O GAMMA Ray já tem 14 músicas novas prontas para gravar para seu próximo álbum, mas ainda não definiu a data para entrar em estúdio. De qualquer forma, o plano é ter o CD pronto em outubro. "Há desde rocks simples até épicos bem complexos, com muito peso e grandes melodias. Todas as músicas têm uma energia muito positiva, sem ser polido demais", garante nota assinada pelo guitarrista/vocalista Kai Hansen. Após o lançamento do novo álbum, o Gamma Ray fará uma turnê mundial com o Helloween que deve passar pela América do Sul.
RECÉM-chegado de uma turnê pelo Japão e pela Europa, o grupo paulistano Angra fará uma participação especial no programa Jornal da MTV, da emissora paulista. O grupo vai participar de um bate-papo com os VJs da emissora e fará um minishow, em que vão executar músicas de seu mais recente disco, Aurora Consurgens. O programa vai ao ar no dia 6 de abril (sexta-feira), às 20h30, com repetição no dia 9 de abril, às 14h.
O SHOW que marcará a volta oficial do Smashing Pumpkins à ativa acontecerá no próximo dia 22 de maio, em Paris, França. O grupo promete apresentar nesse show algumas músicas que farão parte do novo álbum do grupo, Zeitgeist, agendado para sair em julho, nos Estados Unidos. O novo álbum, na verdade, será lançado exatamente às 7h07 minutos da manhã do dia 7 de julho de 2007. Aparentemente, o número 7 deve significar algo para a banda, que ficou separada por 7 anos.
INGLESA de alma americana, Corinne Bailey Rae conquistou os EUA em janeiro com o lançamento do seu primeiro e homônimo CD, que havia sido editado na Inglaterra no começo de 2006 e no Brasil, em maio do mesmo ano. O disco, uma mistura suave e gostoso de pop, soul e R&B, já vendeu um milhão de cópias nos EUA e mais 1,6 milhão no resto do mundo. Para reforçar o sucesso do seu neo-soul, a cantora – cujo timbre evoca Jill Scott e Billie Holiday – lança o DVD + CD Live in London & New York (EMI). Segunda-feira, o canal pago Multishow exibe o show que deu origem ao CD, gravado no Webster Hall, em Nova York.
T.I. conquistou mesmo cacife após o sucesso de King (2006). O novo álbum do rapper, T.I. vs. T.I.P., sai dia 7 de julho com participação de Justin Timberlake, Eminem, Timbaland, R. Kelly, Akon e Nelly.
ZÉ Kéti (1921-1999), grande sambista carioca e autor de pérolas como A voz do morro e Máscara negra, será o homenageado da cerimônia do Prêmio TIM de Música 2007, dia 16 de maio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
RONNIE Von, um dos cantores mais bonitos da história do pop brasileiro, tem a sua fase psicodélica (entre 1966 e 1972) reverenciada em Tudo de novo – Tributo ao Ronnie Von. Produzida pela jornalista paulista Flávia Durante, a homenagem virtual reúne 30 bandas indies nacionais interpretando canções do repertório de Ronnie Von: entre elas, Rádio de Outono/PE (Espelhos quebrados), Ecos Falsos/SP (Viva o chopp escuro), Detetives/SP (Anarquia) e Naiti/RJ (Sílvia, 20 horas domingo). Dividido em dois volumes, o tributo está disponível gratuitamente em www.ronnievon.com.
SINÉAD O’Connor lança álbum duplo dia 22 de junho. Segundo o site oficial da cantora irlandesa, Theology traz um CD acústico e outro com cordas e guitarras.
A ONG Porão do Rock está cadastrando bandas e trabalhos solo, indies e autorais. O objetivo, entre outras coisas, é criar um banco de dados que pode ajudar o cadastrado a participar das edições anuais do Festival Porão do Rock (de 10 a 3 de junho, em Brasília) e criar intercâmbio com produtores de outros eventos filiados à Associação Brasileira de Festivais Independentes. Mais informações em www.poraodorock.com.br.
PARAÍSO tropical tem uma trilha sonora nacional acima da média recente do gênero. Além de fonogramas de Toni Platão (Impossível acreditar que perdi você, regravação do hit de Márcio Greyck), Nana Caymmi (Você não sabe amar), Elis Regina (É com esse que eu vou), Marina Lima (Difícil), Caetano (Não enche), Ana Carolina (Carvão), Nando Reis (Espatódea) e Erasmo Carlos (Olha, num dueto com Chico Buarque), entre outros, traz registros gravados especialmente para a novela por Maria Bethânia (Sábado em Copacabana), Milton Nascimento (Samba do avião) e Gal Costa (Ruas de Outono, de Ana Carolina e Antônio Villeroy).
CLARA Moreno, filha de Joyce e Nelson Ângelo, tem seu novo CD, Meu samba torto, editado aqui pela Atração Fonográfica. Assim como o anterior, Morena bossa nova (2005), o disco tem produção de Rodolfo Stroeter e participação de Joyce e Celso Fonseca.
SANDY & Junior e a Universal Music tentam reverter a curva decrescente da carreira da dupla com um projeto Acústico MTV. A gravação do CD e DVD será em maio.
CHEMICAL Brothers lançam o seu sexto álbum, We are the night, em junho.
PROJETO holandês que tem a carioca Lílian Vieira nos vocais, o Zuco 103 finalmente tem um CD editado no Brasil, Tales of high fever (Ziriguiboom / Crammed/ Ginga P.), de 2002. Recomendado para quem gosta de misturas pop globalizadas e dançantes, o Zuco se inspira em bossa, ritmos brasileiros, eletrônica, jazz e R&B. As faixas Treasure, Peregrino (com um delicioso groove afro-beat) e Bebete vambora (Jorge Ben Jor) batem um bolão. Com shows esta semana no Rio e segunda-feira, em São Paulo, o Zuco 103 terá seu último álbum, Whaa! (2005), lançado no Brasil no segundo semestre.
