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NÓ-NA-MADEIRA

 

O cantor e compositor João Nogueira estava se apresentando em Belém do Pará e resolveu dar uma volta no tradicional mercado Ver-o-peso, onde se compra de pirarucu seco e açaí feito na hora a artesanato nativo e ervas medicinais pra curar tudo.
 
Queixando-se de uns “probleminhas” de saúde, o sambista, acompanhado do sobrinho e empresário Didu Nogueira, procurou uma daquelas barracas especializadas em plantas, raízes e garrafadas.

 

Amado e conhecido no Brasil inteiro, João foi reconhecido pelo caboclo do balcão e começou logo a fazer os pedidos:

 

– Meu camarada, qual é a folha boa para tratar diabetes?

 

– Essa aqui, a pata-de-vaca! – respondeu de primeira o paraense.

 

– E pra circulação?

 

– Essa outra aqui, o jambolão. Mas tem também a unha-de-gato, a porangaba e a stevia, que substitui o açúcar, desentope tudo o que é veia e acaba com o colesterol ruim...

 

– E para essas coisas de estômago, esôfago, azia pós-esbórnia, o amigo tem alguma coisa?

 

O vendedor começou a colocar um monte de saquinhos sobre a mesa.

 

– É comigo mesmo! O senhor pode cozinhar essa casquinha de pau de mururé com folhas de quebra-pedra e tomar três vezes ao dia. Se preferir, faça infusão de barbatimão pra beber em jejum. Tem também carapiá. É tiro e queda! Mais alguma coisa?...

 

– Essa folhinha aqui serve pra quê? – perguntou João.

 

– Isso é espinheira santa. Serve pra espinhela caída, joanete, inflamações generalizadas, cansaço, enxaqueca. Também serve para limpar a voz. Pro senhor, então, é um santo remédio.

 

João Nogueira pediu também umas misturas boas pros rins, um preparado pro fígado e mais meia dúzia de cipós, mandando embrulhar tudo.
 
Satisfeito com a venda, mas preocupado com a saúde do grande artista, o caboclo comentou baixinho com Didu Nogueira:

 

– Arre, égua, véio! O nó-na-madeira aí tá bem ruinzinho, num tá não?...

 

***

 

João Batista Nogueira Júnior nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1941. Aprendeu a tocar violão com seu pai, que além de advogado, era músico profissional.

Ainda adolescente, João Nogueira começa a compor sambas para blocos carnavalescos do bairro do Méier, no Rio de Janeiro, onde morava. Sua estréia profissional foi em 1970.

Nogueira sempre apresentou um trabalho autêntico, coerente e com muita brasilidade. Foi um cantor e compositor que jamais abandonou seus valores culturais. Lamentavelmente, após cinco derrames e um acidente vascular cerebral, João faleceu no dia 5 de junho de 2000.

Se quiser curtir um bom programa de música com João Nogueira, acesse

 

www.radio.usp.br/programa.php?id=37&edicao=070510



Escrito por simaopessoa às 13h47
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PARA VOCÊ ENTENDER (E SE DIVERTIR ADOIDADO) COM O GLAM ROCK

 

 

1971. O “sonho” acabou de acabar. Os hippies sobreviventes se atolam em drogas pesadas e desilusão. Enquanto isso, seus irmãos menores, naquela terra de ninguém conhecida como pré-adolescência, se davam conta de um mundo de poliéster, TV em cores, missões espaciais, terrorismo... O futuro tinha chegado e o meio era a mensagem. Desesperadamente precisando de novos heróis, os meninos ligam a TV (em cores berrantes) para ver o Top Of The Pops (um Xou da Xuxa inglês da época) e dão de cara com aquele ser sexualmente indefinível tocando guitarra prateada, vestido de cetim dos pés à cabeça e cheio de purpurina. Marc Bolan e seu T. Rex eram os flautistas de Hamelin pós-modernos.

