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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP – 6



Amigos de infância e vizinhos no bairro novaiorquino de Queens, os três manos do Run DMC eram oriundos de uma família de classe média. O MC Joe “Run” Simmons é o mais novo de uma família de três irmãos, filhos de um professor e uma assistente social. O MC Darryl “DMC” McDaniels é filho de um engenheiro e de uma enfermeira.

No início dos anos 80, ainda estudantes do ensino médio, ambos começaram a cantar juntos num clube perto de casa, duelando entre si, de brincadeira, influenciados pela audição de “Rapper’s Delight”.

Russel Simmons, irmão mais velho de Run, viu a presepada e adorou. Começou a influenciá-los e, em pouco tempo, formaram uma banda. Em 1983, como precisavam de um DJ, chamaram Jason “Jam Master Jay” Mizel, que também era amigo de infância dos dois.

Logo lançaram o primeiro single, com as músicas “It’s Like That” e “Sucker MCs”. A primeira tornou-se um grande hit no underground local. A outra acabou aclamada pelos críticos como o divisor de águas do gênero. “Sucker MCs” passou a ditar as regras de uma nova forma na criação das bases: nenhum outro instrumento a não ser uma bateria eletrônica, dois toca-discos e um mixer.

A revolução não ficou restrita apenas na sonoridade do single de estréia. Por sugestão de Russell (na época, parceiro do produtor Rick Rubin na gravadora Def Jam, que descobriu para o estrelato nomes como Public Enemy, Beastie Boys e LL Cool J), Run, DMC e Jam Master Jay passaram a subir no palco ostentando as mesmas roupas surradas do dia a dia.

O vestuário eram enormes moletons e corriqueiros agasalhos esportivos (ou casacos de couro e jeans pretos), tênis brancos desamarrados e penduricalhos nada discretos no pescoço. Estava criada a imagem típica do b-boy.

Em 1984, o Run DMC lançou o primeiro álbum, homônimo (o primeiro disco de ouro para um grupo hip hop no mercado fonográfico americano). Seus integrantes também passaram a receber convites para aparições em filmes e tributos-com-vários-artistas-cantando-por-uma-causa-nobre – como o Sun City, contra o regime de apartheid então vigente na África do Sul.

Sob os auspícios de Rick Rubin, talentoso e barbudo produtor sempre capaz de enxergar longe novos caminhos para o rock, o Run DMC deu o passo que viria a mudar para sempre sua carreira.

O DJ Jam Master Jay sampleou o compasso inicial de “Walk This Way”, da banda Aerosmith, e encheu os loops de scratches e breakbeats. Perry foi convocado para refazer o marcante riff de guitarra da canção e Tyler soltou o vozeirão com Russell e Darryl, reproduzindo a letra canto-falada que com alguns anos de antecedência já simulava o que viria a ser o rap.





A regravação foi o carro-chefe de Raising Hell, de 1986. O disco vendeu três milhões de cópias nos EUA (equivalente à platina tripla no mercado de lá), foi o primeiro a chegar entre os dez álbuns mais vendidos da Billboard e alcançou o posto máximo na parada de R&B.

A MTV, até então reticente quanto à exibição de clipes de rap, também não teve como ignorar mais o gênero. A Rolling Stone, mais famosa revista de música do país, deu sua primeira capa a um artista da cultura hip hop. O Run DMC também tornou-se o primeiro contratado fora do meio esportivo a fazer propaganda para a marca esportiva alemã Adidas (com a faixa “My Adidas”).

O rap estava em alta e novos nomes passaram a dividir os louros com o Run DMC. Em Nova York, Boogie Down Productions e Public Enemy bradavam em alto e bom som contra o capitalismo, a mídia e o poder dos brancos e judeus.

Do outro lado do país, em Los Angeles, o cotidiano barra-pesada dos guetos “vermelho” e “azul” saltava para a tela do cinema no filme Colors – As Cores da Violência. O NWA (formação que revelou nomes como Eazy-E, morto em decorrência da Aids em 95, Ice Cube, hoje mais voltado para a sétima arte, e Dr Dre, padrinho de Eminem e Snoop Doggy Dogg) e o ex-traficante de armas Ice-T levaram a violência das ruas para a música.

Em pouquíssimo tempo, o gangsta passou a dar as cartas no gênero, limitando o espaço para a celebração pura e simples. Por isso, os dois álbuns posteriores do Run DMC, Tougher Than Leather (1988) e Back From Hell (1990), passaram longe de repetir o mesmo sucesso devastador de “Walk This Way” e Raising Hell.

Na virada dos anos 90, Simmons e McDaniels também enfrentaram problemas pessoais – o primeiro foi falsamente acusado de estupro na cidade de Cleveland e o outro superou a dependência alcoólica –, passaram por uma grande experiência de conversão religiosa (Run tornou-se reverendo e prega até hoje). Gradativamente, o grupo se afastou do mundo da música.

Em 1993, mesmo com vários convidados nos vocais e produções das faixas (como A Tribe Called Quest, KRS-One e Naughty By Nature), o álbum Down With The King também falhou na última tentativa de reerguer com sucesso a carreira do Run DMC. As brigas entre os dois MCs fizeram o grupo dar uma parada estratégica.

Enquanto Run e DMC discutiam pela mídia, Jam Master Jay tocava sua vida, fazendo cursos para DJ’s, e gravando vídeos específicos para iniciantes, fundando a Academy of Risc, onde lecionava seis cursos por semestre, desde a história dos DJ’s até as técnicas de scratch, com o apoio do site hiphop.com. Trabalharam com ele A-Trak, Dee Evil, Mista Sinista, Kuttin Kandi, Roli Rho, Other Jay e Kool Herc.

Disposto a dar a mão para seus manos do Queens, o DJ montou uma pequena gravadora e começou a garimpar os talentos da área. Sua descoberta mais promissora foi um rapper marrento conhecido como 50 Cent, que o DJ praticamente ensinou a cantar.

