, o electro foi o ramo principal do hip hop. Transcendendo tendências, Bam antecipou a onda de colaborações entre rappers e artistas de outros gêneros. Ainda no início dos anos 80, gravou com o soul brother number one James Brown e com o punk John Lydon (também conhecido como Johnny Rotten).

Nos anos 90, gravou house, techno e até o bom e velho electro. Obcecada por imagens futuristas, a música de Bam acabou sendo, realmente, a música do futuro. O electro vive atualmente um revival fortíssimo, assim como sua dança original, aquele estilo mais robótico do break. DJs do mundo inteiro voltaram a tocar electro, as coletâneas de novos artistas e da história do gênero já disputam espaço na coleção dos modernos – e a maior parte do novo movimento de breakbeats, liderado por DJs ingleses, segue a bíblia composta por Bambaataa. Não é pouca porcaria. Modesto ao extremo, ele tira essa onda de letra:



Escrito por simaopessoa às 10h56
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP - PARTE 5



Com a chegada do hip hop ao mainstream da indústria musical seguiram-se outros lançamentos de diversos rappers anônimos, a maioria em singles de 12 polegadas, que custavam pouco e permitiam a divulgação de inúmeros grupos.

Mas foi só no final da década de oitenta que a agressividade dos rappers começou a ter problemas com a Justiça. Em 1988, um juiz da Flórida proibiu a distribuição do disco do grupo 2 Live Crew por considerá-lo obsceno: as canções descreviam, de modo explícito, diversos tipos de relações sexuais.

Em várias cidades, os discos de rap passaram a ser vendidos com um selo de advertência na capa (igual ao dos cigarros) e em 17 estados americanos os compradores ficavam obrigados a provar que eram maiores de 21 anos.

Nesse mesmo ano, o Public Enemy lançou “It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back”, uma aula sobre as perigosas teorias separatistas de líderes negros como Malcom X e Louis Farrakhan e disco-chave do rap americano. “It Takes...” pregava a supremacia da raça negra e apontava os novos inimigos da crioulada entre os programadores de rádio e a mídia elitista.

As sementes do Public Enemy estão na Universidade de Adelphi, em Long Island. Foi ali que, em 1982, Carlton Ridenhour (Chuck D), estudante de desenho gráfico e disc-jóquei amador, conheceu os também estudantes Hank Shocklee (depois cabeça da Bomb Squad, equipe de produção do Public Enemy) e Bill Stepheney (hoje executivo da Def Jam).

Os três apresentavam um programa de rádio em que trocavam idéias sobre filosofia, política e cantavam rap. Uma dessas composições, “Public Enemy n.° 1”, chamou a atenção do produtor Rick Rubin, que levou o trio para seu selo Def Jam, celeiro dos principais cobras do rap.

A trupe formou uma estrutura com leis e regras próprias. Chuck D, que tinha 22 anos, assumiu o papel de MC, Stepheney ficou com o papel de empresário e Shocklee se ocupou do marketing e da produção.

Para engrossar a couraça do combo, convocaram o DJ Norman Rogers (um pivete de dezesseis anos logo rebatizado de Terminator X), o rapper de apoio William “Flavour Flav” Drayton (um ano mais velho que Chuck, com dentes de ouro e um bordão imbatível: os “boyeeeeee” que solta entre uma pancada e outra do DJ), e o ministro da informação, Professor Griff, espécie de comandante-em-chefe do SFW (“Security of The First World”, “Segurança do Primeiro Mundo”), a tropa de segurança coreografada, formada por cinqüenta blacks tamanho king-size que, vestidos em roupas paramilitares, participavam dos shows do Public Enemy.

O primeiro disco da banda, “Yo! Bum Rush The Show”, saiu em abril de 87. Noções básicas: hip hop como uma cultura radicalmente antiestablishment. Simplificação sonora: caixa de lata, voz saindo como pirataria de rádio, guitarrinha ameaçadora repetindo intros no background. Mensagem de rua, direta para a galera que pega pesado no dia-a-dia. Nada de racismo inverso. Mas o recado é claro: olha aí cara, o branco embolsa a grana e te deixa na sarjeta. Olho vivo. Contra-ataque? As mil e uma estratégias de um terrorismo cultural disseminado em diversas atitudes cotidianas, um orgulho da raça, uma luta organizada como uma revolução molecular atrás da outra.