O ROCKSTAR Bono Vox, vocalista do U2, aceitou o título de cavaleiro concedido pela Rainha Elizabeth II, mas sob uma condição: “Não me chamem de ‘Sir’”. O cantor recebeu a honraria durante uma breve cerimônia na residência oficial do embaixador britânico em Dublin, David Reddway. Os outros membros da banda, The Edge e Adam Clayton, também estavam presentes na entrega, além da mulher e os quatro filhos de Bono Vox. Bono não é cidadão britânico, portanto não tem o direito de ser chamado de “Sir”. “Pode me chamar como quiserem, menos de Sir", disse Bono, que ainda brincou dizendo que podem chamá-lo de "lorde dos lordes ou de semi-deus”.
Nos anos 80, o Public Enemy já havia alertado: “não acredite na mídia!”. Esse chavão caiu feito uma luva na “imagem oficial” que a turma de Eazy-E e companhia quis mostrar para seus manos de gueto. Eis uma biografia mais provável do NWA, e uma explicação para seu sucesso com um pouco mais de profundidade de foco.
Em 1986, O’Shea Jackson, um estudante-modelo de uma dessas escolas falidas típicas da tragédia do gueto americano, descobriu, subitamente, no meio de uma aula de datilografia, que sabia pôr suas idéias no papel sob a forma de rap.
Jackson nascera em Compton, mas, exatamente por ser bom aluno, se viu inscrito no programa de “busing”, pelo qual “crianças em desvantagem econômica, mas com potencial escolar” são remetidas para escolas melhores em bairros mais ricos.
No seu caso, Jackson se viu na West San Fernando Valley High School, nos subúrbios brancos a noroeste de Los Angeles, e numa dessas classes de “treinamento funcional” para a qual são desviadas as “crianças de cor” (enquanto as brancas são, obviamente, preparadas para a universidade).
Animado com sua descoberta, Jackson mostrou o rap datilográfico para um amigo, Andre Young que, com o codinome Dr. Dre, animava um rinque de patinação em Compton. Dr. Dre ficou mais empolgado ainda e convidou Jackson para animar as sessões de patinação com rap ao vivo.
Mas, ele avisou ao amigo, era melhor ele tentar fazer algo “bem cômico, até com palavrões, satirizando alguns raps conhecidos”, para ganhar a atenção da galera. Recém-batizado Ice Cube, Jackson passou a ser a atração dos fins de semana no ringue, fazendo paródias apimentadas de raps alheios.
Através de Dr. Dre, Ice Cube conheceu Eazy-E, que queria fazer rap, mas não tinha material. Ice ofereceu suas idéias. “Os raps da época não tinham palavrão. Tocavam no rádio, mas a galera de Compton não gostava. Eu falei que nós tínhamos que pôr palavrões no lance. E falar das coisas que aconteciam lá no bairro. Todo mundo conhecia alguém que traficava drogas, né? Então eu escrevi ‘Dopeman’. Foi legal. Era legal escrever sobre coisas que as outras pessoas evitavam. Não ia tocar no rádio mesmo, mas a galera do bairro ia se amarrar”, explicou Ice Cube.
Em 1987, um outro homeboy de South-Central Los Angeles, Ice-T, saiu com um álbum – “Rhyme Pays” – expressando exatamente as mesmas idéias. No tumulto que se seguiu, Ice-T se tornou um sucesso e um novo subgênero, o gangsta rap – o rap/narrativa do dia-a-dia das gangues – tornou-se a coisa mais quente da praça.
Um ano depois, o NWA – Dr. Dre, Ice Cube, Eazy-E e companhia –, oferecendo uma versão ainda mais pesada e radical do gangsta rap, começou a fazer o circuito de clubes em South-Central.
Em 89, com distribuição da independente, mas poderosa Priority Records, “Straight Out Of Compton” mostrava que era possível ser mais explícito, mais chauvinista e mais violento que a concorrência.
A direita apertou o botão do pânico: excelente instrumento promocional. A esquerda abriu o binário: num universo onde a “hipness” (“rebeldia”) era cada vez mais escassa, que coisa mais “hip” que o rap-bandido?
O NWA – Eazy-E em especial, dono da Ruthless Records – abriu o caixa: onde, no passado – na época dos Panteras Negras, por exemplo, de onde agrupamentos militantes como o Public Enemy são diretamente tributários – havia articulação política, os efeitos combinados da ganância-Reagan e da erosão social do gueto colocaram um cinismo imediatista e prático.
Despachos da frente de batalha? Sim – mas, sobretudo, uma bela conta no banco, que rir de longe é melhor que sofrer de perto, quem gosta de miséria é intelectual e a única saída garantida de Compton é uma casa nas colinas de Hollywood (como Ice-T).
É óbvio que a indústria do disco, cujos objetivos não são diferentes dos destes novíssimos “entrepeneurs” do gueto que surgem de tempos em tempos, aprendeu rapidamente a fazer caixa em cima deste novo segmento do mercado. Nessa nova estratégia, o rádio não tem a menor importância.
O álbum “Niggaz4Life” (como “Straight...” antes dele) circulou primeiro nas chamadas “inner cities”, os bairros de “cor”. Aí, sim, começou a caminhar em espirais cada vez maiores, a partir de um núcleo real de gangues (que acreditavam que o NWA estava glorificando o seu estilo de vida), engolfando jovens negros, asiáticos e latinos que não estavam em gangues, mas se sentiam como se nelas estivessem só por ouvir o NWA, e atingindo enfim – e aqui está o grande achado mercadológico que explica o primeiro lugar das paradas! – o público branco, ginasiano ou universitário, de classe média, predominantemente masculino.
