Meu Perfil
BRASIL, Norte, MANAUS, ADRIANOPOLIS, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros
MSN -



Histórico


Outros sites
 o fingidor
 Jenipapo News
 Ismael Benigno Neto
 Anibal Beça
 Suzana Tavares
 Rogelio Casado
 Ribamar Bessa
 Altino Machado
 Alexandre Matias
 Rafael Galvão
 Marcos Tubarão
 Angelus Figueira
 Edson Aran
 Leonidas Arruda
 Buteco do Edu
 Alex Castro
 Carlos Zamith Jr.
 Raimundo Holanda
 Miguel Cruz
 Betsy Bell
 Reinaldo Azevedo
 Aldir Blanc
 Preto Soul Sim
 Glauco Mattoso
 Blogs do Estadão
 Blogs da Globo
 Cronópios
 Fausto Wolff
 José Nêumanne Pinto
 Tão Gomes Pinto
 Sandro Fortunato
 Sopa de Tamanco
 Spoiler News
 Contraditorium
 Bravus
 Fogo nas Entranhas
 Tea Radio
 Sedentario & Hiperativo
 Microfonia
 Virgula
 Parem o Mundo
 Quem disse que era fácil?
 Moacir Japiassu
 Jacaré Banguela
 Geneton Moares Neto
 Puragoiaba
 GrapHiQ Brasil
 Universo HQ
 Afropress
 Blog do Cardoso
 Blog do Noel
 Rosebud é o trenó
 The Thales
 Melhores do Mundo
 Jovem Nerd
 Tangerine
 Antonio Prata
 Juarez Becoza
 Sandino
 Jangada Brasil
 Histórias do Brasil
 Judão
 Censura Musical
 Cantilena do Corvo
 Popload
 Chico Santaritta
 Trash It Up
 Revista Merda
 Kibe Loco
 Sebastião Nery
 Amazonic Haijin
 Antiga e Mística Ordem dos Abatedores de Lebres (AMOAL)
 Poesia Marginal
 Folclore Político do Amazonas
 Causos de Bamba
 Julian Beever
 Uma Coisa e Outra
 Bombou na Web
 Carlos Heitor Cony
 Ziraldo
 Washington Olivetto
 Paulo Henrique Amorim


 
Blog de simao pessoa




A banda de heavy metal Panndora, de Maringá (PR), promete para os próximos meses o lançamento de seu primeiro CD, que leva o nome da banda, atualmente em fase final de produção. O disco marca a estréia da nova formação, que tem a Camila como segunda guitarrista, além de Aline (vocal), Kamila Trevisan (guitarra), Taise (baixo) e Adrismith (bateria). A banda Panndora foi formada em 2000 e inicialmente se chamava Wind Of Fate. Com influências admitidas de Black Sabbath, Judas Priest e Manowar, o grupo lançou sua primeira demo (Choose Your Side) em 2003. Em 2006, a banda sofreu uma completa reformulação com a saída da vocalista/guitarrista e da baixista. No início do ano, entraram as atuais vocalista, baixista e a segunda guitarrista. Mas, cá pra nós, com um monte de gostosas dessas no palco alguém vai se preocupar com a sonoridade que está rolando? Só se for muito mané, né não meu brother Duckass?

MARGARETH Menezes, a baiana arretada, gravou participação no novo CD do devagar-devagarinho Martinho da Vila. Canta com ele a música "Te encontro no ilê". O grupo Ilê Ayiê também dá o ar da graça no trabalho, mas somente fazendo uma percussão de responsa. Marco Mazzola produz o CD "Martinho da Vila, do Brasil, do mundo".

O FAMOSO programa "Jogo da verdade", da TV Cultura, do qual a "Pimentinha" participou em 1982, dias antes de morrer, virou DVD lançado pela Trama. A caixa "Elis Regina Especial 2007" traz ainda o CD "Elis" (remixado, restaurado e remasterizado) e diversas detalhes, como reproduções de matérias de jornais e revistas de 1980 e 81, ingressos, fotos e cartaz do show "Trem azul" (último espetáculo dela), um cartão de agradecimento da própria Elis, bottons, e mais, e mais. A gravadora Universal também promete lançar os álbuns de 1965 a 1978, todos remasterizados.

A VIVO entra de cabeça no mundo do rock e disponibilizou a música What I've Done, do Linkin Park, para seus clientes. A música integra o novo álbum do conjunto e está em primeiro lugar na parada norte-americana e entrou para o catálogo do Vivo Play 3G um mês antes do lançamento mundial do CD oficial da banda pela Warner Music, que acontece em 14 de maio. A novidade está disponível em 16 modelos de aparelhos compatíveis com o Vivo Play, que já oferece mais de 500 músicas e sucessos de vários artistas. A canção pode ser comprada por R$ 4,30 sem cobrança adicional por tráfego de navegação ou download. Além da faixa completa em MP3, os clientes da operadora podem baixar a versão dessa faixa em truetone pelo Vivo Downloads para utilizar como toque de seus celulares.

A BANDA mineira de heavy metal tradicional Helltown finalizou a produção de mais um vídeo, que já está no YouTube. Trata-se de Alone In The Night, música que integra o álbum Lead To Hell, lançado em dezembro passado pela Erpland Records. Muito legal.