O Public Enemy, de acordo com suas próprias palavras, não buscava o estrelato. Queria era alertar a moçada. Alerta vermelho... De um público de carneiros consumistas e racistas, um black man só podia ser inimigo. Hey, Yo! E, como cult especial, o recadinho de “Mi Uzi Weights a Ton”. Uzi é uma metralhadora automática. A de Public Enemy pesava uma tonelada.

Mas se o LP de estréia tinha a potência de uma granada de mão, o trabalho seguinte, “It Takes...”, tinha a potência destruidora de um míssil intercontinental. São dezesseis faixas (divididas entre o “lado prateado” e o “lado negro”) que abriram um rombo irreparável no pop.

Beat pesado, interferências vindas de todas as partes, scratches frenéticos que traduzem a atmosfera de caos urbano do final do século XX, tudo funcionando como colagens dos estilhaços de uma explosão iminente. Considerado uma versão rap de “What’s Goin’ On”, de Marvin Gaye, “It Takes...” é um disco repleto de batidas treme-terra (“Os radialistas não chamam rap de barulho? Então, tomem barulho”, justificou o grupo).

O DJ Terminator X sampleou mais de 150 composições alheias, numa lista que vai de Miles Davis e Isaac Hayes ao furioso grupo de black metal Slayer. As letras estão entre as melhores já produzidas no rap: “Don’t Believe The Hype” (“Não Acredite Na Mídia”), cujo refrão virou a “frase da moda” daquele ano, “Rebel Without A Pause” (“Rebelde Sem Pausa”), recado malcriado para as rádios que se recusavam a tocar rap, e “Party For Your Right To Fight” (um trocadilho oportuno com “Fight For Your Right To Party”, dos Beastie Boys), onde denunciavam a perseguição promovida pelo FBI aos Panteras Negras e reafirmavam os nomes de Malcom X, Luther King e Farrakhan. Enquanto os Beastie Boys falavam em “lutar pelo direito de se divertir”, o Public Enemy virava o slogan pelo avesso e vinha com “festejar seu direito de lutar”.

Apesar das faixas “Bring The Noise” (“Traga O Barulho”) e “Louder Than A Bomb” (“Mais Alto Que Uma Bomba”) virarem hits nas pistas de dança das discotecas nova-iorquinas, o disco é um manifesto político. O Public Enemy usava o hip hop como veículo para uma ideologia confusa e assustadora. Eram racistas às avessas, defendendo o “tratamento superior à raça negra”, revirando a teoria darwiana da evolução de cabeça para baixo e assim por diante. Para eles não havia saída pacífica para a questão negra nos EUA: só a “revolução” salva.

No palco, se apresentavam como um exército pronto para a batalha final do Armageddon, usando uniformes militares, metralhadoras Uzi de plástico e bonés dos Panteras Negras. O clipe abaixo (“Fight The Power”, “Enfrente o Poder”) dá uma pequena mostra do poder de fogo do combo, que continua na estrada mais desabusado do que nunca:




Escrito por simaopessoa às 10h55
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SOFIA Coppola também é boa de música pop. Os seus filmes sempre têm trilhas sonoras com pepitas do indie rock e da música eletrônica. Em Maria Antonieta, ela e o supervisor musical Brian Reitzell criaram “uma odisséia ópera-pós-punk-pré-novo-romântica com algumas canções do século 17 e outras bem contemporâneas”. A parte contemporânea do CD duplo, editado pela Verve/Universal, é viciante: Siouxsie and The Banshees, Gang of Four, New Order, Strokes, The Radio Dept., Bow Wow Wow, Aphex Twin, The Cure, etc. A cineasta sabe das coisas.

COM o titulo “Gilberto Gil entende o futuro, mas com direitos reservados”, o jornal The New York Times acaba de dedicar grande matéria ao ministro Gilberto Gil (assinada pelo famoso Larry Rohter), totalmente voltada para a trajetória do cantor baiano. Esta semana, Gil será palestrante no encontro que discutirá mídias digitais, no South by Southwest Music and Media Conference, em Austin, no Texas. Dois dias depois, começará uma excursão de três semanas pelos Estados unidos. A certa altura, diz a matéria: “Quarenta anos depois de envergar uma guitarra pela primeira vez, Gil não quer mais só fazer música. Ele também quer ser político”. O ministro é filiado ao PV e pode disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2008.