Que, como nos anos 50, 60, 70, sempre encontra “hipness” em incorporar elementos da cultura dominada e marginal, a negra (mas não foi assim que nasceu o rock’n’roll?). E que, naquela época, de saco cheio com pais e autoridades (como sempre), sem causas pelas quais lutar, e ameaçados pelos ganhos do feminismo encontrava prazeres inenarráveis em ouvir o NWA dizer que quer “enrabar os meganhas até dar hemorróidas” e “meter uma bala na cabeça dessas putas todas.”
À luz disto é significativo, por exemplo, que o NWA tenha concordado sem hesitações em colocar versões “abrandadas” de seus raps em edições especiais de “Straight...” para, nas palavras de Eazy-E, “vender mais discos, porque é só isso que nós queremos.”
E que Ice Cube tenha desertado do grupo por razões de partilha: “Eu escrevia os raps e o primeiro disco vendeu pra caralho, mas eu ainda estava morando na casa dos meus pais sem um puto no bolso e isso não tem a menor graça”.
É sobretudo significativo que em “Niggaz4Life” – em cuja capa estão estampados todos os subprodutos disponíveis aos fãs, tais como camisetas a doze dólares e bonés a 9,95 – o NWA mande pedradas também para cima de todos os grupos de rap politicamente articulados (Public Enemy, KRS-One) dizendo em “Real Niggaz Don’t Die”: “Estou cansado dessa merda que vocês botam nos seus discos/ A crioulada não entende essa porra”.
Era significativo e trágico, também, que, nesse mesmo poço sem fundo, esquerda e direita se entrelaçassem. A direita porque o NWA encarnava seus piores pesadelos e preconceitos – os crioulos ignorantes, sádicos e autodestrutivos. A esquerda porque achava que ao abraçar a “causa”(que causa?) do NWA estava abraçando forças de mudança social – quando a mudança social era a última coisa em suas mentes, e a extrema crueldade de seus raps soava inequivocamente como uma glorificação daquilo que até hoje é mais destrutivo, monstruoso e alienante na vida do gueto.
Entre uma coisa e outra estava o NWA. O que eles diziam no começo da década era verdade – a verdade, na América pós-Reagan, era horrenda. Mas não deixava de ser irônico que eles estivessem se vingando desta maneira: enchendo os bolsos de grana ao vender, a bom preço, a horrenda verdade que nem a TV queria mostrar de graça.
O certo é que dez anos depois desse big-bang, as rajadas de metralhadoras deixaram de fazer parte apenas da sonoplastia dos discos de gangsta. Elas começaram a matar os rappers e transformar suas biografias em contos macabros que vendem disco aos milhões nos EUA.
No começo dos anos 90, os rappers Tupac Amaru e Notorious B.I.G. e os produtores Marion “Suge” Knight (dono da Death Row) e Puff Daddy (dono da Bad Boy) eram amigos e até se davam bem. Os rappers, inclusive, gravaram um single juntos, “House Of Pain”, onde Tupac apresentava Notorious.
A presepada começou a rolar no fatídico ano de 95, quando vários incidentes colocaram o quarteto em pé de guerra. O pivô de tudo, ao que parece, foi Tupac (ou 2 Pac, como ele gostava de assinar nos autógrafos), o mais agressivo gangsta rapper da Costa Oeste.
A história dele poderia se tornar facilmente um maravilhoso roteiro de filme para Spike Lee dirigir. A mãe do rapper, Afeni Shakur, era integrante dos Panteras Negras, nas altas esferas, e estava entre os 21 suspeitos de um atentado a bomba em Nova York, nos anos 70 – aquele mesmo que fez com que a ativista negra Angela Davis passasse 15 meses na cadeia.
Com Tupac no ventre, Afeni também passou um bom tempo na cadeia, até ser solta, livre das acusações. Sem advogado, ela defendeu-se sozinha na corte e provou que era inocente.
Tupac Amaru Shakur – batizado com o nome do líder inca assassinado cruelmente pelos espanhóis e que serviu de modelo para o movimento esquerdista-underground uruguaio dos anos 70, os Tupamaros – nasceu e cresceu no Harlem, em Nova York, mas na adolescência mudou-se com a família para Baltimore e daí para Marin City, perto de San Francisco.
Adolescente, estudou teatro e balé na Baltimore High School of Performing Arts, mas foi em Marin City que ele teve seus primeiros contatos com o mundo das gangues.
Nascido numa família extremamente politizada, Tupac incorporava o medo de que a mensagem do rap violento fosse apenas um modismo para vender mais discos. Por isso, quando se lançou como rapper em 1991, pelo já citado selo Death Row, resolveu agir como um verdadeiro “macho” dentro e fora do palco. Já nessa ocasião, um crioulo condenado à morte pelo assassinato de um policial jurou que o primeiro single de Tupac o tinha influenciado a “fazer aquilo”.
Em 1992, num festival ao ar livre em Marin City, Tupac esteve metido num tumulto em que uma bala perdida matou um garoto de seis anos. No ano seguinte, foi acusado, mas não condenado, de ter atirado em dois policiais à paisana, em Atlanta. Nesse mesmo ano, atacou um colega artista de rap com um bastão de beisebol durante um concerto em Michigan, quase matando o sujeito.
Em 94, foi acusado de ataque sexual a uma fã em Nova York (com uma arma, obrigou a garota lhe fazer sexo oral e depois a segurou enquanto seus amigos a estupravam). Na véspera do julgamento, em novembro, Tupac foi roubado e baleado numa rua de Nova York. Levaram dele 40 mil dólares em jóias e o balearam cinco vezes, inclusive na cabeça. O rapper sobreviveu milagrosamente, foi julgado (pelo estupro da fã) e condenado a quatro anos e meio de cadeia.
Prestes a ir preso, lançou o álbum “Me Against The World” (“Eu Contra O Mundo”), onde surpreendeu fãs e crítica ao elogiar o esforço de sua mãe, a referida ex-Pantera Negra Afeni Shakur, por tentar criá-lo sozinha, apesar de todas as decepções que foi capaz de lhe causar. Até hoje, este é considerado o álbum mais sincero do hip hop canalha.