VINDO de Sheffield, a mesma cidade do Arctic Monkeys, o quinteto inglês The Long Blondes (três garotas morenas e dois rapazes) tem seu primeiro e ótimo álbum editado no Brasil: Someone to drive you home (Rough Trade/Trama). A banda bebe do pós-punk e da new wave com extrema competência (Once and never again é uma das melhores canções da temporada 2006/2007, lembrando um encontro entre Chrissie Hynde e Siouxsie), além de ter trunfos especiais no estilo sexy retrô da vocalista Kate Jackson e nas letras femininas (quase todas, curiosamente, escritas pelo guitarrista Dorian Cox).

JESUS and Mary Chain, noise pop dark sagrado dos anos 80 (seu concerto em SP, em 1990, marcou uma geração rocker), volta à ativa sexta-feira com uma apresentação no Festival de Coachella, EUA. Entre julho e agosto, a cultuada banda dos irmãos Jim e William Reid fará uma miniturnê com shows em Portugal, Espanha, Alemanha, Irlanda e Escócia, sua terra.

OBA! O Air vem ao Brasil para o TIM Festival, em novembro.

PITTY e Negra Li, duas artistas de estilos bem diferentes, trocam figurinhas e cantam juntas no MTV especial: Estúdio Coca-Cola, domingo, 21h. O produtor Paul Ralphes, galês radicado no Rio, criou os arranjos a partir do encontro dos músicos de Pitty (rock) com o tecladista e o DJ de Negra Li (R&B e hip hop). O repertório inclui canções de Pitty (Do mesmo lado, A saideira, Admirável chip novo), Negra Li (Amar em vão, Você vai estar na minha, Ninguém pode me impedir) e a cover Chain of fools, da rainha do soul Aretha Franklin.

ROSA Passos, a grande dama atual da bossa nova, ganha o site www.rosaforfans.com. Em setembro, dias 26 e 27, acompanhada pela Orquestra Jazz Sinfônica, no Memorial da América Latina, em São Paulo, Rosa grava o primeiro DVD de sua carreira.

A ROLLING Stone americana baba pelo novo CD do Wilco, Sky blue sky, que sai em maio. O líder Jeff Tweedy explicou o processo de criação do trabalho: “Seis pessoas numa sala, tocando uma música durante todo o dia por seis ou sete horas, e todos chegando a um consenso sobre como ela deve soar”.

BANANADA 2007, de 18 a 20 de maio, em Goiânia, confirma os primeiros nomes: o guitarrista americano Daddy-O-Grande (aka Dannis Amis), a banda portuguesa Born a Lion e os brazucas Graforréia Xilarmônica, Vamoz!, StereoScope e Udora. Já o Porão do Rock, de 1º a 3 de junho, em Brasília, já tem 21 atrações confirmadas, entre elas Mudhoney (EUA), BellRays (EUA), Born a Lion, Sepultura, Inocentes, Nação Zumbi, Macaco Bong, Moptop, Mechanics, Rock Rocket e Superguidis.

BRAKES surgiu em 2005 em Brighton, sul da Inglaterra, a partir de integrantes de três boas bandas: British Sea Power, Electric Soft Parade e Tenderfoot. O primeiro disco, Give blood, era bom, mas o novo, The beatific visions (Rough Trade/Trama), é ainda melhor. Para dar mais consistência à parte country da sua estética indie rock, o quarteto gravou o CD em Nashville, EUA, no mesmo estúdio por onde passaram Elvis Presley, JJ Cale e Yo La Tengo. O pianista David Briggs, que acompanhou o Rei entre 1968 e 1977, toca na bonita canção country If I should die tonight. A paixão inglesa pela música americana continua gerando bons álbuns.

KATIA B lança o seu terceiro CD, Espacial (MCD), em maio, com edição simultânea no Japão. O repertório traz parcerias de Katia com Lucas Santtana (Espacial) e Fausto Fawcett (Dança do ventre da guerra), inéditas de Vitor Ramil (Viajei e Destiny) e releituras de Amor em paz (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos.

FRESNO, banda emo gaúcha com três discos na bagagem, assinou com a Arsenal Music, do produtor paulista Rick Bonadio, selo ligado à major Universal. Fenômeno de popularidade na internet, onde é recordista nacional de downloads, a Fresno sai, em maio, com o primeiro single do CD/DVD MTV ao vivo 5 bandas de rock: a música Pólo. Nas lojas em junho, o projeto conta ainda com os grupos Hateen, NX Zero, Moptop e Forfun.

SE quiserem assistir o bispo Edir Macedo ensinando seus comparsas a enganar os “fiéis”, acessem http://www.leechvideo.com/video/view215338.html. Se preferirem curtir as misérias políticas, daqui e do resto do país (com algumas dicas culturais, que ninguém é de ferro!) acessem http://www.amazonoticias.com. e clique no link "simão pessoa". Nos dois casos, risos de montão ou seu dinheiro de volta. Podis crê, amizade!


Escrito por simaopessoa às 23h48
[] [envie esta mensagem] []



Os irmãos mais velhos dos Mamonas Assassinas



O grupo mais bandalho do Brasil foi formado em 1980, na mesma linha humorística do Premeditando o breque (“Premê”), mas o humor do Língua de Trapo era mais ácido e, sua crítica, mais acirrada.