NEGOCIAÇÕES complicadas à parte, Roger Waters, ex-líder e principal compositor do Pink Floyd, deverá se apresentar no Rio dia 23 próximo e em São Paulo, dia 24, com o show The Dark Side of the Moon, lançado no Rock in Rio in Lisboa, no ano passado, onde procura revisitar o conceito visual dos espetáculos dos anos 70. No palco, bonecos gigantes, telões de alta resolução, som quadrafônico e projeções invocadonas. Detalhe: para cada show, Roger Waters quer uma garrafa de vinho Petrus no camarim. Custa perto de R$ 15 mil.

GEORGE Michael, 43, possui um passado de glórias. O decadente pop star inglês começou na anódina dupla Wham! (parodiada na comédia romântica Letra e música) e, usando influência da música negra americana, formatou um pop dance altamente competente na carreira solo entre a segunda metade dos 80 e os anos 90. Sabia, como poucos, explorar o poder dos videoclipes, vide o antológico Freedom! 90. Depois, brigou com o sistema, passou a beber muito e se envolver em escândalos gays. O DVD duplo Twentyfive (Sony BMG), referência a 25 anos de carreira, reúne todos os clipes de George. Três deles com participação de estrelas da black music: I knew you were waiting (for me), com a rainha Aretha Franklin; As, com Mary J. Blige; e If I told you that, com Whitney Houston.

RONEI Jorge e os Ladrões de Bicicleta recebem Cadão Volpato (ex-Fellini) em show no projeto Supernovas, dia 1º de maio no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Idealizada por Alex Antunes, a série reúne, entre 10 de abril e 15 de maio, uma pequena mostra do novo rock brazuca. Cada banda selecionada conta com a participação de um convidado especial de outra geração: Los Porongas/AC + Dado Villa-Lobos(10.4), Montage/CE + Igor Cavalera(17.4), Supercordas/RJ + Fernanda Takai (24.4), Madame Saatan/PA + Pepeu Gomes (8.5) e Vanguart/MT + João Ricardo (15.5).

IRA! celebra 25 anos de estrada com o álbum Invisível DJ, produzido por Rick Bonadio (Charlie Brown, CPM22). No repertório, 11 inéditas e a cover de Feito gente (1975), do “maldito” Walter Franco. O primeiro single, Eu vou tentar, chegou às rádios hoje.

JOHN Lennon ganha tributo dia 12 de junho, quando suas canções serão interpretadas por Green Day, Christina Aguilera, Snow Patrol, R.E.M., Black Eyed Peas, Corinne Bailey Rae, U2, Jack Johnson e Cure, entre outros. O disco visa ajudar as vítimas da catástrofe humanitária de Darfur, no Sudão.

HEROES (Universal Channel, sexta, 21h) é séria candidata a melhor nova série da tevê. Inspirada nos X-Men (Stan Lee), mixa ação e drama de modo inspirado e explosivo.

O SELO Atlantic foi importante na era de ouro da soul music, entre os anos 60 e 70. A boa coletânea Atlantic unearthed: soul sisters (Warner) apresenta hits e raridades interpretadas por divas como Aretha Franklin (brilhante em My way), Margie Joseph, Patti LaBelle, Laura Lee e Mary Wells. Atlantic unerthead: soul brothers, a versão masculina, traz Wilson Pickett, Bobby Womack, Sam & Dave, Otis Redding, Otis Clay e Percy Sledge, entre outros.

GRUPO galego influenciado pelo folk céltico e com três décadas de carreira, o Milladoiro faz concerto domingo, 20h, no Salão Iemanjá do Centro de Convenções de Salvador, como atração do I Encontro Poético Musical Brasil-Galícia. Toquinho também se apresenta na noite que terá entrada franca.

ALIÁS, no ranking dos cachês mais altos do showbiz nacional, só dá baiano: Asa de Águia e Chiclete com Banana estão empatados, em primeiro lugar, com R$ 300 mil. Em segundo, Babado Novo (com Claudia Leite), com R$ 250 mil, superando ligeiramente Ivete Sangalo, com R$ 240 mil. Na seqüência, com média de R$ 40 mil, Banda Eva, Araketu, Margareth Menezes e Netinho. Roberto Carlos continua sendo o maior cachê do país: de R$ 600 mil a R$ 700 mil.

