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Blog de simao pessoa


 

NÃO sei se é spam, mas a foto acima apareceu no meu correio eletrônico acompanhada do seguinte texto: “A internet de tempos em tempos produz uma superstar. E a do momento atende pelo nome de Maria da Graça Mello. Tudo começou quando uns caras pegaram as fotos dela no seu próprio computador e espalhou na grande rede, e em questões de dias foi transmitido de e-mail para e-mail até fazer parte do acervo de vários sites e blogs de conteúdo erótico. Tudo isso culminou com a sua presença no programa Superpop, da RedeTV, comandado por Luciana Gimenez.” Como não havia nenhum telefone de contato, não pude perguntar quanto custa a hora de programa da tal “superstar do momento”. Mas confesso que, no Remulo’s, já vi coisas melhores.

 

O SAMBISTA Chico da Silva se apresenta hoje, a partir das 19h, na Cidade do Samba, em frente aos barracões da escola, ali ao lado do Sambódromo. A bateria do GRES Sem Compromisso vai participar do espetáculo.

 

AMANHÃ é dia da Feijoada dos Bambas, no Pagode do Almirante, lá em Santo Antônio. Na lista de atrações, que começam a se apresentar a partir do meio-dia, estão os grupos Gandaia, Coisa de Bamba, Vai Garotão, Calçada, Forrozão.com, Jucynha e Quero-quero. Agende.

 

HOJE, a partir das 21h, no Sambódromo, acontece o 1º Brega Fest, com a presença de Reginaldo Rossi, Odair José, Wanderley Andrade e Wando. Pra quem gosta (ou sofre) de dor-de-corno, a pedida é esta.

 

O CANTOR Bunny Wailer, umas das estrelas da banda que acompanhava Bob Marley, cancelou sua turnê no Brasil alegando motivos pessoais. Mesmo assim, o evento Fundição Brasil-Jamaica com as bandas Groundation e Ponto de Equilíbrio acontecerá normalmente, neste sábado, dia 10, no Rio.

 

“EU voltarei” (I’ll be back, em inglês), pronunciada por Arnold Schwarzenegger no primeiro filme da série Exterminador do Futuro, ficou em primeiro lugar em uma pesquisa realizada pelo site britânico myfilms.com sobre as frases do cinema mais usadas no dia-a-dia. De acordo com a pesquisa, a segunda frase mais emprestada das falas do cinema é Francamente, querida, não dou a mínima (Frankly, my dear, I don't give a damn), pronunciada pelo personagem Rhett Butler, estrelado por Clark Gable, na cena final de E o Vento Levou... (1939). Entre as mais usadas está também a famosa Que a força esteja com você (May the force be with you), de Guerra das Estrelas e "A vida é como uma caixa de chocolates" (Life is like a box of chocolates), do personagem Forrest Gump, vivido por Tom Hanks.

 

LCD Soundsystem, projeto do DJ e multiinstrumentista James Murphy, causou impacto em 2005 com o seu primeiro e homônimo álbum, que trazia o megahit Daft Punk is playing at my house. Expoente do electro-rock de Nova York, uma cena que revigorou a e-music e o rock ao mesmo tempo, Murphy faz um som original a partir de sintetizadores à la Kraftwerk, da acid house do final dos 80, do pós-punk e do espírito da capital do mundo. Editado em março lá fora e  agora aqui, na cola da vinda do LCD Soundsystem ao país (São Paulo/dia 13; Belo Horizonte/14, no Eletronika; Rio/16; e Brasília/17), Sound of silver (EMI) não é tão revolucionário quanto o primeiro trabalho, mas é um belo álbum. Da abertura dance com Get innocuos! ao encerramento lento com New York, I love you but you’re bringing me down, tudo reitera o vigor criativo de Murphy.

 

DEPOIS de virar estrela pornô, Regininha Poltergeist agora é funkeira. Ela acaba de regravar o sucesso dos anos 80, de Fausto Fawcett, Kátia Flávia, e mais três músicas, no estilo proibidão. “Já são 11 anos longe dos palcos, me sinto pronta para canalizar minha sensualidade para a música, que é minha paixão”, diz ela, que nas letras se reafirma como objeto do desejo dos homens e especialista em sexo.  Este mês, Regininha fará show em clubes e termas de luxo, do Rio e de São Paulo, acompanhada da banda Os Apóstolos.

 

CELSO Fonseca lança o álbum Feriado este mês pela EMI: uma curiosidade do trabalho é a participação dos convidados de hip hop Marcelo D2 (em Viajando na viagem), MC Marechal, Damien Seth (francês radicado no Rio) e Benjamin (americano que integra o grupo A Filial). O repertório do CD (produzido por Celso e Liminha) inclui releituras de Next year, baby (Jamie Cullum), Águas de março (Tom Jobim), Você não entende nada (Caetano Veloso) e Se ela dança, eu danço (MC Leozinho).