Somente oito anos depois o Run DMC voltou a gravar um disco. O álbum Crown Royal, lançado em meados de 2001, contou com diversas participações especiais (Everlast, Method Man, Fred Durst, Sugar Ray, Fat Joe, Kid Rock, Nas e o vocalista do Third Eye Blind, entre outros) e teve um hit instantâneo.

Gravada originalmente pela Steve Miller Band, a música “Take The Money And Run” teve freqüentes execuções nas rádios – inclusive no Brasil – e conseguiu gás suficiente para fazer o Run DMC voltar à ativa com força.

No dia 30 de outubro de 2002, quarta-feira, um homem até hoje não identificado cruzou a porta de um estúdio de gravação no bairro do Queens, em Nova York, por volta de sete e meia da noite.

Fez alguns disparos e saiu tranqüilamente do local. O sonoplasta Urieco Rincon, 25 anos, estava baleado na perna e foi levado com urgência para o hospital. O DJ Jason Mizell, 37, não teve melhor sorte: uma bala atingiu sua cabeça, provocando morte instantânea.

O crime, cujo motivo e assassino continua sendo investigados pela polícia, derramou a terceira grande mancha de sangue na história do rap americano.

Dias antes do assassinato do DJ, o grupo Run DMC havia encerrado uma badalada turnê ao lado de Aerosmith e Kid Rock e estava tomando um gás para começar a trabalhar no novo álbum.

Muito provavelmente, o DJ Jam Master Jay estava maquinando algumas bases no estúdio quando foi surpreendido pelo seu assassino. No início de novembro daquele ano, o Run DMC anunciou sua retirada dos palcos e estúdios.





Escrito por simaopessoa às 02h47
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP – PARTE 7



Beastie Boys – Apadrinhados pelo Run DMC, os Beastie Boys estavam na faixa dos 20 anos quando se tornaram os primeiros rappers brancos a invadir a praia da estrelas da música pop: bateram a “material girl” do topo com o álbum de estréia “Licensed To Ill”, de 1986, que trazia solos de guitarras dos metaleiros do Slayer e sampleava AC/DC, Led Zep, Black Sabbath e Clash.

Além de ganharem a devoção da crítica e o respeito dos blacks, os garotos bestiais reviraram o estômago da mídia com suas performances de legítimos herdeiros do Who na arte de promover orgias e baixarias, em shows ao vivo e quartos de hotéis.

Mas quem é quem na trinca?

Mike D - original Michael Diamond, filho de uma decoradora de apartamentos de luxo - é aquele sempre de chapeuzinho, Ray-ban e um colarzão com um enorme símbolo da Volkswagen.

MCA - original Adam Yauch, filho de um arquiteto - é aquele sempre com uma barbinha de dois dias.

Ad Rock - original Adam Horowitz, filho de um teatrólogo - é aquele da voz extra-anasalada, sempre fazendo careta e de bonezinho de beisebol. Ou seja, todos bem nascidos, de Manhattan, de familinha judia - complementando com jeans e Adidas.

O som, quem faz é DJ Hurricane, o homem da mesa no meio do palco, blackão de cara redonda, correntão kitsch astral no pescoço e tapes pré-gravados de Led Zeppelin e AC-DC às pencas.

Para muita gente, os cut-ups de heavy metal dos Beasties são os melhores do mercado. Apenas os melhores trechos. E em segmentos bem curtos.

No setor dos caras-pálidas (já que não nasceram blackões no Bronx), seu crossover hip hop/ heavy metal, com sobre tons de punk primordial, também persiste, por enquanto, como o melhor do mercado.

Mais: seu uso e abuso da linguagem, de sublinguagens e suas recuperações de lixos abomináveis da cultura de massa representam uma experiência absolutamente liberatória.

Resumindo: os Beastie Boys não têm vergonha de misturar heavy metal, hip hop, bossa nova, punk, reggae e influências latinas, em um melting pot em que nada soa fora do lugar. Poucos artistas conseguiram levar para o estúdio uma reprodução tão fiel do clima das ruas de Nova York, de onde vem a inspiração da banda.





Kurtis Blow – Ele está para o rap assim como Elvis Presley está para o rock’n’roll. Nascido no Harlem, em 59, Blow, cujo nome verdadeiro é Kurtis Walker, viveu a fase de ascensão do hip hop na adolescência, participando das festanças do DJ Kool Herc.

Anos mais tarde, quando estudava comunicações no City College of New York e agitava as noites como Kool DJ Kurt, conheceu o também universitário Russel Simons – seu passaporte para o estrelato.

Russel o rebatizou de Kurtis Blow e conseguiu para ele o primeiro contrato de um rapper com uma grande gravadora, a PolyGram. Seu primeiro single, “Christmas Rappin”, saiu no final de 79 e no ano seguinte ele obteve seu maior sucesso com “The Breaks”, com mais de 500 mil cópias vendidas.

Na metade dos anos 80 foi destituído de seu posto pelo Run DMC (mais uma possível comparação com Presley e os Beatles), mas rapper que se preza nunca esquece do rei da atitude. Entre seus bons discos, podemos destacar “Ego Trip” (84), “Kingdom Blow” (86), “Back By Popular Demand” (88) e “The Best Of Rappin’”(91).





KRS-One – Nascido no subúrbio do Brooklin, em 1965, Laurence Krisna Parker era filho de um imigrante ilegal de Trinidad, que foi deportado logo após seu nascimento. Ele acabou adotando o sobrenome do padrasto.

Na adolescência, Kris fugiu de casa e se mudou para o Bronx, morando nas ruas ou em abrigos para o sem-teto. A despeito de ter abandonado a escola, ele continuou sua instrução freqüentando assiduamente as bibliotecas públicas de Nova York.

Nos bailões do South Bronx, Kris descobriu o movimento hip hop e tornou-se grafiteiro, usando como assinatura o nome KRS-One – um acrônimo de Knowledge Reigns Supreme Over Nearly Everyone, ou “O conhecimento reina supremo sobre quase todas as coisas”.