ENQUANTO o novo álbum do Radiohead não fica pronto, os fãs da banda inglesa têm nova chance de comprar o EP Airbag/How am I driving. Lançado originalmente em 1998, o disquinho com sete faixas será reeditado dia 29.

BLACK Eyed Peas está no topo do hip hop atual. A capacidade do líder will.i.am em criar batidas contagiantes e melodias pop, além da sua habilidade em aglutinar grandes colaboradores (Justin Timberlake, Wyclef Jean, Macy Gray, James Brown, Sergio Mendes...), é admirável. Ao vivo, como os brasileiros já puderam ver, o BEP também mantém a bola alta. O DVD Live from Sydney to Vegas (Sony BMG) captura a passagem da última turnê do grupo por Sydney (Austrália) e Las Vegas (EUA).


Escrito por simaopessoa às 21h45
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Em 1994, durante uma festa promocional de lançamento do filme “Backbeat - Os cinco rapazes de Liverpool”, no Circo Voador, no Rio, integrantes das bandas Kid Abelha, Barão Vermelho e mais Dado Villa-Lobos (Legião Urbana) e o guitarrista Nani Dias se juntaram para interpretar o repertório dos Beatles pré-1962, a época retratada no bonito longa-metragem de Iain Softley.

“Inicialmente a intenção era só cantar os covers que os Beatles tocavam no período em que se apresentavam em Hamburgo, na Alemanha, e no Cavern Club, em Liverpool. Depois, ampliamos o repertório, o Dado foi deixando de tocar com o grupo e chegamos ao nome Os Britos”, explica o baixista Rodrigo Santos, músico do Barão assim como o baterista Guto Goffi.

Após anos se apresentando no circuito alternativo do Rio de Janeiro, o grupo aceitou a sugestão do diretor Paulo César Carneiro e gravou o CD e DVD Os Britos cantam The Beatles (Som Livre), reunindo canções acústicas registradas em Londres e Liverpool, em um show improvisado no inferninho Cavern Club (onde os Beatles iniciaram) e mais duas canções inéditas.

O projeto é simpático e mostra que, nas horas vagas de suas atividades no mainstream do rock nacional, George Israel (o Kid Abelha do projeto), Guto Goffi, Rodrigo Santos e Nani Dias têm o bom gosto de brincar de Beatles e fazer turismo musical pop na Inglaterra, visitando locais lendários como a rádio BBC, o Cavern Club e os estúdios Abbey Road. Mas é apenas isso: simpático.

Por mais que os arranjos de clássicos como I feel fine, Nowhere man, I need you e Drive my car sejam maneiros, não há como superar a idéia de que eles são somente covers elegantes dos Beatles. O mesmo clima de simpatia e despretensão aparece nas participações especiais de Paula Toller, Zélia Duncan, Roberto Frejat e Sérgio Dias (Mutantes), entre outros, no projeto.

As canções inéditas do CD/DVD, o rock psicodélico Amor de bicho e a balada Dia comum, não fazem feio. No DVD, durante Dia comum, imagens dos músicos se misturam a fotos de crianças vítimas da fome e das guerras, feitas por Sebastião Salgado. Já Amor de bicho foi registrada no Festival RecBeat 2006, em Recife.

Nesse fim de semana (sexta e sábado), Os Britos se apresentam no Garden Hall, na Barra (Av. das Américas, 3255, 2º piso), na Cidade Maravilhosa, a partir das 22h. Quem estiver de bobeira no balneário e quiser matar as saudades da beatlemania, já sabe o caminho das pedras. Eu recomendo.


Escrito por simaopessoa às 08h17
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NOVA YORK (Reuters) - O rap atravessou gêneros musicais e quebrou barreiras culturais na segunda-feira, quando os primeiros artistas de hip hop foram recebidos no Hall da Fama do Rock and Roll.

Os artistas pioneiros do hip hop Grandmaster Flash & The Furious Five foram incluídos entre o grupo de artistas de prestígio do Hall da Fama, além dos grupos de rock Van Halen (do qual vários integrantes estavam ausentes) e R.E.M., a poeta punk rock Patti Smith e o grupo só de mulheres dos anos 1960 The Ronettes.