Depois de puxar oito meses de cana, o rapper saiu da prisão, com a fiança de US$ 1,4 milhão paga por Marion Knight, e um novo contrato para produzir um álbum com o irônico título de “All Eyez On Me” (“Todos Os Olhos Sobre Mim”). Além da bala, haviam metido na cabeça de Tupac Amaru que os responsáveis pelo atentado que quase lhe tirara a vida eram Notorious B.I.G e Puffy Daddy, com inveja da sua popularidade no meio gangsta. O rapper resolveu ir à forra.
O álbum duplo, com 28 faixas, foi gravado às pressas, porque Tupac poderia voltar para a cadeia a qualquer momento. Lançado em agosto de 95, vendeu na primeira semana de lançamento mais de 250 mil cópias, um recorde na sua área. Na mesma semana, o casca-grossa Marion Knight insultou publicamente Puff Daddy na entrega do prêmio da revista The Source, em Nova York.
No mês seguinte, um dos grandes amigos de Knight, Jake Robles, foi assassinado em uma festa em Atlanta. Puff Daddy, que estava presente no local, acabou sendo acusado de estar envolvido no homicídio. Começou, então, a história do bangue-bangue-final-de-século-rap-vida-real.
As participações de Snoop Doggy Dogg, Dr. Dre e The Dogg Pound, aliadas à reputação de Tupac Amaru, haviam ajudado a colocar “All Eyez On Me” no primeiro lugar da parada americana. Mesmo assim, a música mais importante ficou de fora: aquela capaz de provocar um assassinato.
Mais famoso do que nunca, depois dos recentes escândalos em que havia se envolvido, Tupac lançou em maio daquele ano o rap “Hit’em Up”, como lado B de um single. A música dizia, com todas as letras, que ele havia comido a cantora Faith Evans, mulher de Notorious B.I.G., a quem aproveitava para insultar. Não era só isso: Tupac ameaçava encher de balas todos os artistas do selo Bad Boy. A música até sampleava uma frase de Júnior M.A.F.I.A, parceiro de Biggie: “Peguem suas armas quando virem Tupac.”
A música “Hit’em Up” seria uma resposta a “Who Shot Ya” (“Quem Meteu Bala”), de Notorious B.I.G., que Tupac ouviu como uma confissão de autoria do seu atentado.
As baixarias não paravam por aí. Tupac chegou ao ponto de dizer que Faith Evans cantava, sem crédito, na faixa “Wonda Why They Call You Bitch” (“Fico Imaginando Porque Chamam Você De Puta”). Na letra de “No More Pain”, uma das muitas faixas iradas do álbum, Shakur encostava Biggie na parede: “Você me baleou cinco vezes, mas negros de verdade não morrem, seu filho da puta!”
A guerra entre os dois rappers estava declarada. O álbum tem falação amparada em grooves cavalares, inspirados até a alma na nave-mãe do funk, Parliament-Funkadelic. Sua majestade funk, George Clinton, dá o ar de sua graça em “Canõt C Me”. O disco traz ainda a participação de Redman e de outros rappers, mas tudo empalidece diante da tragédia da vida real.
No início de setembro de 96, durante o show de premiação da MTV, em Nova York, Tupac e meia dúzia de amigos tiveram um entrevero com a comitiva de Notorius B.I.G. A polícia teve de entrar em cena para evitar um tumulto generalizado.
Coincidência ou não, Três dias depois, Tupac foi tocaiado em Las Vegas. Segundo a polícia, ele passava num comboio de cinco carros pelo meio da avenida principal da cidade, quando um Cadillac branco parou ao lado do BMW 750 de Knight e um dos quatro homens no outro carro começou a atirar.
O cantor foi atingido quatro vezes, duas delas no peito. Knight teve ferimentos leves na cabeça, causados por fragmentos de bala e vidro. Depois do atentado, o empresário sumiu da cidade sem dar nenhum depoimento à polícia.
Ao ser retirado do veículo, paramédicos contaram que Tupac estava semiconsciente e balbuciando coisas sem nexo. Ele foi levado às pressas para a UTI da University Medical Center de Las Vegas.
Apesar de ter apenas 25 anos e uma saúde de ferro, Tupac não resistiu aos ferimentos, morrendo uma semana depois.
Com a morte de Tupac, o rapper Notorious B.I.G. despontou como um dos primeiros suspeitos e imediatamente tornou-se alvo de toda a gangue da Costa Oeste. Seis meses depois foi assassinado.
Nascido com o nome Christopher Wallace, o rapper adotou o apelido Biggie Smalls por causa de seu tamanho – ele media mais de 1,83 metro e pesava 180 quilos –, antes de optar pelo pseudônimo Notorious B.I.G.
De traficante de crack no bairro do Brooklyn, em Nova York, B.I.G. virou sensação do hip hop na costa leste norte-americana. Ele ajudou a fixar o selo Bad Boy, de Sean “P. Diddy” Combs, como presença no cenário do hip hop, e ajudou artistas como Lil' Kim e sua própria mulher, Faith Evans.
Seu primeiro disco chamou-se “Ready To Die” (“Pronto Pra Morrer”). O segundo – e já póstumo –, cujo nome havia sido decidido antes da morte propriamente dita do rapper, foi ironicamente intitulado de “Life After Death”, ou seja, vida depois da morte.
Não se tem notícia na indústria da música de outro gênero em que produzir um disco seja uma atividade tão fúnebre. Na capa de “Life After Death”, Notorious B.I.G. aparece ao lado de seu rabecão. Ele tinha 24 anos quando tombou, em março de 97, assassinado a bala, em Los Angeles, para onde viajou a fim de participar de uma festa de premiação da música negra.
Morreu duas semanas antes do lançamento oficial de seu álbum duplo. Estava em território inimigo. Los Angeles é cidade-sede da temida gravadora Death Row (“Corredor da Morte”), o império renegado do Oeste e rival da gravadora Bad Boy, de Nova York, por onde gravava Biggie. Morreu de graça, já que não tinha nada a ver com o assassinato de Tupac.