 

MARCOS Suzano gravou com o pernambucano Lenine (antes deste emplacar a carreira solo) um dos discos brasileiros mais bacanas da primeira metade dos anos 90, Olho de peixe. O percussionista carioca inovava no uso do pandeiro na música brasileira. A experiência em dupla é repetida em Satolep sambatown (MP,B/Universal), que Suzano assina com o gaúcho Vitor Ramil, outro compositor de personalidade forte. Autor de harmonias e imagens sofisticadas, Ramil tem a sua música enriquecida pelos timbres, ritmos e efeitos eletrônicos de Suzano. Com participação de Jorge Drexler (A zero por hora) e Katia B (Que horas não são?), o CD alcança momentos de intensa beleza em Astronauta lírico, Livro aberto e A ilusão da casa.

 

SÓNÓS (Warner), o bom segundo álbum solo de Paula Toller, será lançado segunda-feira na Inglaterra (via iTunes) e na Irlanda. Em janeiro, será a vez de Portugal e, depois, dos EUA.

 

MAURICIO Pereira (ex-Os Mulheres Negras, dupla cult formada com André Abujamra, nos 80) é um paulistano de alma mineira: conjuga uma espirituosa urbanidade com uma delicado jeito de ser folk. Pra Marte, uma produção indie patrocinada pela Petrobras e distribuída pela Lua Music, é o quarto trabalho solo de Mauricio e apresenta pequenos/grandes achados como Trova (melancólica e paulistana crônica em forma de balada), A loira do caravan (uma incrível e divertida caipiragem pop), a faixa-título (um samba chorado), Ser boi (pop rock que bem poderia pertencer ao repertório antigo do Pato Fu) e Truques com facas (fala de amor de modo muito peculiar).

 

MORRISSEY prepara novo álbum (sucessor de Ringleader of the tormentors/2006) e coletânea de hits para a temporada 2008.

 

PUTUMAYO, o maior selo de world music, lança o CD Latin jazz. A compilação reúne gravações de feras do latin jazz como Tito Puente, Eddie Palmieri, Ray Barretto, Machitto e Cannonball Adderley.

 

GARBAGE conquistou todo mundo quando surgiu, em 1995, com seu pop rock alternativo bem comandado por Butch Vig (Nirvana, Smashing Pumpkins) e com a sexy Shirley Manson no vocal. A banda manteve a chama no segundo disco, Version 2.0 (1998), mas daí para a frente tropeçou feio com Beautiful Garbage (2001) e Bleed like me (2005). A mediana coletânea Absolute Garbage (Warner) radiografa a trajetória do grupo que foi do céu ao inferno em pouco tempo e que nunca confirmou oficialmente o seu fim. No mais, Shirley Manson prepara disco solo.



Escrito por simaopessoa às 12h44
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Na próxima sexta, a partir das 20h, no sítio Solar das Garças (Km 7 do ramal do China), em Borba, acontece a badalada festa “Rala-o-hímen na Floresta”, organizada pelos festeiros Mara e Oswaldo Lima. Pela quantidade de bebidas e comidas que o casal está armazenando, umas 500 pessoas vão participar da esbórnia.

 

Onde será que esse povo todo vai dormir? Ali no bosque, perto do lago, só dá pra colocar, no máximo, umas 50 barracas de camping. A não ser que a pretensão da galera seja passar os três dias acordada, se esbaldando na muvuca, a exemplo do que acontece no Festival dos Bumbás de Parintins...

 

Como esmola demais, o santo desconfia, fui convocado para participar do “The Clash of Titans”, um pré-aquecimento que rola das 20h à meia-noite. O desafio é simples. Serão quatro DJs e cada um deles terá uma hora para, com apenas dois discos, tocar fogo na pista.

 

O primeiro a entrar em campo será Rildo Aranha, que vai abordar os anos 70. Entro na seqüência para abordar os anos 80. Depois é a vez da Iraneide Lima, a Lady Neide, mostrar os anos 90 e, finalmente, Gerson Groove mostra o melhor da presente década. A partir daí, os DJs Clemente, Marcito, King James, Fátima Colares e Andrezinho Beat assumem as carrapetas até o dia amanhecer.

 

Depois de consultar meu mapa astral, bater papo com o I-Ching e fazer uma pajelança básica com as cartas de tarô, resolvi escolher essas duas bolachas. Não sei se vai colar. De qualquer forma, sexta de manhã embarco no famigerado ajato e me mando.

 

Clivillés + Cole – Greatest Remixes Vol. 1

 

O disco reúne seis anos de trabalho de Robert Clivillés e David Cole, que o mundo conheceu como os homens por trás do C+C Music Factory. Vamos lá, faixa por faixa.