Sobre o palco no hotel Waldorf Astoria, de Nova York, Grandmaster Flash (cujo nome real é Joseph Saddler) apresentou a técnica de scratch que ajudou a criar, ao lado de Melle Mel do MC, Rahiem, Scorpio e Kid Creole, mixando vários de seus sucessos, incluindo um sampling de "Good Times", de Chic, e "White Lines", de Melle Mel.

No backstage do teatro, Grandmaster Flash disse que se lembrava de um tempo em que "a cultura chamada hip hop era vista como fenômeno passageiro", mas "eu a chamava de um flash de brilho, se me desculpam o trocadilho". Ele disse que ter seu nome incluído no Hall da Fama era a homenagem máxima.

O R.E.M. foi apresentado por Eddie Veder, vocalista do Pearl Jam.

O vocalista da banda, Michael Stipe, recordou as palavras que sua avó lhe disse antes de morrer, recomendando que ele "lembrasse de todos os momentos", e a banda tocou "Begin the Begin" e "Gardening at Night".

VAN HALEN EM CONFLITO

Em meio às tensões que dividem os membros da banda Van Halen, apenas um de seus vocalistas, Sammy Hagar, e o ex-baixista Michael Anthony compareceram ao evento.

Estavam ausentes outro ex-vocalista David Lee Roth, que teria discordado quanto ao que cantar, e o guitarrista Eddie Van Halen, que há quatro dias anunciou que estava se internando numa clínica para recuperação de dependentes.

O guitarrista Keith Richards, dos Rolling Stones, apresentou o trio feminino dos anos 1960 The Ronettes, que trabalhou com o produtor Phil Spector.

A noite também incluiu uma homenagem ao ícone do soul James Brown, morto em dezembro. A cerimônia foi dedicada também à gravadora Atlantic e ao fundador do Hall da Fama do Rock and Roll, Ahmet Ertegun, também morto em dezembro e cuja paixão por música negra lançou as carreiras de artistas como Ray Charles e Aretha Franklin.

Patti Smith cantou um cover de "Gimme Shelter", dos Rolling Stones, e uma de suas canções mais conhecidas, "Because of the Night" (composta com Bruce Sprinsteen), o carro-chefe de seu álbum de 1978 "Easter."

Os artistas podem ser incluídos no Hall da Fama a partir de 25 anos após o lançamento de seu primeiro disco e são representados numa exposição permanente no Hall da Fama e Museu do Rock and Roll, em Cleveland, Ohio.


Escrito por simaopessoa às 22h36
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SE, entre as estrelas do pop internacional, o cantor Michael Jackson leva o troféu de “maluco nº 1”, a música brasileira também não fica atrás. Entre os artistas mais excêntricos da história musical recente de nosso país, temos Roberto Carlos, Tim Maia e o mutante Arnaldo Baptista, só para ficar nos três primeiros colocados.

Inspirados na eleição feita pela revista norte-americana “Blender”, o portal G1 listou os maiores “malucos” da música brasileira, tanto pelo conjunto da obra quanto pelas experiências psicodélicas. Confira a seguir as personalidades contempladas no top 10.

1 – Roberto Carlos – O Rei não usa marrom nem roxo. Quando faz shows longe de casa, leva um camarim transportado em um caminhão que inclui o seu próprio vaso sanitário. Muitas manias do cantor são atribuídas ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), doença da qual ele vem se tratando nos últimos anos.

2 – Tim Maia – Além de conhecido pelo costume de reclamar constantemente ao microfone e dar “bolo” nos compromissos, o cantor sempre teve fama de doidão especialmente por consumir substâncias ilícitas. O auge da doideira aconteceu em sua fase “racional”, quando o músico entrou de cabeça na seita que mistura umbanda e seres extraterrestres. Obcecado pela filosofia do livro “Universo em desencanto”, Tim largou as drogas e mandou pintar de branco todos os instrumentos de sua banda.

3 – Arnaldo Baptista – Considerado um dos “malditos” da música brasileira, o pianista, baixista e compositor integrante dos Mutantes já foi internado em sanatórios e tentou o suicídio nos anos 80. Virou tema de livro e vídeo. Seu disco solo, lançado em 1974, foi batizado de “Lóki?”.