Aos 19 anos, depois de uma passagem pela polícia por estar traficando maconha, ele conheceu em um abrigo público o ativista social Scott La Rock, que era DJ nas horas vagas. Juntos, os dois criaram o Boogie Down Productions.

O primeiro álbum do BDP, “Criminal Minded”, de 1987, é considerado um clássico e um divisor de águas, pois suas batidas traziam régua e compasso daquilo que seria conhecido como “hardcore rap”.

Nas letras, KRS-One, um poeta de mão cheia, descrevia com detalhes a realidade urbana dos negros – drogas, sobrevivência por meio da violência, promiscuidade sexual, desemprego –, entre um misto de indignação, revolta e ironia.

Alguns meses depois, o DJ Scott La Rock foi assassinado com dois tiros durante uma discussão boba em uma das festas que comandava no Bronx. KRS-One resolveu continuar com o grupo como forma de manter viva a memória do amigo e convocou o DJ Kenny Parker e os MCs D-Nice e Ms. Melodie (Ramona, irmã de Scott La Rock e, mais tarde, esposa de KRS-One).

Com essa nova formação, o BDP lançou o álbum “By All Means Necessary”, em 1988, cujos raps de conscientização social e politicamente corretos valeram a KRS-One o apelido de “The Teacher”.

No ano seguinte, o BDP lançou “Ghetto Music: The Blueprint of Hip Hop”, onde KRS-One pegava pesado no machismo presente nas letras de rap, mostrando que a glorificação da violência contra as mulheres era uma tremenda estupidez.

O grupo foi desfeito em 1992, quando KRS-One se divorciou de Ms. Melodie e começou a trabalhar sozinho. Seus dois primeiros álbuns-solo, “Return Of The Boom Bap” (93) e “Battle For Rap Supremacy” (95), traziam uma abordagem mais direta e contundente dos temas presentes em seu trabalho anterior.

Mas foi com o disco seguinte, “I Got Next” (97), que KRS-One restituiu à comunidade hip hop os seus valores mais importantes, ressaltando a importância da inteligência, da auto-valorização do MC, do DJ, do grafite e do break, presentes na letra e no videoclipe de “Step Into A World”.

O disco ainda trazia algumas jóias raras como “Can’t Stop Won’t Stop”, “You Must Be Crazy”, “Heartbeat” e “Blowe”, um belíssimo dueto com o rapper Redman. O rapper continua na estrada.







Escrito por simaopessoa às 02h44
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP – PARTE 8



LL Cool J – Se todo gênero precisa de um galã, quem leva a taça no rap, sem dúvida, é LL Cool J, que em 1988 entrou na lista dos dez músicos mais sexy do planeta publicada pela revista Playgirl.

O rapper LL Cool J (os dois eles significam “Ladies Love” – “as mulheres amam” – enquanto o jota é a primeira letra de seu verdadeiro nome, James Todd Smith) nasceu em St. Albans, no bairro de Hollis, Queens, e começou a carreira em 84, com 16 anos.

No ano seguinte, sua curta aparição no filme “Krush Groove”, que registra o início da gravadora Def Jam, foi o bastante para popularizar seu nome.

Ainda em 85, LL lançou seu primeiro álbum, “Radio”, que virou platina, mas seu primeiro megahit, no entanto, foi “I Need Love”, presente no segundo álbum (“Bigger And Deffer”), que foi o primeiro single de rap a ficar mais de dez semanas no primeiro posto na parada negra da Billboard.

A química da rua, aliada à sua pouca idade, acabou por torná-lo o Jim Morrison do rap, o símbolo sexual e o ídolo mais egocêntrico na mesma embalagem.

Entre outros hits, LL perpetuou “Going Back To Cali” (delicioso rap apoiado em metais) e “I’m Bad”, música pioneira em usar noises urbanos, como sirenes e locuções de serviços públicos.

Ele foi o único rapper que, depois de sair de cena sob as vaias da crítica, em 1989, deu a volta por cima coberto de aplausos e discos de platina, em 1997. De lá pra cá, nunca mais parou de ser endeusado e de dar forças para gente iniciante, como Jennifer Lopez.

“Phenomenon”, seu sétimo álbum, lançado naquele ano, trazia – por garantia – a produção de Puffy Daddy, nada menos que a maior fábrica de hits da história, mas exagerava na auto-afirmação.

O tom subia em “4, 3, 2, 1”, faixa em que LL divide o microfone com Redman, Method Man e DMX. A música usa um sample da adolescência de LL (“Rock The Bells”) e compara os novos rappers a crianças – mal descobriram a bola de basquete e já se acham melhores que Michael Jordan.

A faixa-título sai-se bem ao tirar seu baixo funkeado de um sample de Bill Withers, o mesmo que estourou no planeta depois que seu “Funk Phenomena” virou house por obra e graça de um remix de Armand Van Helden.

No ano passado, LL Cool J foi homenageado pela Sociedade de Compositores, Autores e Editores da América por sua contribuição ao Hip Hop e à música em geral, já que contabiliza mais de 20 anos de estrada.



Fat Boys – O trio peso pesado do rap (Mark “Prince Markie Dee” Morales, Damon “Kool Rock-Ski” Wimbley e Darren “The Human Beatbox” Robinson) começou a conhecer pratos e sucessos fartos a partir de uma competição no Radio Music City Hall em 83.

Ganharam o primeiro prêmio – um contrato de gravação – se apresentando como Disco Three e conheceram o empresário Charles Stetter. Foi dele a sugestão para a mudança do nome da banda, já que os três eram verdadeiras baleias.

O single “Fat Boys” foi o primeiro de uma série de hits, incluindo as covers de “The Twist”, com a participação de Chubby Checker, e “Wipeout”, com os Beach Boys.