 

“MTV Medley” (C+C MUSIC FACTORY) – Um megamix dos hits do C+C, chato e desnecessário como esse tipo de coisa costuma ser, mas que costuma bombar nas pistas de dança.

 

“Because Of You” (COVER GIRLS) – Trio feminino de Nova York, um dos mais famosos do pop-dance hispânico, conhecido por latin hip hop. Um empréstimo rápido de Afrika Bambaataa e Soul Sonic Force para um ritmo demolidor.

 

“Don’t Take Your Love Away” (LYDIA LEE LOVE) – Um dos primeiros trabalhos com envolvimento da dupla, ainda de 86. Se tivesse só a introdução, já valeria a pena.

 

“Two To Make It Right” (SEDUCTION) – Três garotas lindas descobertas por Clivillés e Cole, que com elas tiveram quatro hits nos EUA. A música é house com um farto acento pop, contribuição dos vocais algodão-doce do trio.

 

“Pride (In The Name Of Love)” – (CLIVILLÉS & COLE) – A versão para o clássico do U2, contido aqui, não é a que andou bombando em todas as rádios e pistas. A batida quebrada foi trocada por uma marcha house fluida. A roupagem techno exagerado permanece, mas os efeitos de videogame são outros.

        

“Let The Beat Hit’ Em (Part 2)” (LISA LISA & THE CULT JAM) – Irreconhecível o tratamento garage em cima da segunda etapa do hit de LL (ex-namorada de Clivíllés) – que só tem o nome em comum com aquele rapper que todo mundo conhece. Uma das melhores coisas é o teclado inicial com um timbre fabricado no sétimo céu.

        

“Mind Your Business” (CLIVILLÉS & COLE) – Outra inédita. Sampleia a guitarra de “Need You Tonight”, do INXS, com bom resultado. O ponto contra é o medonho vocal rock.

        

“You Take My Breath Away” (DAVID COLE) – Cole prova que, assim como Zelma Davis, ele também sabia cantar. A percussão é uma lataria maravilhosa e o resultado geral é muito bom.

 

“A Deeper Love” (CLIVILLÉS & COLE) – O outro lado do single de “Pride” aqui em sua melhor versão, ainda gloriosamente garage. A vocalista Deborah Cooper tem uma garganta prodígio.

 

“Clouds” (CHAKA KHAN) – Uma das obras-primas da cantora, lançada originalmente em 80. Clivillés e Cole a remixaram originalmente para a coletânea de clássicas de CK, “Life Is A Dance”.

 

“True Love” (BILLY) – Billy não é um cara e sim uma obscura diva nova-iorquina. A faixa é house tradicional sem mistério nem surpresa.

 

“Nofice Me” (SANDEE) – Sublime disco-house para jogar os braços para cima (você dança jogando os braços pra cima?... Hummmmm). De quebra, inclui um dos melhores hábitos dos dois produtores, aqueles riffs de teclados fanhosos (“cuem-cuererem-cuem”).

 

“Do It Properly” (2 PUERTORICANS A BLACKMAN AND A DOMINICAN) – O primeiro hit da dupla de 87. Originalmente um épico house cheio de variações com quase dez minutos. A versão nova traz uma mulher cantando no lugar do cantor do original. Tem até um pouco de Black Box, mas não bate nem de longe a primeira versão.

 

Technotronic – Greatest Remix Hits

 

Em 1989, eles estouraram nas paradas internacionais com “Pump Up the Jam”, música que misturava batida eletrônica e vocais de hip hop e abriu caminho para toda a dance music dos anos 90.

 

Também foram eles que deram origem ao termo “poperô” (vindo de “pump it up”, da música “Move This”), para músicas eletrônicas de batida fácil, que acabaram passando para a posteridade como “techno farofa” e são a pedra de Roseta do famigerado “pancadão” (ou “funk carioca”, para os mais chegados).

Nesse disco, o trio belga, composto pelo produtor Jo Bogaert, a cantora Ya Kid K e a ex-modelo Felly, fizeram nova versões de seus hits, incluindo “Megamix”, uma faixa de 8’30” que não deixa ninguém ficar parado.

 

O disco abre com “Pump Up the Jam”. Se no momento soa datada – a efemeridade é uma característica das músicas “poperô” –, esta ainda é a melhor introdução ao gênero.

 

O resto das faixas é simplesmente mais do mesmo: “Get Up”, “This Beat is Technotronic”, “Hi-TEK 3 Spin that Wheel”, “Megamix”, “Work”, “Money Makes the World Go Round”, “Move that Body”, “Rockin Over the Beat”, “Techno Medley”, “Move it to the Rhythm” e “Pump Up the Jam 96”.