4 – Raul Seixas – Considerado uma lenda do rock, o eterno “maluco beleza” gravou escondido na CBS, onde trabalhou nos anos 70, o disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta: Sessão das dez”. Foi demitido em seguida. Morreu em 1989, de problemas em decorrência do alcoolismo.

5 – Lanny Gordin – O guitarrista já foi chamado de “Jimi Hendrix brasileiro” entre as décadas de 60 e 70, quando tocou com as principais figuras da tropicália. Em 1974, abusou do LSD e saiu de cena. Retomou a carreira musical recentemente, acompanhando nomes como o pianista João Donato.

6 – Tom Zé – Chamado de “complicador da tropicália”, o músico baiano costuma ser fonte de saudáveis polêmicas. “Todos os olhos”, de 1973, foi considerado um disco inovador demais, o que acabou afastando o músico da mídia, até que David Byrne (ex-Talking Heads) resolveu lançar sua obra no mercado internacional nos anos 80. Em seu álbum mais recente, “Danç-Êh-Sá” (2006), ele encarna o DJ Tão Zé, que discute a juventude consumista atual por meio de ruídos e onomatopéias.

7 – Baby do Brasil – Como Baby Consuelo, era a “possuída” vocalista dos Novos Baianos na Tropicália. Seguiu carreira solo nos anos 80 e fez uma peregrinação a Santiago de Compostela, Espanha, na década seguinte. Depois de mudar de nome, converteu-se ao protestantismo, lançou um disco intitulado “Exclusivo para deus”. Tornou-se pastora e fundou a igreja evangélica "Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome de Jesus".

8 – Marcelo Nova – Formou uma banda chamada Camisa de Vênus nos anos 80, quando o assunto era considerado tabu. Conheceu o LSD por intermédio do roadie da banda de rock psicodélico Jefferson Airplane, que foi à Bahia com Mick Jagger e Keith Richards no final dos anos 60. A experiência intensa rendeu a composição da música “Quando eu morri”, lançada em 1989 no disco “Panela do diabo”, com Raul Seixas.

9 – Serguei – Foi namorado de Janis Joplin, conheceu de perto Jim Morrison e Jimi Hendrix e se dizia adepto do pansexualismo. Hoje com mais de 70 anos, ainda ostenta o visual de roqueiro hippie extravagante, desfilando ora de peruca loira, ora com lentes de contato azuis, sempre cheio de histórias para contar – uma das mais famosas é a de que teria feito sexo com uma árvore.

10 – Pádua, o capitão-gancho do punk – Um dos personagens retratados no DVD “Botinada”, de Gastão Moreira, o encrenqueiro roqueiro paulistano da banda Passeatas perdeu a mão nos anos 80, quando foi soltar uma bomba caseira, e resolveu mais tarde colocar um gancho no lugar.



Escrito por simaopessoa às 09h07
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"QUÃO verdes eram os nazistas?" pode ser o nome do vencedor do prêmio de título mais estranho de livro em um concurso promovido por uma livraria inglesa.

 

A OBRA, de Thomas Zeller, Franz-Josef Bruggemeier e Mark Cioc é descrita como a primeira a examinar as políticas ambientais do Tercerio Reich. O livro foi publicado pela Ohio University Press.

 

CONFIRA abaixo outros indicados e as respectivas traduções para o português:

 

Título original: "The stray shopping carts of Eastern North America: a guide to field identification" (Julian Montague).

Tradução livre: "Os carrinhos de supermercados desgovernados da América do Norte Oriental: um guia para identificação de campo".

 

Título original: "Tattooed mountain women and spoon boxes of Daghestan" (Robert Chenciner).

Tradução livre: "A mulher tatuada da montanha e caixas de colheres do Daguistão".

 

Título original: "Di Mascio's delicious ice cream, Di Mascio of Coventry, an ice cream company of repute, with an interesting and varied fleet of ice cream vans" (Roger De Boer, Harvey Francis Pitcher e Alan Wilkinson)

Tradução livre: "Os deliciosos sorvetes de Di Mascio, Di Mascio de Coventry, uma companhia de sorvetes de reputação, com uma frota interessante e variada de furgões de sorvetes".

 

Título original: "Proceedings of the eighteenth international seaweed symposium".

Tradução livre: "Relatórios do décimo oitavo simpósio das algas".