Por seis anos ininterruptos, os três gordoidões encheram os bolsos de grana, mas à custa de muito trabalho: gravaram sete discos vibrantes – “Fat Boys” (84), “The Fat Boys Are Back” (85), “Big & Beautiful” (86), “Crushin’” (87), “Coming Back Hard Again” (88), “Krush On You” (88) e “On And On” (89) –, apareceram em dezenas de programas televisivos, excursionaram sem descanso e deram o toque pastelão ao gênero numa série de clipes inesquecíveis.

Os Fat Boys acabaram em 92, quando Prince Markie Dee partiu para uma bem-sucedida carreira solo de produtor e cantor de R&B. O comeback do grupo foi definitivamente descartado depois que Darren Robinson morreu de parada cardíaca, em dezembro de 95, deixando o rap bem menos engraçado.



Ice-T – Um dos rappers mais censurados dos EUA em todos os tempos, ele foi o primeiro músico fora de Nova York a aparecer e ser respeitado no circuito hip hop original.

O cantor Ice-T (nome emprestado do escritor Iceberg Slim) sempre andou às voltas com o cinema, o crime organizado e a liberdade de expressão, mas não necessariamente nessa ordem. Ele não revela a idade nem o nome verdadeiro, mas deve estar na faixa de 50 e poucos anos. Tampouco diz o ano em que chegou a Los Angeles vindo de Nova York.

O que se sabe é que no momento em que pisou em South Central L.A., iniciou uma rentável e perigosa vida de crimes “afanando” som de carro, fazendo uso fraudulento de cartões de crédito alheios e dando golpes em companhia de seguro.

Resgatado do crime pela música, Ice-T continua mantendo um padrão de vida extremamente confortável agora, sem o risco da vida anterior. Quando “Rhyme Pays”, seu primeiro disco-solo, foi lançado em 87, ele já havia estreado nas telas com o filme “Breakin’”.

Embora o filme não tenha feito sucesso, foi a trilha sonora de outro filme – “Colors” (“As Cores da Violência”), onde é sua a faixa-título – o passaporte de saída do limitado rap de Los Angeles.

Em “New Jack City”, filme de 90, ele continuou sua carreira de ator, ganhando o papel principal. Papel semelhante ele ganhou nas manchetes de jornais pelo seu “incentivo ao homicídio qualificado”.

Evidentemente, quem conhecia seu trabalho não se espantou com o qüiproquó criado por “Cop Killer”, banida de todas as rádios americanas porque convocava a população negra a assassinar os policiais brancos da cidade. O rapper sempre atirou em todas as direções que considera politicamente incorretas, o que não o livra de cair em contradições.

Em “Iceberg”, seu melhor álbum no que diz respeito à música, ele ataca as drogas e o abuso sexual em certas faixas ao mesmo tempo em que as glorifica em outras. A justificativa? Segundo o próprio Ice-T, ele escreve “música hardcore, barra pesada, música para a garotada que não está dentro do esquema, para os fora-da-lei, os revoltados e os inconformados de todos os quadrantes”.




Escrito por simaopessoa às 02h42
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP – PARTE 9





Enquanto o movimento hip hop se transformava em um conjunto de expressões culturais dos negros e latinos que moravam no South Bronx de Nova York, um segundo “pólo” de rap surgiu na Costa Oeste dos EUA, tendo Los Angeles como epicentro.

Quando o rap chegou à Cidade dos Anjos, em 85, abandonou os temas usados em Nova York (dinheiro, mulheres, carrões) e passou a falar da violência das ruas e das gangues. Surgia o escabroso West Coast Rap, conhecido popularmente como Gangsta.

Uma das explicações para essa mutação foi a explosão do crack e do freebase em Los Angeles, que gerou o aumento da violência urbana. A população se armou e o número de negros encarcerados cresceu descontroladamente. O gangsta rap, cujos temas principais eram a desconfiança das mulheres, a lealdade à gangue, o ódio à autoridade e a postura fria em relação ao mundo, nasceu para radiografar esse cotidiano assustador.

O que detonou a explosão do gangsta rap foi um concerto dado pelo Run DMC em agosto de 86, no Long Beach Arena, até hoje considerado a maior arruaça já vivida no show business, com brigas que duraram mais de três horas entre as gangues Crips e Bloods.

E aí é preciso dar algumas explicações. A cor dos Crips é azul. A dos Bloods é vermelho. É um código simples: quem é dos Crips se veste de azul. Quem é dos Bloods usa vermelho. São inimigos ferozes, Crips e Bloods: disputam um mercado de crack que rende no mínimo mil dólares semanais a cada integrante.

São gangues bem organizadas que defendem seus pontos-de-venda com submetralhadoras Uzi (de fabricação israelense) e rifles AK-47 (soviéticos). O relacionamento entre essas duas gangues inimigas é bem simples: quem usa vermelho mata quem está de azul. Quem está vestido de azul mata quem estiver de vermelho. E ponto final.

O território dessas duas gangues é a baixada empobrecida de South Central Los Angeles, separada do distrito financeiro em Downtown L.A., e dos subúrbios abastados de Beverly Hills e Hancock Park, apenas pelas doze pistas de asfalto da Santa Monica Freeway.

O “movimento”, lá, é ininterrupto. Ao contrário de outros centros urbanos onde o tráfico (e os crimes relativos à atividade) é um fenômeno sazonal (com neve aos borbotões, traficantes e usuários ficam mesmo é debaixo do cobertor), em Los Angeles a compra e venda de drogas ocorre o ano inteiro, abençoada por um clima seco em que frio é figura de linguagem e chuva praticamente ficção.

Na quizumba, não morrem apenas integrantes de gangues. Está ficando cada vez mais banal pessoas comuns morrerem nas movimentadíssimas ruas de Westwood, o bairro universitário cuja vida gira em torno da UCLA (University of California – Los Angeles), atingidos por balas perdidas na troca de tiros entre membros das gangues e policiais.