Assumidamente influenciados pelos Mutantes, Joelho de Porco e pelo grupo inglês Monty Pithon, o grupo era iconoclasta por vocação, e sua crítica não perdoava ninguém: de Fernando Gabeira ao Partido Comunista, dos Punks a TFP, o grupo era um dos melhores representantes do pensamento da juventude universitária dos anos 1980, pós-ditadura militar.

Depois de quase três décadas, eles continuam a fazer raros e disputadíssimos shows, tendo lançado recentemente uma caixa com toda a obra do grupo acompanhada por um DVD.

O depoimento de Carlos Melo, abaixo, radiografa as origens do combo:

Em 1979, os milicos não sabiam mais o que fazer com o país. Resolveram inventar a abertura política “lenta e gradual” pra disfarçar.

No mesmo ano, com 21 primaveras, eu também não sabia o que fazer da vida. Inventei então de trancar a faculdade de Ciências Sociais e começar a de Jornalismo.

E, por estar cansado de estudar tribos indígenas, Marx e Bakunin – não necessariamente nessa ordem – passei a ler textos mais desencanados de humor.

Estava intoxicado desse espírito humorístico-anárquico, quando resolvi aparecer no lançamento da revista literária “Esquina do Grito”, na faculdade Cásper Líbero.

Seria uma espécie de trote aos calouros como eu, só que mais politicamente correto, com direito a show de música pros bichos e outras milongas.

Atrasado, dei de cara com três sujeitos em cima de um palco improvisado numa sala de aula. Eram eles Laert, Guca e Pituco. E chamavam-se de “Laert e seus Cúmplices”.

Imaginei um espetáculo engajado, com declarações raivosas contra os últimos vagidos da ditadura e já ia pegar minha revistinha e cair fora pra uma “gelada” na Paulista.

Foi quando o magérrimo Laert Sarrumor começou a entoar “Na minha boca”. E, com muitos esgares e gaguejares, fazia uma inusitada e hilária crítica à censura.

A estudantina foi ao delírio com a pilhéria dos meninos. Pilhérias e bolas, diga-se, já que na mesma semana, dois dos nossos haviam sido retirados pra sempre de circulação pelos “homi”.

Na seqüência, amparado pelo violão de Guca Domenico, surgiu Pituco (que vinha a ser um tipo de Elvis, Bowie e Tomie Ohtake no mesmo corpo).

Com um rebolado lúbrico e um vozeirão potente, o japa foi a gota d’água pra minha conclusão: ali estava surgindo algo novo na música paulistana.

O uso do humor era um “link” direto com Adoniran, Noel, Moreira da Silva, Germano Matias, Alvarenga e Ranchinho, Jararaca e Ratinho, Zé Fidelis e mesmo com Mutantes e Joelho de Porco. E por que não dizer com Monty Phyton e Les Luthiers?

Na semana seguinte, cruzando com os caras no corredor da faculdade, resolvi me apresentar:

- Fiz um samba chamado “A vingança do hipocondríaco”. Querem dar uma ouvida?

Guca pegou do violão e, depois de umas breves batidas na caixa-de-fósforos minhas, saiu acompanhando.

Pronto. Eu era mais um dos cúmplices.

- Como você se chama? – quis saber Laert, ao final.

Tão pouco artístico meu nome e, ainda por cima, com um quê de “ditatorial” praquela época heróica: Carlos Antonio de Melo e Castelo Branco.

Por isso, respondi num impulso: - Carlos Melo.

Pelo menos pra mim, ali começava oficialmente o grupo Língua de Trapo. Nome que tive a honra de sugerir em 1980, quando teve lugar o primeiro registro do grupo na fita “Sutil como um cassetete” – vendida na faculdade e em shows.

Já estavam incorporados ao bando os casperianos Cassiano Roda, Lizoel Costa e os “importados” Fernando Marconi, Celso Mojola e Tigueis. Pouco mais tarde chegaria outro colega de faculdade, Ayrton Mugnaini Jr.

Entre 81 e 82, em meio a projetos importantes, como o “Virada Paulista” – que reuniu mais de quarenta bandas no Teatro Lira Paulistana – o Língua teve a sua primeira mudança na formação: entraram os irmãos João e Luiz Lucas, Ademir Urbina e Sérgio Gama.

Estava tudo pronto para a gravação do primeiro disco independente “Língua de Trapo”, o famoso “azulzinho”.

O vinil seria lançado numa temporada histórica de duas semanas no Teatro Lira Paulistana no show “Obscenas Brasileiras”.

Dali em diante, o Língua colecionaria louros.

Em 83, com uma apresentação de protesto contra as eleições indiretas (“Sem Indiretas”) ganha o prêmio Chiquinha Gonzaga como melhor grupo independente. Entram para o grupo o baixista Mário Campos e o baterista Nahame Casseb, o “Naminha”.

Em 84, em temporada com o show “Prejuízo Final”, no Sesc Pompéia, recebe o Prêmio APCA como melhor conjunto vocal.

No ano seguinte grava pela RGE “Como é bom ser punk”, apresenta em teatro “Nova Retórica” e fica entre os 12 finalistas do “Festival dos Festivais”, da Rede Globo, com a música “Os metaleiros também amam”.