 

Título original: "Better never to have been: the harm of coming into existence" (David Benatar).
Tradução livre: "Melhor se nunca tivesse sido: os danos de alcançar a existência".


O vencedor será escolhido pelo público em votação feita pelo site www.thebookseller.com.
O prêmio será anunciado em 13 de abril.

 

O campeão do ano passado foi "People who don't know they're dead: how they attach themselves to unsuspecting bystanders and what to do about it", de Gary Leon. Em português, "Pessoas que não sabem que estão mortas: como elas se prendem a terceiros desavisados e o que fazer a esse respeito".



Escrito por simaopessoa às 09h04
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Dos palcos baianos para o cinema, o longa-metragem Ó paí, ó estréia em abril com direção da baiana Monique Gardenberg, de Jenipapo (1996) e Benjamim (2004), e vira série da Globo no segundo semestre. É mais um produto a se beneficiar do efeito favela do bem, inaugurado com Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles.

Com produção musical de Luiz Brasil, Betão Aguiar e Davi Moraes, a trilha sonora de Ó paí, ó (Natasha Records) acerta ao apostar no batuque afro-pop-baiano e em sucessos da periferia (a banda Calypso e o rastaman Edson Gomes) para embalar personagens do povo baiano como Roque (Lázaro Ramos), protagonista da história.

O filme foi baseado na peça homônima de autoria de Marcio Meireles, diretor do “Bando de Teatro Olodum”, de Salvador. O produtor Luiz Brasil (aí na foto, durante uma audição com a galera) optou por incluir na trilha sonora uma boa quantidade de temas conhecidos do público, algumas músicas inéditas e trilha incidental negona.

Caetano Veloso, quase sempre presente nas trilhas editadas pela Natasha, selo da sua ex-mulher Paula Lavigne, valoriza o trabalho com duas composições inéditas: a delicada Canto do mundo, com violão de Davi Moraes, e o frevo axé Ó paí, ó. Parceria com Davi, a faixa é interpretada em dueto pelo tropicalista e Jauperi.

Jauperi faz bonito ainda na releitura de É d’Oxum (Vevé Calazans/Gerônimo). O mesmo não pode ser dito de Daniela Mercury, Margareth Menezes e Tatau em Protesto do Olodum, por conta do arranjo que dilui a mensagem. Lázaro Ramos se aventura a cantar em Vem meu amor (Silvio/Guio), mas a experiência vale só como chiste.

A seleção resgata alguns interessantes fonogramas. Entre eles, Meninos do Pelô com o pot-pourri Samba duro (1993), Ilê Aiyê & Daúde em Adeus bye bye (2004), Ara Ketu com Are Ketu bom demais (1994), Mariene de Castro com Ilha de Maré (2005), Olodum com I miss her (1996) e o mestre Batatinha com a linda Depois eu volto.

Mas gostoso mesmo entre as 14 faixas da trilha é ouvir a loira Joelma, da banda Calypso, cantar Tô carente. É brega para fazer o suor escorrer e a alma brasileiríssima botar um sorriso na cara. E Edson Gomes chamando a liberdade de “dona Lili” é outro momento impagável de cafonice. Neste caso, de cafonice roots reggae.

DANIELA Mercury possui identidade própria e a, partir de influências do pop, do afro-baiano e da MPB, tem conseguido manter um bom nível de qualidade artística nos últimos anos. O DVD (dirigido pelo cineasta pernambucano Lírio Ferreira) e o CD Balé mulato ao vivo (EMI), gravado no Farol da Barra, em Salvador, dia 17 de setembro do ano passado, reitera a competência da cantora baiana e dos seus músicos. Nem tudo, porém, são flores no balé miscigenado de Daniela: a interpretação samba-reggae de Não chores mais (versão de Gilberto Gil para No woman no cry) é over e nada inspirada, Gilmelândia não é uma convidada à altura da anfitriã no frevo Água do céu e a versão de A certain softness (Paul McCartney), que virou Essa ternura, é fraca. Bacaninha é o verniz african-pop de Quero a felicidade (Daniela e Manno Góes), com participação especial do Jammil.

O CLIPE de What goes around comes around, o terceiro single do excelente álbum FutureSex/LoveSounds, já está na internet e traz Justin Timberlake na companhia da atriz Scarlett Johansson (que jura não estar namorando o novo rei do pop).