Praticamente a cada três dias, pelo menos uma pessoa comum morre em Los Angeles por causa das gangues: por estar passando na rua na hora errada, por estar usando a cor errada em território demarcado, por estar conversando com policiais em áreas “quentes”, por ter reagido a um assalto.

Como a polícia de Los Angeles está reagindo? Os meganhas instituíram duas forças especiais: a CRASH (Community Resources Against Street Hoodlums - Esforços Comunitários Contra os Arruaceiros das Ruas) e a OSS (Operation Safe Streets - Operação Ruas Seguras). Os dois departamentos combinados têm um total de 950 policiais combatendo gangues.

Em contrapartida, na Grande Los Angeles existem cerca de 700 gangues diferentes (além das maiores e mais poderosas Crips e Bloods, a primeira com 199 gangues afiliadas e a segunda com 75). Somadas, elas têm quase 150 mil integrantes.

Não foi à toa que Dennis Hopper retratou as duas maiores gangues rivais da Cidade dos Anjos em seu filme “Colors” utilizando uma trilha repleta de rap. As gangues adoram rap! E o persuasivo som de tiros se tornou a percussão inevitável do hip hop concebido na cidade.

A maior parte dos gângsteres está em torno dos 20 anos, possui um código de macho que é respondido pelas letras do rap e se chama Yo Boys. Por ironia, a palavra “yo” é um cumprimento corrente na cultura black. Mas diga “yo” para um dos Yo Boys, no lugar errado, e esta poderá ser a última palavra que você usa na vida.

Eles vivem se matando uns aos outros e a quem cruzar a linha de fogo. Com a súbita ascensão do gangsta rap, o antagonismo entre o movimento hip hop das Costas Lestes e Oeste ganhou força e teve seu ápice com as mortes dos rappers Tupac Shakur (de Los Angeles), em 96, e Notorious B.I.G. (de Nova York), em 97.

Não que antes não tivesse havido mortes na cena hip hop. Nos anos 80, Scott La Rock era considerado o DJ mais hardcore da segunda geração do Bronx. Ele foi um dos poucos que conseguiram misturar reggae, rap e rock com maestria. Sua música não seguia a tradição da dance music, tendo um pulso mínimo de skank, criando um estilo mais direcionado para a cabeça do que para os pés.

Em 25 de agosto de 87, Scott deixou de cumprir um contrato com o selo Sleeping Bag para produzir o próximo disco de outra fera do reggae/rap, Just-Ice, e encerrou a carreira que mantinha com seu parceiro KRS-One. Culpa de dois tiros.

Outro caso semelhante, foi o do já citado Just-Ice, um dos membros originais da Zulu Nation, grupo criado por Afrika Bambaataa como uma utopia capaz de trocar as brigas entre gangues por disputa entre DJs, breakers, rappers e grafiteiros.

Aos 12 anos, ele brincava de MC nas festas do DJ Kool Herc, mas logo teve que desistir de seu projeto porque Hercules tentou matá-lo a bala, num incidente até hoje não esclarecido.

Na mesma época em que Scott foi assassinado, Just-Ice, cujo nome é um trocadilho com a palavra “justiça”, foi acusado de ter cometido um assassinato. Muito embora tudo indicasse que ele apenas estava na hora e no lugar errados, a má fama do movimento hip hop acabou lhe condenando a dois anos de prisão em regime fechado.

Quando saiu da prisão, foi tocaiado, levou vários tiros, mas sobreviveu. No disco “Gun Talk”, de 91, Just-Ice relembrou a quizumba. Claro que isso tudo é fichinha na frente do imbroglio Tupac-Biggie.

O rapper Christopher “Notorious B.I.G.” Wallace, uma baleia de 150 quilos, tinha milhões de discos vendidos, colecionou algumas posições no primeiro lugar da parada americana e era uma das maiores e mais milionárias estrelas do rap.



Isso tudo, no entanto, não impediu que ele tombasse esburacado de tiros como milhares de seus irmãos pobres dos guetos negros. O fato, ocorrido seis meses depois do assassinato de Tupac Shakur, escancarou de forma chocante o estágio de violência e desilusão do rap americano.



Afinal, os dois eram mega-astros do show business americano, filhos pródigos da indústria musical, popstars consagrados mundialmente e acabaram morrendo em situações que lembram as batalhas de traficantes de morro do Rio de Janeiro. O paralelo é adequado não só nesse aspecto.


Escrito por simaopessoa às 02h40
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DECIFRANDO O DNA DO HIP HOP – PARTE 10



Assim como no morro carioca, o gueto americano é um lugar onde valentia fala mais alto, problemas são resolvidos a bala, exibicionismo material é sinal de progresso, a malandragem sempre compensa e a ausência de perspectiva dita uma ética de vida que diz: “Viva o máximo hoje porque você pode não ter amanhã”.

Nesse contexto, o gangsta rap surgiu para desafiar a ordem estabelecida e ser porta-voz do lado mais barra pesada do hip hop, dos sujeitos que estão enfiados até o pescoço na delinqüência, no tráfico de drogas e na contravenção.

Graças às suas letras violentas, machistas e niilistas, o gangsta rap virou o estilo dominante do gênero nos últimos anos. Não só nas vendagens, como no noticiário, já que discos de gangsta são foco de histeria moral conservadora (como no caso de “Cop Killer”, de Ice-T). Em outras palavras, o gangsta é a expressão musical de uma geração do gueto, para a qual ter esperança é um luxo e em que morte e exclusão são as únicas certezas.

Esse gênero musical surgiu em Compton, violento gueto negro de Los Angeles, em 1987, quando o rapper Eazy-E montou o selo Ruthless para lançar “Boys-N-The Hood”, seu primeiro single, e na seqüência gravar com o NWA, grupo do qual fazia parte, ao lado de Dr. Dre, Ice Cube, MC Ren e DJ Yella.