“Os 17 Big Golden Hits Super Quentes Mais Vendidos do Momento”, de 86, pela RGE, é o terceiro registro em disco. Seguido do espetáculo “Como é que é o Negócio”, no Projeto SP.

A alegria dura até 1987, quando o grupo interrompe suas atividades mezzo por falta de saco, mezzo por falta de capital.

Mas, pressionado por seus fiéis fãs – que vão de 8 a 80 anos - o Língua resolve voltar com nova formação, em 91.

Juntam-se aos fundadores Laert Sarrumor e Sergio Gama, Cacá Lima, Valmir Valentim, Zé Miletto e Moisés Inácio (a star Grace Black).

Da união vem à luz, em 94, o CD “Brincando com Fogo” (Devil Discos) e o espetáculo “Fim de Século”, com direção de Carlos Alberto Soffredini.

Depois saíram do forno, em 96, os CD’s “Língua ao Vivo”. E, em 2000, “21 anos na Estrada”, o primeiro gravado na Sala Guiomar Novaes/Funarte, e o segundo no Sesc Pompéia.

Hoje, 25 anos depois, o governo continua não sabendo o que fazer do país. Inventaram o assistencialismo e o economês pra disfarçar.

Felizmente, restou a teimosa voz do velho Língua.

Torçamos pra que ela tenha longa vida.

E que – como dizia Ary Barroso em “Dá Nela” – da sua boca ninguém continue escapando.

Granja Viana, Setembro de 2005

Carlos Melo (ou Castelo, pros que me lêem hoje).


Escrito por simaopessoa às 15h58
[] [envie esta mensagem] []



DECIFRANDO O DNA DO DRUM’N’BASS – PARTE 1



Um dos muitos subgêneros do techno inglês, o jungle brotou do gueto negro do sul de Londres, o Brixton, em 1992, e só deixou de ser visto com desdém racista depois do sucesso do DJ Goldie nas paradas inglesas, cinco anos depois.

O ritmo evoluiu de um estilo de características definidas para subdivisões diferenciadas, influenciando da dance comercial (o speed garage, criado pelo DJ Armand Van Helden) à criação de um novo jazz (jazzstep ou, em duas palavras, Alex Reece).

Em 97, um artista de drum’n’bass, Roni Size, líder do Breakbeat Era (foto) ganhou o prêmio Mercury, da indústria musical inglesa, com o álbum “New Forms”, mostrando que o ritmo começava a ser assimilado pelo meio conservador.

Quinze anos depois, o ritmo ainda tem um perfil marginal, por representar uma forma musical sombria, de batidas quebradas, oposta à alegria do techno, garage e house.

As batidas são extremamente sincopadas e entram em dissonância com outras fontes percussivas. Os vocais são lentos, arrastados, malemolentes, no estilo raggamuffin. A mistura produz uma espécie de cacofonia, que alguns críticos achavam ser uma expressão da selva (“jungle”).

A conexão inicial com o ragga – nome inglês para o dancehall, a música jamaicana moderna – acabou por diluir-se, embora o termo “ragga jungle” ainda subsista. Ficou a força dos tambores, que quebram a monotonia rítmica da concorrência eletrônica.

O termo drum’n’bass define bem o ritmo. Bateria e baixo são o que sobra do dub (o reggae psicodélico, com efeitos bem viajantes), quando todo o resto é abandonado em troca de eco e percussão infinitos.

Tem muita gente que afirma que o drum’n’bass é o único gênero musical realmente criado nos anos 90. Sim, porque mesmo ritmos dançantes como a acid house e o techno vêm sendo arquitetados desde a década de 80, por meio de precursores como a dance music e o pop eletrônico.

E movimentos como o grunge ou o britpop, no final das contas, só serviram para ratificar que as melodias do rock sessentista misturadas à urgência raivosa do punk ainda conseguiriam galgar altos postos nas paradas de sucesso.

Mas mesmo aqueles que defendem a originalidade e a absoluta atualidade do drum’n’bass, têm de reconhecer que o ritmo fincou raízes profundas em outras vertentes musicais “das antigas”: os sound systems do reggae jamaicano, mais a poesia agressiva metralhada pelos pioneiros do hip hop, ao lado dos eflúvios exóticos da world music, ajudaram a dar a cara única que o estilo adquiriu hoje em dia.

Neste esquema, a chamada “cozinha” de baixo e bateria, geralmente relegada ao segundo plano em gravações convencionais, foi focada como a condutora do tema melódico, assumindo a linha mestra em registros que privilegiavam a pulsação desta dobradinha de instrumentos de marcação, enquanto os outros elementos musicais (inclusive a voz) entravam como detalhes ou efeitos, para fornecer os climas etéreos que as melodias deveriam apresentar.

Foi uma surpresa, pois se as composições já funcionavam bem nas pistas de dança, também deram certo para os ouvintes ocasionais, que poderiam escutá-las sentados em um sofá com fones de ouvidos, por exemplo, a fim de perceberem as nuances sonoras de cada passagem das músicas.

Assim foi bolado o drum’n’bass, estabelecido como a maior força musical da cidade britânica de Bristol, que se celebrizou por centralizar alguns dos precursores do gênero, como Roni Size e DJ Die.