 

Se conseguir sobreviver à farra, conto aqui o que rolou.



Escrito por simaopessoa às 14h23
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CLAUDINHA NO ANO DA LOUCURA

 

Por André Di Bernardi Batista Mendes, para O Estado de Minas - Caderno Pensar

 

A Editora Letras Brasileiras acaba de relançar “Claudinha no ano da loucura”, o terceiro livro de Alexandros Evremidis. Cult dos anos 80 – a obra está esgotada desde sua primeira edição, que é de 1985 –, o livro ganha merecidamente um tratamento especial em termos de acabamento gráfico.

 

Escrito na primeira pessoa, o autor pinta um interessante e contundente painel autobiográfico, como fez anteriormente com “Melissa”, onde fala sobre seu romance com a espevitada Elke Maravilha (Alexandros foi seu primeiro marido), e “Adeus Grécia”, onde conta as inúmeras agruras de sua infância conturbada. Ambos os livros são de 1974.


Em “Claudinha”, Alexandros escreve no limite da transgressão e do desbunde total ao contar as peripécias amorosas de um homem – Mavrô, jornalista de uma revista, alter-ego do autor – de 30 e poucos anos, que se deixa seduzir por uma garota, filha de uma colunista social, de – pasmem – 11anos.

 

A princípio o estranho desponta, surgem os questionamentos inevitáveis sobre a veracidade ou a autenticidade de todo o processo. Mas no desenrolar dos fatos acabamos perdoando o personagem, que, pobre coitado, pobre mortal, não resiste. Aliás, como não se apaixonar por essa beldade, por essa mulher que vive num corpo de ninfeta? Trata-se de amor à primeira vista.

 

Alexandros detalha a cena, para ser imaginada em câmera lenta:

 

“Bonita é ela. Cara larga e bochechuda, sobrancelhas espessas e escuras e olhos grandes, úmidos e azuis – dois oceanos profundos e misteriosos. A boca, algo não sei o quê, lábios grossos e carnudos, indecentes, desses que a gente tem vontade de morder e chupar o sangue. Cabelos pretos e compridos e peitos redondos – devem estar inchados, penso, por causa da adolescência”.

 

Inocência versus astúcia. Não se iludam, pois a doce Claudinha, dona de um magnetismo ímpar, passa de vítima a algoz com a serenidade e o furor uterino que só uma linda, e louca, pré-adolescente pode e sabe ter.

 

O personagem de Alexandros, coitado, embarcou bonito. Corajoso, o escritor botou pra fora, colocou no papel suas transgressões apimentadas. Nada de suquinho diet. Esqueça a palavra meio-termo. Depravação total. As maravilhas e horrores de uma alma exposta. Altas doses de libido. A alma crua.


ANOS 70

 

Baila comigo, entre nessa, afrouxe o cinto e aguarde. Conto lhe esta pequena história ao pé de seu ouvido. Como um segredo. Parece que ouço Alexandros dizer. O livro, ambientado no perigoso Rio de Janeiro dos anos 70, mostra as desventuras destes personagens, deste belo casal de pombinhos apaixonados que vivem um amor desesperado confinados dentro de um pequeno apartamento.

 

Aos poucos, a situação esquenta e entram em cena outros malucos desavisados que pegam o bonde andando e não desapontam. Para a turma vale a máxima do um é pouco, dois é bom e três – ou quatro – é bom demais. Sexo grupal, acrescido de drogas e rock-and-roll. Mas adianto: o trem sai dos trihos e o final é trágico.

O livro tem o tamanho de um afronta, mas este ultraje aos bons costumes é bem redigido. A história convence. Se Nabokov não aprovaria a obra, que não tem o alcance literário e a profundidade de um clássico como Lolita, Bukowsky e Henry Miller, ou até um Pedro Juan Gutiérrez, certamente bateriam palmas, e excitadíssimos.

 

O seu texto pode não ter o primor de, digamos, uma estrutura literária perfeita, mas ali pulsa incontestavelmente o sangue vulcânico de um grego maluco e dali brota uma torrente de vida e desejo incontestáveis. De seu nome embaralhado – Evremidis – surge um típico cidadão do mundo que se embrenhou e se perdeu pelos caminhos tortuosos e ardentes que não poucas vezes a vida oferece.

 

Alexandros, um feliz desterrado, é um grego louco que “se perdeu pelo mundo, mas se encontrou no Brasil”, como anotou Carlos Heitor Cony, ao comentar o livro. Evremidis nasceu na Macedônia, mas vive no Rio de Janeiro, onde mantém sua “bússola apontada para o Mundo dos Livros e para a causa do Amor e da Liberdade”.



Escrito por simaopessoa às 12h49
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