Formado por uma turma realmente barra pesada, o NWA (Niggaz With Attitude, literalmente “crioulos com atitude”, sendo “nigga”, nos Estados Unidos, um termo dez vezes mais pejorativo do que o nosso “crioulo”) lançou a música “Gangsta, Gangsta!”, que vendeu milhares de cópias e deu nome ao estilo mais desbocado, pornográfico e politicamente incorreto do rap. Basta observar o número de palavrões e xingamentos utilizados na música.



Para se ter uma idéia do sucesso do gangsta rap, na primeira semana de junho de 91 o álbum “Niggaz4Life” (“Crioulos Pra Vida Toda”), do NWA, foi lançado nos Estados Unidos. Não houve execução em rádio. Nenhum clipe foi exibido na MTV. Não houve promoção de venda. Numa breve resenha do jornal Los Angeles Times, o crítico deu três estrelas (a cotação máxima é cinco) e o definiu como provavelmente, o grande disco mais inaudível desde “Metal Machine Music”, de Lou Reed.

O crítico tinha razão: em dezoito faixas que soavam como uma horripilante colagem extraída do pior pesadelo urbano, em que tiros de metralhadoras se diluem em rangidos de pneus em disparada, com o rat-tat-rat constante de um helicóptero costurando tudo, os rappers Eazy-E, Dr. Dre, Yella e MC Ren gritam, incessantemente, como é bom torturar, estuprar, fuzilar, estripar e decapitar.

De acordo com a ideologia sexista deles, mulheres são “bitches” ou “hos”, cadelas ou prostitutas, que merecem apenas a curra seguida de assassinato “para não contar nada”.

Homens negros são “niggers”, o pior epíteto racista que existe, homens brancos são “o inimigo”, a polícia é o principal inimigo, e o único estado possível entre este concerto de inimigos é o de guerra, e guerra sem tréguas, sem compaixão e sem prisioneiros. Guerra até a morte, não importa a cor. Até porque eles anunciavam logo na primeira faixa “os crioulos sonham com isso, eles só sonham em morrer o tempo todo”.

Em uma semana o álbum “Niggaz4Life” estava em sexto lugar na parada da revista Billboard. Mais uma semana e ele estava no primeiro posto. Em seis semanas, vendeu 500 mil cópias. Isso significava que, em sua brevíssima carreira de menos de quatro anos, o NWA já tinha vendido um total de 1 milhão e 650 mil discos: meio milhão de “Straight Out Of Compton”, lançado em 89, 650 mil de “Eazy Duz It”, o álbum solo de Eazy-E, lançado no mesmo ano, quinhentas mil de “Niggaz4Life”.

E isso sem contar os quase 600 mil vendidos de “Amerikka’s Most Wanted”, o álbum solo de Ice Cube, deletado do NWA em 1990. O que estava acontecendo? “Nós dizemos a verdade. Nós dizemos como as coisas realmente se passam nas ruas, sem dourar a pílula”, explicava Eazy-E, aliás Erick Wright, para a revista The Source. “Existe tanta mentira por aí que a verdade salta aos olhos como uma ferida.”

Seria interessante, extremamente fácil e até certo ponto confortador imaginar que essa era a explicação – a única explicação. O rádio e o mercado estavam inundados de baba. Os velhos temas do amor perdido, da festa animada e da juventude incompreendida eram reciclados pela milionésima vez.

Eis que surge uma gangue de Compton, South-Central Los Angeles – uma gangue de verdade! – e descreve, explicitamente, como é o dia-a-dia nas ruas abandonadas de uma América que a América faz questão de esquecer.

Esta é a explicação que melhor cai no paladar da crítica de esquerda, aquela que colocou NWA entre os melhores do ano em 1989 – em última análise, Eazy-E e companhia justificavam suas melhores teorias, são “a voz do gueto” dizendo a “verdade” e encontrando ressonância “nas ruas”.

É claro também que esta é a explicação que coincide melhor com a própria biografia oficial do NWA, segundo a qual Eazy-E, membro de gangue em Compton e enriquecido por tráfico de crack e roubo de automóveis, resolve “fazer alguma coisa mais segura” com seu dinheiro e, em 86, investe seu excesso de caixa numa produtora, a Ruthless Records.

“Eu não queria fazer rap, queria só dar uma folga no dinheiro e ajudar uns caras amigos meus, que já tinham seus grupos”, disse ele ao Los Angeles Times. “Mas quando os grupos que eu tinha em vista me deram o cano, eu resolvi tentar rappear”. Com o auxílio de um mestre DJ, Yella, e o apoio de uma “posse” (Ice Cube, Dr. Dre e MC Ren), nasceu o NWA.

Importante na biografia oficial do grupo também é a celeuma criada em 90, quando “Straight Out Of Compton” galgava as paradas e o FBI, nervosíssimo, emitiu um comunicado (seguido de uma carta enviada à Ruthless Records) afirmando sem rodeios que o grupo era uma ameaça à segurança nacional, por desafiar e incitar o conflito com as autoridades constituídas. O fato é verdadeiro e caiu como uma luva no cuidadoso construto, que, afinal de contas, é a imagem pública do NWA para seus milhares de fãs.

Por que, se a indústria fonográfica, no passado, já descobrira como fazer dinheiro a partir da repressão sexual (Elvis Presley e rock’n’roll), da insurreição política (Bob Dylan, Joan Baez e quase todos os dos anos 60), da contracultura (Lou Reed, Frank Zappa e mais quase todos os dos anos 70), do anarquismo punk (Sex Pistols, Clash e companhia) e mais recentemente, nos anos 80, estava fazendo gosto em reciclar esses temas com a mesma finalidade (Dead Kennedys, Nirvana e toda a geração grunge), por que cargas d’água haveria de parar na fronteira do gueto dizimado pela falência da família, da escola e do trabalho, e não recolher até o último centavo os dividendos de mais uma subcultura rebelde? Foi o que aconteceu.