O primeiro, mais conhecido mundialmente, era um “rato de estúdio” desde a adolescência, quando matava aulas para trabalhar no estúdio Basement, onde aprendeu a lidar com samplers e ritmos eletrônicos, o que lhe deu os fundamentos para posteriormente liderar o Reprazment, um dos grupos de maior destaque no circuito drum’n’bass. Quando estava se apresentando em uma rádio pirata britânica, conheceu o DJ Krust, com quem fundaria o selo Full Cycle, especializado no estilo.

Assim como Roni Size, o DJ Die tinha suas bases musicais em soul, funk, reggae, ska, rap e punk (mais pela energia do que pela sonoridade). Ele lançou-se no cenário da house music em dupla com Jody (do Way Out West), sob o nome de Tru Funk, depois substituído por Sub Love. Posteriormente, foi convidado por Roni para integrar o projeto chamado Breakbeat Era, além de atualmente estar gravando o seu próprio material-solo, pela FullCycle.

Porém, o principal destaque do trio Breakbeat Era, se tornaria a vocalista britânica Lennie Laws. De formação nômade (além da Inglaterra, morou também na Índia e no Japão, onde cantava em um clube de jazz em Tóquio), ela adquiriu um punhado de referências musicais exógenas, que foram incorporadas com perfeição ao seu estilo, antes que voltasse a Bristol e começasse a se aproximar da cena de dance music da cidade, quando foi imediatamente convidada por Roni para participar de seu novo projeto.

O resultado foi o Breakbeat Era, cujo álbum de estréia, “Ultra-Obscene”, pegou todo mundo pelo pé. O début de Lennie não poderia ser mais glorioso: aclamada pela crítica especializada como a verdadeira “salvação” do drum’n’bass (que em 1999, já demonstrava sintomas de esgotamento criativo), a cantora mescla timbres vocais que podem ir do sussurro ao grito irado, em canções em que seus versos inteligentes são dispostos de modo aleatório, escorados pela poderosa base sonora criada por Roni e o DJ Die.

Os fanáticos por drum’n’bass já poderiam se dar por satisfeitos com números instrumentais como a faixa de abertura (“Past Life”) ou Late Morning (entrecortada pelas lânguidas intervenções da guitarra de Adrian Utley). Mas é quando a voz marcante de Lennie se apresenta, que o bicho pega.

Suas delicadas linhas melódicas fazem um contraponto perfeito aos arroubos eletrônicos da dupla de DJs (vide a faixa-título, “Rancid” e “Bullitproof”), ao mesmo tempo em que se adequam perfeitamente às levadas pop de faixas como “Animal Machine”, “Control Freak” e “Terrible Funk”.

Já na canção que leva o nome do disco, em “Anti-Everything”, ou em “Sex Changes”, o clima que predomina é a agressividade, pautada em um legítimo espírito pós-punk. Ambiências musicais diversas, som eletrônico misturado a instrumentos tradicionais e ritmos variados, porém frenéticos, dão a tônica deste álbum, fazendo uma cama perfeita para que as linhas vocais de Lennie traduzam musicalmente o clima de devaneio expresso em seus versos.



Escrito por simaopessoa às 10h12
[] [envie esta mensagem] []



DECIFRANDO O DNA DO DRUM’N’BASS – PARTE 2



Mas voltando ao início do drum’n’bass, no final de 91, começo de 92, lá estavam DJs como Fabio e Grooverider, que tocavam no clube Rage, em Londres, e promoviam raves nababescas na Brixton Academy. Eles hoje são considerados como os que deram a saída no jogo.

Grooverider e Fabio tocavam o que na época era chamado de hardcore, isso é, techno acelerado com batidas de funk e hip hop picadas e em alta velocidade, e baixos de reggae (tipo o primeiro disco do Prodigy, “Experience”). O gênero logo se disseminou em raves e rádios piratas inglesas.

A história do DJ Goldie, um mulato sarará cheio de dentes de ouro e considerado a maior expressão do gênero, diz tudo sobre o assunto. A sua infância não foi fácil. Filho de mãe inglesa e pai jamaicano ausente, ele cresceu em um orfanato para crianças abandonadas em West Midland.

Na adolescência, morou em Miami e Nova York, descobriu a cultura de rua do movimento hip hop, foi goleiro da seleção B inglesa de hockey, grafitou e dançou break. Mudou-se para Londres, cometeu pequenos roubos, drogou-se e descobriu as raves, quando começou a fazer música.

Goldie começou a fazer remixes para impressionar seus heróis, os DJs, e acabou tornando-se o primeiro artista jungle a ser contratado por uma multinacional. Ele também estreou com um épico álbum duplo, “Timeless”, namorou a esquimozinha Björk e transformou-se numa celebridade cuja imagem pública tem um alcance maior do que seus discos. Isso tudo com menos de trinta anos.

Ele ainda hoje ousa desafiar a noção do que deve ser jungle, ousa ser chamado de pretensioso, exagerado e radical. Essa é a razão pela qual Goldie, o personagem, tem uma ressonância maior do que apenas alguns discos: sua missão é dramatizar as esperanças e temores de uma geração que tem vivido na cultura rave nos anos de recessão, trazê-la para a luz e ajudá-la a entender esse novo tempo.