Aliás, há quem diga que o alvo dos tiros não era Tupac, mas Marion Knight, com quem o cantor estava viajando na fatídica noite de sábado. Knight é sabidamente membro da gangue Bloods e na noite do atentado manteve bate-boca com integrantes de outra gangue temida, os Crips.
Outros garantem que o mandante do crime foi o próprio Knight, como vingança pelo fato de Tupac estar deixando a gravadora Death Row para montar sua própria gravadora. Faz sentido. Tupac tinha tanto material pré-gravado que já foram lançados mais de dez álbuns inéditos após sua morte.
Se tudo é um mal-entendido que tomou proporções assustadoras ou uma jogada de marketing suicida, a verdade é que o álbum “Life After Death”, de Notorious B.I.G., provocou filas ao chegar às lojas e o single “Hipnotize” (em que Biggie e Puff Daddy se comparam aos detetives Starsky e Hutch) ficou algumas boas semanas como n.° 1 da Billboard.
O CD é um daqueles típicos discos de gangsta rap. Capa forte (Notorious ao lado de um carro funerário), beats repetitivos, samples da autêntica black music e letras que exprimem o melhor do chauvinismo e da violência gratuita. A voz melodiosa do charmeiro R. Kelly embala as baixarias de “Fucking You Tonight” e a gatinha boca suja Lil’ Kim desanca o rapper em “Another”.
O trabalho contou com a participação de produtores de primeira, como RZA (Wu-Tang Clan) e DJ Premier (Gang Starr) e rappers convidados (Run DMC). Tem algumas mensagens pacifistas, mas abre com “Somebody’s Gotta Die” (“Alguém Tem Que Morrer”) – “Se sou eu, você vai também.” Coisa fina.
Apesar da baixaria, o momento mais significativo do álbum é “Going Back To Cali”. Não se trata da música homônima de LL Cool J, mas de um apelo à paz entre Califórnia e Nova York. Poucos dias antes da faixa ser conhecida pelo público, Biggie era crivado de balas em Los Angeles.
No álbum de estréia de Puff Daddy, “No Way Out” (“Sem Saída”), a voz de Biggie pode ser ouvida do além-túmulo, em várias faixas. Seu nome divide composições e também é citado a cada três minutos – por Puff, amigos e a viúva Faith Evans.
Lançado em 98, o disco conseguiu repetir nas paradas a trajetória de “Life After Death” e atingiu o primeiro lugar da Billboard ainda na primeira semana. Daddy lamentou muito a morte do amigo. Na música “Pain” chegou a descrever o momento em que encontrou Biggie sangrando: “Ainda posso ouvir os tiros que deixaram meu camarada B.I.G. deitado/ Ajoelho chorando e rezando.” O choro segue disco adentro, amparado por coros sacros e atmosfera carregada, parecendo um longo velório.
Os dois discos complementam-se. Puff Daddy canta em “Life After Death”, Biggie baixa em “No Way Out” e os convidados são praticamente os mesmos – os contratados da gravadora Bad Boy. Ao contrário do CD póstumo de Tupac Shakur, que clamava por mais sangue e vingança, os dois álbuns conclamam o desarmamento.
Puff Daddy chegou a posar com Snoop Doggy Dogg, artista californiano da Death Row, de mãos dadas, pela paz. Mas há um subtexto perigoso na música de trabalho, “I’ll Be Missing You”, um dueto com a viúva Faith Evans. Enquanto a letra lamenta a falta de Biggie, a base usa sample de “Every Breath You Take”, hit do grupo The Police, que falava, originalmente, em perseguição e vingança.
Armas, mortes e lamentações, aliás, têm sido o resumo do rap americano na década de 90. Não é mais a música dos primeiros DJs. Deixou de ser inventiva, a ponto de exceções, como DJ Shadow e Dr. Octagon, serem considerados artistas de trip hop ou mesmo de techno, enquanto nada mais fazem do que hip hop à moda antiga. Não há mais a busca pela “batida perfeita”, como dizia o DJ Afrika Bambaataa em 1982, mas pelo sample conhecido o suficiente para emplacar entre as músicas mais vendidas.
De qualquer forma, parece que o capítulo mais sangrento da história da música negra está chegando ao fim. Os assassinatos de Tupac Shakur e Notorious B.I.G., a morte por aids de Eazy-E, a prisão de Marion Knight e o arrependimento temeroso de Snoop Dogg apontam para o fim do gangsta rap.
Durante os anos 90, o estilo dominou o hip hop americano. Agora, os sobreviventes procuram se distanciar das balas. O gangsta tornou-se real demais. A ironia é que “real” era a palavra favorita do estilo musical. O sucesso do gangsta, em termos de vendagem e contratos com gravadoras, fez com que muitos rappers aspirantes ao estrelato forjassem um passado de violência para suas biografias.
Ser real significava ser do gueto, pobre, armado, drogado e pronto para morrer. Tupac Shakur, Snoop Dogg, Eazy-E, Notorious B.I.G., Scarface e Ice Cube brincaram com a imagem da própria morte. Tupac chegou a incluir trechos de noticiário sobre o atentado, que de fato sofreu, num de seus últimos discos. Depois de cantar a morte, os rappers tomaram consciência de que não são eternos e de que podem morrer de verdade.
O mais arrependido de ter se tornado um dos porta-vozes qualificados do gangsta rap é Snoop Doggy Dogg, que ganhou proeminência internacional por se envolver num assassinato poucos meses antes de se tornar o primeiro artista estreante a ter, na semana de lançamento, um álbum N.º 1 na parada pop da Billboard.
Após os assassinatos de Tupac e Biggie, Snoop cancelou a turnê que faria para promover o álbum, “The Doggfather”, e passou a falar a favor do desarmamento do gueto. Até então, suas letras glorificavam armas de fogo, decantando as qualidades letais de certas grifes e calibres. Snoop acha que é o próximo da lista.