Escrito por simaopessoa às 02h37
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O IGUANA Iggy Pop se irritou com cinegrafistas e se cansou de responder a perguntas de fãs durante um “show secreto” com sua banda punk, The Stooges, em Los Angeles na última terça-feira. O show com nove canções foi gravado num palco do estúdio 20th Century Fox para ser transmitido pela Internet em abril. Cerca de 300 fãs ganharam acesso à gravação pelo site da banda ou por meio de uma rádio local. A lista de canções incluiu Loose, I Wanna Be Your Dog, T.V. Eye, No Fun, 1970, Fun House, Skull Ring, Trollin e My Idea of Fun, sendo as últimas duas faixas saídas do novo álbum da banda, The Weirdness, o primeiro álbum gravado pelos Stooges em estúdio em mais de 30 anos.

OS TUCUMANOS lançam seu primeiro CD no bar Tulipa Negra, no próximo dia 30. São 12 canções, que vão do rock ao calipso, do reggae ao carimbó, tudo isso ancorado em letras bem caboconas e com direito a “frescagens” incidentais de um filósofo alucinado. A bolacha está da melhor qualidade. Eu recomendo.

PELO visto, a turnê do Police está fazendo muito mais sucesso do que todo mundo esperava. Eles acabaram de anunciar mais duas datas para o mês de julho. Dia 5, eles tocam em Chicago e, no dia 14, em Louisville. Por enquanto ninguém falou nada a respeito de alguma passagem da banda pelo Brasil, mas corre o boato que haverá sim uma turnê pela América do Sul. Comece a guardar dinheiro.

O DISCO “Send Away the Tigers” dos Manic Street Preachers tem lançamento agendado para o dia 7 de maio. Na faixa “Your Love Alone Is Not Enough” o vocal dos Menics, James Dean Bradfiled, canta junto com Nina Persson, vocalista do The Cardigans. A música será lançada com single do CD. No site oficial do grupo é possível baixar gratuitamente a faixa “Underdogs”.

BASTANTE gente ficou assanhado com a entrevista com o produtor Timbaland deu para a revista GQ, dizendo que vai encontrar com o pessoal do Coldplay agora em abril e discutir com eles idéias para o quarto trabalho. Entretanto, a assessoria de imprensa da banda já correu atrás e disse que o Coldplay não vai trabalhar com Timbaland, ao menos nesse disco, que será produzido por Brian Eno. No ano passado, Chris Martin participou do disco de Jay-Z e a banda participa da música “Part OfThe Plan”, faixa do disco “One Man Band Man”, do Swizz Beat.

O KAISER Chiefs lançou seu mais recente álbum “Yours Truly, Angry Mob” em fevereiro. No entanto o grupo achou pouco e lançará outro disco em abril. A banda gravou uma série de músicas que não entraram em “Yours Truly, Angry Mob”, porém estarão no novo disco que será lançado num CD para fãs, através do próprio selo do Kaiser Chiefs. Vai acabar provocando intoxicação gástrica.

FALL Out Boy deu o seu pulo-do-gato ao vender mais de três milhões de cópias do disco From under the cork tree (2005). O sucesso pôs o grupo de Chicago no pelotão de frente do subgênero emo, ao lado do My Chemical Romance, Panic! At Disco e Dashboard Confessional. Com isso, o Fall Out Boy deu uma guinada mais para o pop e conta com a colaboração de Jay-Z em Thriller e a produção de Babyface (R&B) em duas faixas do quarto álbum: Infinity on high (Universal). O single This ain’t a scene, it’s an arms race é maneiro, mas o álbum é apenas mediano.

KASSIN + 2 participam do Festival Cultural Zacatecas, México, no próximo dia 4. E de 24 de abril a 12 de maio, fazem turnê de lançamento do álbum Futurismo na Polônia, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Portugal e Itália.

A SOM Livre aproveita que a boa regravação de Marina Lima de Difícil (um hit seu de 1985) entrou na trilha de Paraíso tropical e lança Marina Lima novelas, com 15 músicas da cantora que embalaram romances na telinha da Globo. O repertório traz Fullgás, Uma noite e 1/2, À francesa, Pessoa, Charme do mundo, Não sei dançar, Pra começar, O chamado, Acontecimentos... O passado de Marina, não a condena, com certeza.

RAFAEL, que interpretou o pianista Rafael em Páginas da vida, edita primeiro CD em abril. Como breguice romântica parece ser coisa de família (ele é irmão da cantora Tânia Mara), o single do trabalho se chama O pianista e a bailarina (referência ao chatíssimo par romântico com a atriz Pérola Faria na novela) e conta com participação do saxofonista Caio Mesquita. E a EMI ainda avisa que as preferências do garoto de 17 anos “vão do hip hop à salsa”. Tenha medo.

ED Motta começa a gravar o sucessor de Aystelum (2005) em Sampa, este semestre. Em parceria com a Trama, ele também prepara o selo Dwitza, para lançar raridades e novos artistas.

AEROSMITH se apresenta dia 13 de abril no Estádio do Morumbi, São Paulo, com abertura a cargo do Velvet Revolver (que faz show no Rio, um dia antes). Quem se amarra em rock de arena (sobretudo, trintões) vai gostar. É para eles também a nova coletânea do veterano grupo: The very best of Aerosmith – Devil’s got a new disguise (Sony BMG), que inclui a histórica Walk this way (com participação do Run-DMC e primeiro crossover de rap e rock a conquistar as paradas, em 1987) e baladonas como Cryin’, Love in an elevator e Crazy. Como todo cantor de hard rock, Steven Tyler às vezes irrita, mas nenhum deles deu ao mundo uma filha tão bela quanto Liv Tyler.

SKOL Beats 2007, o maior evento de música eletrônica da América Latina, este ano acontece durante dois dias, 4 e 5 de maio, no Espaço Skol Beats, em São Paulo. Entre as atrações já confirmadas estão Laurent Garnier, Crystal Method, Nathan Fake, Miss Kittin, Marky, Bonde do Rolê e Mix Hell (Iggor Cavalera e Leimah Leyton).