Goldie é uma invenção dele mesmo, um mito feito de experiência e desejo, troca de personagens e máscaras o tempo todo – num minuto o malandro de rua, no outro o exuberante pavão irritante, o político mais velho, o garoto perdido, o brincalhão astuto, o freqüentador de rave hiperativo, o gozador assustado com um brilho obstinado nos olhos verdes.

O primeiro álbum, “Timeless” era uma espécie de diário sonoro de sua vida, da infância até os 29 anos. A música-título tem 22 minutos e, segundo o escritor Matthew Collin, “além de monstruosamente longa, é desesperadamente ambiciosa”.

O segundo, “Saturnz Return”, lançado em 97, era uma autobiografia das crises pessoais e confusões mentais. A música “Letter Of Fate”, por exemplo, foi baseada num bilhete de suicida que escreveu na adolescência e interpretada por Björk, sua então namorada.

A esquimozinha o apresentou ao compositor Henryk Gorecki, cuja “Terceira Sinfonia” ilumina as orações desesperadas e os grafites rabiscados nas paredes das celas das pessoas aprisionadas em guetos, nas prisões da Gestapo e nos campos de concentração durante a ocupação da Polônia por Hitler.

É uma das obras mais angustiantes, ainda que seja gratificante emocionalmente. Foi dessa matéria-prima que ele construiu “Mother”, que teve o apoio orquestral de 30 instrumentos guiados por Gorecki.

Em dois anos e meio, Goldie evoluiu de guru do underground para tornar-se tão visível quanto a modelo Naomi Campbell. Ele virou garoto-propaganda da Stüssy e dos aparelhos de som da Technics. Se tornou amigo das celebridades, namorou várias supermodelos negras e virou astro do cinema.

Se, até então, Goldie costumava ser o visionário de Timeless, disco que tirou, sozinho, o jungle do gueto, “Saturnz Return” refletiu a hiperexposição. Cheio de indulgência e pretensão, seu novo trabalho mostrava que Goldie era só humano, demasiado humano.

O álbum é duplo, mas não há vantagem nisso, uma vez que a faixa “Mother” dura uma hora. Nem o grupo Yes, em sua fase vegetal, teve tanto “amor pela arte” como Goldie demonstrava. A música fala de sua infância dolorida. É mesmo de doer. Em toda sua pompa, “Mother” quase não tem bateria e baixo – drum’n’bass sem bateria e baixo é o quê?

A faixa que traz o vocal de David Bowie é outra incógnita, incluída como uma espécie de cabide de celebridade. “Saturnz Return” evidencia os principais defeitos de Goldie, que também são a fragilidade do drum’n’bass.

A fixação por jazz de elevador, tipo Pat Metheny, em longas introduções, chega a ser embaraçosa. As menores faixas duram oito minutos. Mas quando incluem baterias nervosas, como em “Temper Temper”, demonstram que ainda estão na vanguarda do “movimento”.

Na melhor música do disco, o toque visceral da guitarra de Noel Gallagher, do Oasis, é trucidado pela mente hiperativa do DJ. Pena que o vídeo, em que ele leva uma serra elétrica ao pescoço do músico, tenha sido censurado pela MTV-Europa. A cena é a manifestação, em forma de imagem, do que o DJ faz com a participação do guitarrista do Oasis, enquanto berra, fora de controle.

Outra colaboração interessante é “Digital”, em que o rapper americano KRS-One demonstra seu habitual domínio da técnica de rimar fora da batida, habilidade que se mostra adequada para mixar rap e jungle.

Mesmo assim, não se trata de um disco feito para as pistas. Ele é pessoal, desesperado, com imagens de morte e demônios espreitando entre os breaks. O barulho atonal de “Demonz” e as guitarras guinchantes de “Dragonfly” são dark como Joy Division, e o disco segue angustiante nas interpretações da cantora Diane Charlemagne (“Believe”, “Crystal Clear”).

O DJ famoso suou para justificar a mídia em “Saturnz Return”, disco de fôlego épico. Num gênero em que as palavras “progressão” e “novo” constituem ideologia, Goldie pode ter-se entusiasmado muito e deixado não apenas a concorrência, mas o próprio drum’n’bass para trás. Ninguém pode acusá-lo de comodismo.

Em 94, Goldie já havia colocado a boca no mundo: “Não queremos mais ninguém ganhando rios de dinheiro com esse tipo de música”. Foi quando criou a Metalheadz, nome da festa e do selo especializado na música que ajudou a definir e popularizar, para ter o controle total sobre o ritmo. Não colou e ele acabou sendo contratado por uma multinacional.

Hoje, com a jungle sendo usada em programas de tevê para crianças e em anúncios de desodorante, e bandas sofisticadas como Everything But The Girl fazendo sucessos pop com trechos diluídos da drum’n’bass (sua versão de “Corcovado”, no álbum “Red, Hot And Rio”, foi calcada em cima da batida), esse novo jazz está saindo do circuito moderninho para se popularizar entre a moçada clubber.




Escrito por simaopessoa às 10h05
[] [envie esta mensagem] []



DECIFRANDO O DNA DO DRUM’N’BASS – PARTE 3



Goldie pode ser a principal estrela da cena, mas dificilmente houve ou haverá citação do drum’n’bass sem que o nome Grooverider esteja por perto.