Eazy-E não fazia parte da lista. Ele cantava sobre sexo com uma crueldade nunca vista. Em suas letras misóginas, a mulher era apenas um órgão sexual para ser enrabado. Eazy-E morreu de aids em março de 95. Tinha 31 anos e deixou sete filhos com seis mulheres diferentes.
Uma morte anunciada, que ainda assim chocou a comunidade negra norte-americana, alertando para a relação íntima entre a vida desregrada, cantada pelo rapper, e a transmissão da doença.
Sexo violento com vadias é um dos pilares da subcultura gangsta. Ice-T, Snoop, Dr. Dre, enfim, todos os chamados gangsta rappers já gravaram canções sobre proezas sexuais e a forma como tratam (mal) suas mulheres.
O certo é que o hip hop tem muitas caras, fala diferentes línguas e deu muitas voltas em estilo e conteúdo desde seus primórdios há mais de 30 anos. E apenas algumas poucas figuras duraram a ponto de se tornarem veteranos do gênero.
Um artista que incorpora a longevidade do hip hop e que se reinventou, permanecendo atual e segurando a onda veloz das transformações do tempo, foi Snoop Dogg.
Nascido Calvin Broadus em Long Beach, Estado da Califórnia, em 1972, Snoop Dogg entrou no mundo do rap como um orgulhoso representante da Costa Oeste dos Estados Unidos. Em 1992, quando ele surgiu, a Costa Oeste era conhecida por rappers como Eazy E, Dr. Dre, Ice Cube e Ice T, artistas inteligentes e da linha “hardcore” do rap, que pintavam um retrato realista e perturbador da vida.
Snoop Dogg começou a carreira como membro do grupo 213, que também incluía Warren G a Nate Dogg – todos eles mais conhecidos pelas suas carreiras-solo do que pelo grupo.
Os fãs de hip hop ouviram o estilo malandro de Snoop Dogg pela primeira vez com o filme de Dr. Dre “Deep Cover”. Depois, ele apareceu no disco clássico de Dre “The Chronic”, em que interpreta o sucesso “Nuthin But A G Thang”, uma das muitas colaborações que reuniu os dois rappers ao longo dos anos.
Seu primeiro lançamento, “Doggy Style” (1993), foi muito aguardado. As cifram impressionam: foi o primeiro disco de estréia de um artista que chegou ao número 1 da parada em geral da Billboard e recebeu encomendas antecipadas de 1,5 milhão de unidades.
Snoop Dogg atraía um público amplo com seu som contagiante, graças em parte à sua colaboração em sucessos de Dre como “Murder Was The Case”, “What's My Name”, “Gin Juice” e “Doggy Dogg World”. Mas uma boa parte do fenômeno Snoop Dogg veio dele mesmo e de sua vida, além da música em si.
Sempre ligado a polêmicas e ao seu passado criminoso, Snoop Dogg incorpora a filosofia do rap de “cair na real”. Para ele, as letras de “gansgta” não são um golpe fabricado para vender discos – são o produto de uma vida dramática.
Snoop Dogg foi preso por posse de drogas depois de terminar o colegial e ficou anos entrando e saindo da prisão. Ele foi membro da notória gangue Crips e em 1993 foi acusado de envolvimento em um assassinato. Em 1995, ele foi julgado pelo homicídio de um membro de uma gangue rival e absolvido.
O sucesso do rapper foi cercado de mais controvérsia por causa de seu modo de falar sobre as mulheres e da glorificação da vida das ruas. Mas os críticos não afetaram as vendas – “Doggy Style” vendeu mais de 7 milhões de unidades em todo o mundo e “Tha Doggfather” estreou no N.º 1 da Billboard.
A popularidade de Snoop Dogg continuou a explodir. Nos anos seguintes, ele continuou a fazer experimentações musicais e profissionais. O cachorrão saiu da gravadora de Dr. Dre e fechou contrato com a No Limit Records, de Master P, onde gravou “The Game Is to Be Sold, Not to Be Told” (1998), “No Limit Top Dogg” (1999) e “Tha Last Meal” (2002). O rapper passou para a Priority/Capitol e lançou "Paid Tha Cost to Be Da Bo$$" (2002) e agora está na MCA.
Snoop Dogg está agora estendendo suas atividades para outras áreas. Além de atuar em filmes como “Dia de Treinamento” (com Denzel Washington), “Bones - O Anjo das Trevas” e “The Wash” (com Dr. Dre), ele fundou seu próprio selo, Doggystyle Records, distribuído pela MCA, e uma grife de roupas, a Snoop Dogg Clothing.
O grande mistério na história do hip hop, entretanto, é saber como P. Diddy (ex-Puff Daddy) passou de ex-estagiário da Up Town Records a uma das figuras mais influentes da sua geração, dono da Bad Boy (a gravadora que já vendeu mais de 850 milhões de dólares em disco) e da grife de roupas Justin’s (numa homenagem ao seu filho mais velho, que tem o mesmo nome), cujos modelos vendem horrores nos EUA.
Ele diz que é soma de intuição e dedicação, que tem apenas “bom gosto e boas idéias”. Tanto que, quando entra no estúdio, imita os sons que quer para o operador, que os transforma nos sons reais. Será mesmo?
Na verdade, Diddy é o tipo de cara que aprende rápido, que tem inteligência bastante para olhar o passado e sensibilidade suficiente para atualizá-lo.
A música “Can’t Nobody Hold”, do seu primeiro disco solo, “No Way Out”, resgatou o clássico “The Message”, de Grandmaster Flash & The Furious Five, dos anos 80, para fazer dele o single mais vendido dos anos 90.
Sean Combs, o Puff Daddy (algo como “paizinho fofinho”), nasceu em 1970, no Harlem nova-iorquino e perdeu o pai logo aos dois anos, assassinado. A família decidiu se mudar para um lugar mais seguro, Mount Vernon, onde Puff pôde estudar em uma escola melhor, fugindo do perfil médio de seus companheiros de geração, normalmente envolvidos com tráfico antes do rap.