SPORTV praia (Som Livre) é uma coletânea tatibitate de Verão que vai do reggae universitário de Armandinho (Lua cheia), Edu Ribeiro (Me namora) e Maskavo (Asas) ao pop surfer de Tomas Sussekind (Sem me preocupar, uma clonagem do estilo Jack Johnson), Red Trip (Ervas no jardim) e Seu Cuca (Não me olha assim), passando por hits da televisão (Eu sei/Papas na Língua e Quero só você/AfroReggae). Tem ainda Cidade Negra (Eu sei que ela), Apollo Nove & Seu Jorge (Ensaboar você), Natiruts (Natiruts reggae power), Planta e Raiz (Te ver, do Skank), Chimarruts (Pra ela) e Jammil (relendo Um anjo do céu, do Maskavo). Pouca coisa se salva.

JEFF Buckley (1966-1997) ganha a coletânea Life eternal: and introduction to Jeff Buckley dia 21 de maio. Uma semana antes, o pai Tim Buckley (1947-1975) tem a carreira retratada no DVD My fleeting house.

LEE “Scratch” Perry, o papa do dub, baixa no Abril Pro Rock, em Recife. O festival, que acontece entre os dias 13 e 15 de abril, terá também Mutantes.

CORINNE Bailey Rae edita álbum duplo ao vivo, dia 19 de março, gravado em Nova York. O lançamento inclui um DVD, com canções gravadas em Londres, um documentário e clipes.

LUAU do Jammil (Som Livre) é um subproduto do DVD Praieiro – Ao vivo (2005), no qual Jammil e Uma Noites interpretava suas canções em clima acústico, mas traz as inéditas Agora que o Carnaval terminou, O jardineiro fiel (balada cantada pelo baixista Manno Góes) e De bandeja (novo hit do grupo baiano), gravadas em estúdio. Claudia Leitte, do Babado Novo, tem participação sem brilho em Chuva na janela, que é unida ao clássico Bizarre love triangle, do New Order (para desespero dos fãs da banda inglesa). Luiz Caldas sai-se melhor na dobradinha Zanzibar (Armandinho/Fausto Nilo)/Chame gente (Armandinho/Moraes Moreira), o ponto alto do CD. O formato acústico costuma valorizar a qualidade ou expor a fragilidade das composições de um artista: nesse sentido, o saldo é desfavorável para o Jammil.

ALEXANDRE Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancelloti vêm oxigenando a música pop experimental nacional. Eles formam um grupo que, a cada disco, reveza um dos três artistas à frente do projeto, mantendo o espírito coletivo de criação e, ao mesmo tempo, revelando diferenças sutis e complementares.

O projeto começou com Moreno + 2 e o disco Máquina de escrever música (2001), prosseguiu com Domenico + 2 e seu Sincerely hot (2003) e fecha trilogia com Kassin + 2 em Futurismo (PingPong/DI). Editado no Japão em maio de 2006, o CD sai agora aqui e chegará aos EUA via Luaka Bop, de David Byrne.

Kassin, que no ano passado lançou o CD Free U.S.A., assinando Artificial e radicalizando no experimentalismo pop, faz de Futurismo o ponto de equilíbrio entre os discos de Moreno + 2, mais melódico e voltado para o formato canção, e o de Domenico + 2, mais eletrônico e com referências setentistas.

O resultado é um ótimo álbum de bossa’n’roll, ainda que essa estética ceda espaço para algumas experimentações que revelam o gosto musical plural de Kassin, vide o delicioso flerte com o tecnobrega paraense em Água e o dispensável hardcore Astronauta, que bem poderia estar no álbum Free U.S.A.

Amigos de Kassin participam de Futurismo de modo feliz. Entre eles, João Donato na parceria O seu lugar, que inclui a gravação telefônica de um papo do pianista com o músico baiano Paulo Levita; Jorge Mautner na faixa-título; Los Hermanos na bela Mensagem; e Adriana Calcanhotto em Simbióticos.

A sonoridade do piano suingado e setentista de João Donato também influencia outra jóia do repertório: Quando Nara ri. Parceria de Kassin e Adriana Calcanhotto, a canção homenageia a filha do artista e Hiromi Konish. É uma canção ensolarada que faz bem à alma, assim como a melodia de Pra lembrar.


Escrito por simaopessoa às 07h22
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