Um dos pioneiros do gênero na Inglaterra, ele só lançou seu primeiro disco solo (ou “disco de artista”, como prefere o britânico) no começo de 2001, depois de 12 anos remixando o trabalho dos outros. E chegou apresentando os mistérios do funk em “Mysteries Of Funk”, com toques minimalistas, de jazz e, claro, drum’n’bass escuro, negro, sombrio.

“Não gosto de minimalismo, gosto de música musical, se é que isso faz sentido. Roni Size também faz isso”, disse Ray Bingham, o Grooverider, numa entrevista à revista The Source. “Também não é necessariamente jazzy. É funk, porque é dance music. Qualquer dance music é funk, porque o balanço que faz as pessoas dançarem vem das raízes negras”, continua o misterioso DJ.

Grooverider é a matriz viva do drum’n’bass. Ele começou a tocar batidas quebradas quando ainda discotecava house e não existiam resquícios de uma cena jungle. Há quem afirme que Grooverider inventou o drum’n’bass. Se não fez isso, no mínimo pode ser considerado quem mais fez para divulgar o gênero em clubes, em rádios piratas e, finalmente, em seu programa de rádio na BBC, sempre preocupado em revelar novos DJs, como, por exemplo, a turma de Goldie, os Metalheadz. Por isso demorou tanto para chegar ao primeiro disco.

Ele escolheu bem o nome para a estréia: “Mysteries of Funk”. Embora se tenha destacado no subgênero darkcore, de batidas pesadíssimas, Grooverider dedica a maior parte de seu álbum a reaproximar o drum’n’bass da música negra urbana, assim como Miles Davis vinha fazendo com o jazz em seus últimos discos. O drum’n’bass andava branco e cerebral demais para um ritmo que começou voltado à transpiração do gueto.

O DJ costuma ser visto como uma espécie de Miles do drum’n’bass, um lançador de estilos que tem a fusão como conceito básico. Entre suas batidas quebradas, co-existem do blues ao experimentalismo eletrônico de Stockhausen.

Comparações com Miles à parte, é interessante ouvir esse disco após o clássico “Sextant”, de Herbie Hancock. A similaridade de conceitos é assombrosa. Grooverider, porém, dá mais ênfase ao ritmo e execra solistas.

“Mysteries Of Funk” não é impenetrável. Ao contrário, há vocais femininos bastante acessíveis e melodias simplistas de piano. Mas isso é contrastado por batidas que soam feito enterradas de basquete, trompetes carregados de wah-wah e texturas eletrônicas ácidas. Instrumentos e samples soam integrados de forma coerente, mesmo quando sopros são gravados de trás para frente para gerar um efeito perturbador. Influências latinas e trilhas de filmes de espionagem completam o caldo.

O ecletismo musical tem uma boa explicação. Grooverider surgiu na efervescência do acid house, no início da década passada. Passou pelo techno e pelo indie dance, firmando-se como um ás da discotecagem em famosas casas noturnas britânicas como Rage e Blue Note.

Em 1993, criou o seu próprio selo, Prototype. A partir dele, revelou artistas como Optical (pseudônimo de Matt Quinn, seu parceiro e braço direito até hoje), Matrix, Ed Rush, Lemon D. e Boymerang, além dele próprio – que, sob a alcunha de Codename John, teve dois sucessos pioneiros do drum’n’bass com “Dreams Of Heaven” e “Deep Inside”. Fora isso, também chegou a trabalhar com Goldie, o outro expoente do movimento.

Em “Mysteries Of Funk”, Grooverider deixa explícito o leque de influências que compõe o seu som, que vai de Miles Davis (pelo uso ostensivo de trompetes) a Marvin Gaye (nos climas “viajantes” com toques de soul). A faixa de abertura, “Cybernetic Jazz”, já traduz no título e no ritmo as intenções do álbum: frases musicais etéreas e rarefeitas, mas embasadas pela pulsação frenética do baixo e da bateria, com um resultado singular.

As longas faixas – na maioria com mais de sete minutos – são co-assinadas por Optical e variam da levada eletrônica maníaca da instrumental “Where’s Jack The Ripper?” ao funk com pitadas de bossa nova de “Imagination (Parts 1&2)”, passando pelo som descarnado de “C Funk” (com scat singing de Cleveland Watkiss) e pela aura psicodélica de “Starbase 23”, que atualiza a música industrial para a turma do jungle, soando feito uma fábrica de robôs. Outro destaque é “Rainbows Of Colour”, com melodia pontuada pela voz suave de Roya Arab.

O disco parece ter sido concebido com dois objetivos distintos: para tocar numa pista de danças ou para “viajar” se escutado com fones de ouvido. Tanto que foi lançado em séries limitadas como CD duplo (com mais de duas horas de duração) e vinil quádruplo.

Na versão brasileira, decalcada na americana, as 13 faixas (duas a menos que a original britânica) foram reduzidas para se enquadrarem no formato de menos de 80 minutos de um CD simples. Mas como diz o título, é um disco de funk... de um jeito misterioso.

Anos de experiências em seu laboratório secreto permitem a Grooverider manter-se à frente da concorrência. Depois de remixar o velho hit “Fool’s Gold”, dos Stone Roses, e parte do material de Beck, o DJ inglês passou a ser reverenciado até na cena do rock alternativo.