Puff entrou na Universidade de Howard, em Washington, onde ficou conhecido pelas festas que promovia e conseguiu um estágio na Uptown Records, em Nova York.
Ele entrou para a gravadora aos 20 anos e, com o tempo, passou de estagiário a selecionador de artistas e repertórios. Nesta época chegou-lhe às mãos uma fita demo de um tal Biggie Small, que trabalhava como traficante free-lancer de crack no Brooklyn. A Up Town não aceitou a sugestão de gravar um desconhecido que, além de tudo, tinha um pé na malandragem mais barra pesada da cidade. Pura burrice.
Quando anos depois Puff foi demitido da gravadora, firmou um contrato com a Arista para lançar seu próprio selo, Bad Boy, e convocou o “dealer” de crack do Brooklyn para seu cast, transformando-o em Notorious B.I.G., o gangsta rapper símbolo da Costa Leste.
A gravadora iniciante consolidou uma carreira que rendeu vários dos singles mais importantes da década e fez de Biggie uma referência para o gangsta rap de todos os tempos. Sua trajetória feita de sangue e sucesso caberia num filme de Quentin Tarantino.
Enquanto o primeiro disco de Biggie alcançava o topo das paradas e o segundo estava assando no forno, Tupac era tocaiado e abatido a tiros. A mídia se encarregou de escancarar a tragédia, publicando fotos de Biggie e Puff em todos os artigos que se referiam ao assassinato. O desfecho, todo mundo sabe.
Para Puff, a morte do amigo foi a gota d’água. Ele entrou em depressão, pensou em desistir da música e chegou a parar de trabalhar.
Com poucos anos de estrada, Puff já havia se transformado num dos maiores nomes da música negra de todos os tempos, graças ao seu trabalho como produtor do disco “Fantasy”, de Mariah Carey, e de vários outros megastars negros, de Boys II Men a Aretha Franklin.
Também já estava sendo comparado ao midas do jazz Quincy Jones pelo fato de ambos transformarem tudo o que tocam em ouro e serem idolatrados tanto pela crítica quanto pelo público. Para exorcizar o fantasma do amigo, Puff resolveu concluir seu disco solo.
Inicialmente, o álbum ia se chamar “Help Us In The Harlem” (“Salvem-nos No Harlem”), mas acabou virando “No Way Out” e contou com a participação da nata da Bad Boy, incluindo Biggie – que havia colocado a voz em algumas faixas antes de ser fuzilado.
Com o álbum, Puff chegou ao auge da sua carreira vitoriosa à custa de muitos samples espertos, de David Bowie ao New Edition. Somente o single “Can’t Nobody Hold Me Down”, que apresentava o álbum, ficou doze semanas em primeiro lugar e vendeu mais de dois milhões de cópias.
Em 1999, ele lançou o segundo álbum solo, “Forever”. Enquanto as vendas subiam, um juiz culpou Puff e Heavy D por terem sido negligentes num acidente que ocorreu oito anos antes. Eles realizaram um jogo de basquete beneficente, que causou a morte de nove pessoas devido à super lotação.
Em dezembro de 1999, Puff e a namorada, Jennifer Lopez, foram parar na delegacia depois de um tiroteio em uma boate em Nova York. Ele foi acusado de porte de arma roubada e suborno, mas foi inocentado um ano depois.
A vida de Puff seguiu com prêmios e polêmicas nos anos seguintes. “P. Diddy & The Bad Boy Family - The Saga Continues”, terceiro disco, chegou em 2001 e marcou o novo nome artístico, P. Diddy. Era também um ano para tentar mudar sua imagem.
As músicas “Bad Boy for Life” e “I Need a Girl” o colocaram novamente nas paradas. Ele estreou o programa “Making the Band” na MTV, que selecionava novos talentos do hip hop, além de participar de dois filmes independentes, “Made” e “A Última Ceia”.
No ano passado, Puff lançou um novo disco, intitulado “Press Play”, que conta com composições suas e outras produções, além de uma declaração de amor camuflada à Jennifer Lopez, sua ex-namorada.
Pai de gêmeos com sua atual companheira Kim Porter, Diddy comenta no CD que “esse é seu disco mais pessoal”. “Para falar a verdade em meus outros discos não escrevi muito. Nesse, eu escrevi demais, e me expus de forma mais sensível. Usei todas as minhas experiências como fonte de inspiração. Jennifer foi uma das minhas namoradas. Fui abençoado por ter saído com grandes mulheres, e ela foi uma delas.” Ou seja, Puff está com tudo e não está prosa.
Eles não param de trabalhar e também não conseguem guardar segredos. Depois de soltar no começo de março o nome das 10 faixas que fazem parte do Attack Decay Sustain Release, álbum de estréia que será lançado no dia 6 de abril, os Simian Mobile Disco anteciparam que têm mais coisas vindo por aí. Ontem, o duo londrino lançou oficialmente o single “It's The Beat”, que já havia sido disponibilizado na rede desde fevereiro.
Os Simians também adiantaram que no dia 2 de abril chega às lojas uma nova compilação mixada por eles. A coletânea Bugged Out! Presents Suck My Deck sairá pela New State Music e, além de “It’s The Beat”, vai contar com mais 17 produções de outros artistas, entre novidades de Klaxons, Sebastian e Joakim, e clássicos de Fast Eddie e LFO.
Aliás, aqui não custa lembrar que o MySpace continua sua nobre saga de passarinho verde. O Orkut mundial da música foi o primeiro a denunciar que a dupla inglesa de electro viria ao Brasil muito em breve. Segundo o perfil de James Ford e James Shaw no site, eles tocam dia 5 de maio em São Paulo, num tal de Skolbeats.