ELLA Fitzgerald é homenageada por Etta James, Diana Krall & Hank Jones, Michael Bublé, k.d. lang, Queen Latifah, Natalie Cole, Dianne Reeves e Lizz Wright, dentre outros, no CD We all love Ella: celebration the first Lady of Song. Produzido por Phil Ramone, o projeto será lançado dia 13 de junho.

SNOOZE quebra um hiato de quatro anos sem gravar com o seu terceiro e homônimo álbum, uma parceria Solaris (RN)/Monstro Discos (GO). A boa banda sergipana de indie rock – que canta em inglês e ainda cita Velvet Underground, Weezer, Sonic Youth, Pin Ups, brincando de deus e Teenage Fanclub como principais referências – mostra crescimento na sonoridade, nos timbres e nos vocais. Destaque para as canções Words for you (com ecos de Who e Stones), Loser’s kiss , Love & death e Sunshine (num arranjo com metais e flauta). Já o lado noise mais experimental do grupo domina as faixas Um resfriado, Snoozing alt the time (com samplers de David Bowie/Hunky dory e Who/Sell out) e Stay with me/noiserockisthejazzofthefuture, que tem 14 minutos.



Escrito por simaopessoa às 15h30
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Síndico da solidão



Ana Lúcia do Vale

Uma história do além que acrescenta mais uma notinha musical à lenda de Tim Maia: o cantor Fábio garante que foi o próprio Tim — morto em 1998 —, através de aparição em sonho, quem lhe deu a idéia de contar o que viveram juntos num livro. Sucesso nos anos 70 e voz das vinhetas de rádio dos times cariocas, com eco final, como fazia na música “Stella”, Fábio lança “Até Parece Que Foi Sonho — Meus 30 anos de Amizade e Trabalho com Tim Maia” (Matrix Editora, R$ 23).

“Um amigo sonhou com uma mensagem do Tim para mim, em que dizia: ‘Escreve minhas histórias, você foi o meu melhor amigo’. Mas ele aparece sempre pra mim. Ora sério, ora rindo”, conta Fábio, nome artístico do paraguaio Juan Senon Rolón, 61 anos, no Brasil há 40, e morando na Bahia há 15.

Fábio conheceu Tim quando sua carreira estava em ascensão e a do tijucano não tinha estourado. “Primeiro, eu o chamava para abrir shows. Depois, ele era ‘o cara’ e eu, quebrado. Ele me dava grana e não se conformou quando caí no ostracismo”, acredita. Juntos, faziam dueto em ‘Até Parece que foi Sonho’ (nome do livro). “Ele era perfeccionista. Tinha ouvido absoluto”.

Fábio não se acha oportunista, apesar de seu livro sair antes do de Nelson Motta, a quem deu depoimento para a biografia do cantor, "O Rei da Folia — O Som e a Fúria de Tim Maia", que sai no fim do ano. Mas não sabe o que Carmelo Maia, filho e detentor dos direitos sobre a obra do cantor, vai achar. Quando Tim morreu em 1998, testemunhou a favor de Adriana da Silva, que pleiteava parte da herança dizendo-se mais do que ex-secretária. “Fui politicamente incorreto. Entrei numa furada”, arrepende-se Fábio. “Mas conto a minha história no livro. Só que convivi mais com o Tim do que com a minha família”, justifica.

Está lá no livro o rancor de Tim por Roberto Carlos, com quem dividiu o grupo Sputniks na adolescência. “Ele amava o Roberto, mas o achava ingrato porque ele não o levava ao programa Jovem Guarda. Dizia: o cara não me liga”, relembra Fábio, contando a vez em que Tim foi tomar satisfação na frente da casa do Rei. “Ele tomou um pileque e foi. Gritou tanto que uma vizinha chamou a patrulhinha”, ri.

Conta também como Tim se auto-intitulou síndico, feliz com o apartamento novo na Barra, apelido consagrado na música de Jorge Ben Jor. Ou quando Tim ligou para um delegado e pediu que fossem prendê-lo, dizendo: “Aqui eu tenho de tudo, maconha, coca, haxixe, e mais alguma coisa que o senhor deseje”. Quando a polícia chegou, Tim estava nu no chão e embriagado. Com 120 kg, ficou por lá mesmo.

Tendo vivido no ritmo de Tim, Fábio ‘nasceu de novo há dois anos. “A Bahia tem 365 igrejas e um monte de mães de santo. Não uso mais nada. Me curei”, diz ele que compôs, para novo CD, homenagem a Tim: ‘Meu Jovem Amigo’. “É ele que está me dando luz”, acredita.

‘Até Parece Que Foi Sonho’ traz histórias inusitadas que reforçam a fama do criador de casos. Um dia, Tim implicou com João Gilberto porque ele não o atendeu ao telefone. “João, você é um chato!”. E recebeu de volta: "E você Tim, é um desafinado”.

Mas tinha seus queridos, como Chacrinha, a mãe de Gal Costa e Chico Anysio. “Ele também adorava a Lalinha, uma menina de programa. Mas não era para fazer sexo, era só para conversar, ver TV. O grande problema do Tim era a solidão”, conta Fábio, relembrando o apelido por conta do jeito que ficava depois de se drogar. “A gente chamava ele de ‘transformer’, parecia um leão. As pessoas tinham medo dele”. Mas tem também o lado doce do leão, relatado nos choros de Tim debaixo do chuveiro frio para se curar do mal de amor.

Entre os maiores desafetos, Boni, então todo-poderoso na Globo, que proibiu Tim de participar dos programas da emissora por 10 anos, depois que ele deu um de seus memoráveis bolos no ‘Domingão do Faustão’. “Era o aniversário do Tim, e ele tinha virado a noite no uísque. Daí, quando ligaram, ele disse: ‘Vem aqui você Faustão, porque a festa está aqui em casa. O Tim ficou 10 anos fora da Globo. Isso quebrou ele. A única que o chamava era a Xuxa, porque tinha moral na Globo”, relembra Fábio.



Escrito por simaopessoa às 22h03
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