Escrito por simaopessoa às 09h54
[] [envie esta mensagem] []



DECIFRANDO O DNA DO DRUM’N’BASS – FINAL



O drum’n’bass é um dos poucos casos da cena internacional em que o Brasil está bem representado. A façanha coube ao DJ Marky, nosso primeiro produto de exportação. Dono de um talento inato, apurado em muitos e muitos sets de discotecagem, ele é o primeiro DJ brasileiro a ganhar reconhecimento internacional.

Tudo começou em 97, quando Marky Mark (como era chamado na época) foi para Londres, em companhia do DJ Patife, e pediu aos donos da The Movement, a festa de drum’n’bass mais famosa da cidade, para utilizar o nome da gandaia em São Paulo.

Os donos da festa vieram ao Brasil checar o trabalho do DJ e não deu outra: não só Marky Mark ganhou o direito de trazer a Movement para o Brasil como também virou residente na badalada matriz londrina, pilotando cinco festas por ano.

Sua passagem por lá, em 98, causou furor. As apresentações reuniram astros do drum’n’bass, como Bryan Gee, DJ Hype (ídolo do DJ antes mesmo de se conhecerem) Andy C, Ray Keith e Grooverider. Marky tocou até em programa de rádio, na Kiss FM, de Jumping Jack Frost, outro que assistiu à sua performance e ficou pirado.

Como um efeito dominó, tocar no programa multiplicou seu sucesso na Inglaterra. O DJ brasileiro ganhou uma página na prestigiada revista Muzik e outra na The Face. “Não foi notinha não. Foi uma matéria mesmo, como DJ revelação”, diz ele. Os gringos não acreditavam que o Brasil pudesse ter um DJ tão bom.

Nascido em Guarulhos, em 1975, mas criado na periferia de São Paulo, Marco Antonio da Silva tinha quatro anos quando ganhou um par de picapes de sua mãe e cismou que ia ser DJ. Ele passava o dia inteiro ouvindo rádio. Tinha 13 anos quando se interessou por música para dançar. Aos 15 já embalava pistas de boates.

“Em 90, eu trabalhava em uma loja de disco quando descobri o hardcore, um estilo de música que estava se formando lá fora”, recorda. “Era o início das raves na Inglaterra. O Prodigy, no começo, era um som totalmente esperto e eu comecei a apostar neste tipo de música.”

“A evolução desse estilo virou jungle, que é mais rápido. A Bjork batizou o jungle de drum’n bass na época que namorava o Goldie”, explica. “Ela disse: essa música é bateria e baixo, então porque não chamar de drum’n bass? Tem muita gente que fala que jungle é uma coisa e drum’n bass é outra. Besteira, é a mesma coisa.”

Em 1992, depois de ter desembarcado da febre do hardcore, Marky se transformou em cristão-novo do jungle, tocando na Showbusiness, que virou Sound Factory. Logo depois, virou DJ residente da Toco, famosa casa noturna de São Paulo, mas a boate fechou e ele ficou desempregado.

Aliás, até culparam-no pelo fechamento da casa, na época, depois de Marky ter sido ameaçado de perder o emprego se não tocasse axé music. Mas o DJ permaneceu fiel ao seu gosto musical: as batidas aceleradas do drum’n’bass.

Alguns anos depois, ele passou a comandar uma das noites mais famosas do clube Lov.e, intitulada Vibe. A partir daí, foi eleito diversas vezes como melhor DJ do país e influenciou a popularização da música eletrônica e o surgimento de uma cena nacional. Foi lá que ele também ganhou o apelido de Marky Mark, um outro DJ inglês.

“Uns caras viviam me pedindo para tocar a música do Marky Mark, que tocava no rádio. Eu não tocava de jeito nenhum, odiava. A música tinha um sample de ‘Love Sensation’, um clássico dos anos 70, e eu não admitia que aquele cara tivesse usado aquele sample”, explica.

“Eu ficava muito puto e começaram a me chamar de Marky Mark. E é quando você fica com raiva que o apelido pega. Durante muito tempo fiquei conhecido assim. Só que meus empresários lá fora não gostavam desse nome, porque podia dar confusão, e mandaram cortar, aí eu virei Marky. Por aqui o povo me chama de Marky Mark, Mark, Marquinho”, ironiza...

Aos 32 anos, Marky continua sendo o DJ de maior evidência do país e, apesar de passar cerca de seis meses do ano em turnê mundo afora, mora em São Paulo, capital brasileira da música eletrônica.

“Já toquei punk no começo dos anos 80, new wave, hip-house, house. Depois, em 88, toquei techno e acid house. Gosto muito de new wave. Eu tinha todos os discos do B-52, Devo. O Devo é rápido e é mais ou menos a mesma batida do drum‘n bass, tem tudo a ver. É estranho como tudo no final acaba se encontrando, acaba num ponto em comum”, observa.

“Não faz muito tempo, comecei a gostar de rock, Doors, Jimi Hendrix. Já os Beatles eu adoro, sempre gostei e ouço direto. Gosto também de música brasileira, do Otto, Max, Jorge Ben e bossa nova. Aprendi a escutar as coisas boas, que têm musicalidade. Acho que antes eu não era maduro para esse tipo de música. Atualmente faço uma noite na semana onde toco só músicas dos anos 60, 70 e 80”, diz.



Escrito por simaopessoa às 09h52
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]