É uma excelente notícia para quem, depois de sete edições de festival, está cansado dos mesmos nomes brasileiros e de manjadas estrelas “ultra-renomadas” do establishment internacional da música eletrônica.
Poucas vezes o evento trouxe artistas como o SMD: poucos e recentes hits, um live desconhecido, sonoridade nova (electro-glitch cheio de breaks). Para quem não se ofende, pode ser new rave e até bombação.
“Hustler” tocou bastante em pistas seletas e o clipe animou muita gente ao mostrar uma suruba pera-uva-maçã-salada mista entre belas garotas. “I Believe” é o ponto altíssimo da terceira coletânea da maison/label francesa Kitsuné e “It’s the Beat” abusa com categoria do retrô, inculindo uma piscada para o Technotronic.
Os dois James são as sobras da banda indie Siman, que criou as bases para “Never Be Alone”, um dos grandes hits dessa nossa década após passar pelos dedos de outro duo de electro, os franceses do Justice.
AINDA não será dessa vez que Axl Rose vem conhecer o Amazonas. A assessoria de imprensa da produtora Mondo Entretenimento, responsável pela negociação da turnê da banda Guns N' Roses no Brasil, emitiu um comunicado em que afirma que "as datas das apresentações no Brasil ainda estão indefinidas". A produtora informou que vem tentando "conciliar a agenda do grupo com a disponibilidade dos locais onde os shows serão sediados no Brasil" e que, diferentemente do divulgado no início deste mês, "a turnê não acontecerá em maio de 2007".
A MONDO promete revelar datas, locais e preços dos ingressos assim que as negociações estiverem concluídas. A banda de Axl Rose vem adiando há mais de dez anos o lançamento do disco "Chinese democracy". Se concretizada a vinda, está será a quarta vez que o Guns N' Roses se apresenta no país – as outras três foram em ocasião do Rock In Rio II (1991), de sua turnê mundial (1992) e do Rock In Rio III (2001).
NO MÊS de abril, os ex-companheiros de Axl Rose – Slash, Duff McKagan e Matt Sorum – desembarcam no país com o grupo Velvet Revolver para shows no Rio de Janeiro e para a abertura da apresentação do Aerosmith em São Paulo.
O HIGH Line Festival será realizado pela primeira vez em Nova York entre os dias 9 e 19 de maio e tem como idealizador David Bowie. O evento é diversificado com concertos, performances, exposições, cinema e comédia. As atrações inclui Arcade Fire, Laurie Anderson, Air e Polyphonic Spree. Convidado para organizar esta primeira edição do High Line Festival, Bowie disse que "a intenção era escolher artistas e atuações que eu próprio iria ver. Apesar de este ano inagural ser de dimensões modestas, tivémos bastante sorte porque muitos dos convites que eu fiz foram aceitos".
O MOTÖRHEAD vai tocar no Brasil no final do mês quem vem, entre os dias 28 e 29 no Rio e em São Paulo. No site oficial do grupo ainda não há informações sobre as apresentações no país.
PAULA Toller, vocalista do Kid Abelha, finaliza seu segundo álbum. O disco previsto para chegar às lojas em abril, vai contar com canções de Paula em parceria com Dado Villa-Lobos (ex-guitarrista da Legião Urbana) e Donavon Frankenreiter, entre outros.
O SEXTO disco do Chemical Brothers, "We Are The Night", tem lançamento agendado para o mês de junho. O duo formado por Tom Rowlands e Ed Simons lançaram seu último álbum "Push the Button" em 2005 e foi bem aceito pelo público.
ELTON John vai lançar em mídia digital todo o seu catálogo ainda este mês. "Eu sabia que o catálogo inteiro – não apenas os sucessos – precisariam de cuidado e atenção para ser lançado desta maneira", disse ele em comunicado oficial. As músicas dele serão uma exclusividade do iTunes a partir de hoje, 26 de março, até 30 de abril. Depois disso, todas as lojas virtuais poderão vender suas músicas. O lançamento faz parte das celebrações dos 60 anos de Elton John.
OS DEFTONES estão preparando uma grande turnê pelos Estados Unidos em divulgação do disco "Saturday Night Wrist". A parada começa no dia 11 de maio, em Phoenix (Arizona) e fica por lá até o mês de julho. A banda japonesa Dir En Grey e The Fall Of Troy irão fazer os shows de abertura. Ao mesmo tempo, os Deftones estão participando da campanha RE*Generation, um programa para ajudar adolescentes em risco. A banda doou uma versão instrumental de "Hole In The Earth" para ser vendida com renda revertida para a causa.
A MARCA de tênis etnies (com letra minúscula mesmo) armou uma sociedade com o vocal do Linkin Park, Chester Bennington, e está lançando a linha de tênis Club Tattoo. Todos os tênis vão vir com desenhos de tatuagens tradicionais, em modelos masculinos e femininos. "Estou muito feliz com essa colaboração porque ela dá pra gente a chance de misturar nossa paixão mútua por arte, corpo e estilo de vida de um jeito único. A etnies e a linha Club Tattoo vivem o que fazemos, amam o que fazemos e, juntos, criamos uma conexão perfeita entre body-art e o street-style", disse Bennington. Os tênis deverão ser vendidos a partir de junho.
A DUPLA Simian Mobile Disco, uma das atrações do festival Skol Beats, que ocorre nos dias 4 e 5 de maio em São Paulo, acaba de soltar mais um clipe, o da música "It's the beat". O vídeo é bem menos polêmico do que o feito pelo duo para a música "Hustler", que mostrava um telefone sem fio entre meninas bem mais do que sugestivo. Agora, os ingleses James Shaw e James Ford preferem um clima mais inocente, que brinca com o contraste preto-e-branco/cores e as expressões do cinema mudo. Outro destaque de "It's the beat", que também é o novo single do Simian Mobile Disco, é a citação de um trechinho de "Pump up the jam", do Technotronic, a música de 1989 que deu origem a termo "poperô" no Brasil - e que virou sinônimo de dance music farofa.