 

Enquanto isso, David Bowie, um artista fracassado dos anos 60, posava para a capa de seu novo LP, The Man Who Sold The World, usando um... vestido! “Um vestido muito masculino”, na opinião dele. Não tinha mais volta. A partir daí, o glam rock reinou por quatro gloriosos anos como um deus auto-indulgente, exagerado, cínico e frívolo. Enquanto “sérios” (Bowie, Roxy, Mott, Lou, Iggy) gravavam álbuns venerados até hoje, exibidos fabulosos (Mud, Suzi Quatro, Slade, Gary Glitter, Sparks, The Sweet) faziam singles arrepiantes. Muitos pegaram o bonde andando e mais pareciam donos de botequim mal maquiados do que pop stars. Praticamente todos os artistas da época que possuíam algum senso, mesmo que não fosse de ridículo, tiveram sua fase glam (Stones, Faces, Elton John, Alice Cooper, Queen). Fracassos retumbantes (Jobriath, Roderick Falconer) e gênios incompreendidos (Roy Wood e seu Wizzard) tinham seus 15 segundos de quase-fama seguidos pela eternidade cult. Segue a discoteca básica:

 

T. REX – ELECTRIC WARRIOR (1971)

O Tyranossarus Rex era uma dupla hippie acústica de algum sucesso até que, em 1970, Marc Bolan se reinventou. Arrumou outro parceiro, eletrificou o som, estourou e gerou quase uma beatlemania. Puxado por “Get It On (Bang A Gong)”, Electric Warrior transformou Marc em símbolo. De quê, discute-se até hoje. O fato é que tanto EW quanto o LP seguinte, The Slider (1972), são obras-primas de poesia viajante e riffs à  Chuck Berry. Marc morreu em 1977, em acidente de carro, sem repetir o brilho, queimado por dinheiro e champanhe fáceis. Mas a posteridade lhe foi generosa: o T. Rex hoje é a alucinação coletiva da qual todos gostam de lembrar.

 

DAVID  BOWIE – THE RISE AND FALL OF ZIGGY STARDUST AND THE SPIDERS FROM MARS (1972)

Uma obra eterna apesar de, esteticamente, pertencer à época. Cheio de claros, escuros, depressão, melancolia, euforia, imaginação, tudo quase em realidade virtual. E ainda por cima com os arranjos e a guitarra paradisíaca de Mick Ronson. Mudou a vida de muita gente: quem domina o inglês e ouviu na idade certa sabe como. Bowie ainda faria mais três discos glam, Alladin Sane (1973), Pin Ups (1973) e Diamond Dogs (1974), e seguira numa carreira longa e frutífera, mas o mundo nunca esqueceu Ziggy Stardust.

 

ROXY MUSIC – ROXY MUSIC (1972)

O Roxy deste primeiro LP parece vindo do planeta Glamour & Sofisticação. Misturando tudo, do pop mais pop à eletrônica de vanguarda, com ironia e inteligência, Roxy Music é um álbum assombroso. Não fossem as limitadas condições de gravação, seria perfeito. Sucesso nas paradas, agradava também aos mais mal-humorados universitários. Começa com barulho de festa (risadas, gelo batendo no vidro dos copos) e um convite/ordem para reinventar tudo. É impossível ouvir “Virginia Plain”, “2HB”, ou “Bitters End” e não ser transportado para um mundo paralelo onde a vida é bela, bem vestida e está tomando um daiquiri na beira da piscina.

 

IGGY & THE STOOGES – RAW POWER (1973)

Bowie praticamente forçou Iggy a reformar a Legião da Má Vontade (os Stooges) e ir a Londres gravar este clássico do descontrole emocional. Produzido por Iggy, que gastou a maior parte do orçamento em drogas, Raw Power é um album único na história do rock. Guitarras histéricas, letras violentas, performances sadomasoquistas e mixagem desequilibrada feita por Bowie (enquanto consumia as tais drogas) fazem dele a principal ponte entre o glam e o punk. No final dos anos 90, foi remixado por Iggy, mas a maioria dos fãs prefere a instabilidade original.

 

MOTT THE HOOPLE – ALL THE YOUNG  DUDES (1972)

Depois de anos de shows lotados e fracasso comercial, o Mott estava decidido a encerrar a carreira, quando Bowie os convenceu a gravar sua composição “All The Young Dudes”. Resultado: um hit planetário, hino incontestável do glam, e vida nova para a banda. O álbum homônimo, produzido por Bowie e Mick Ronson, foi feito às pressas, mal gravado e mal mixado. Talvez não seja o melhor do Mott, mas a presença de “All The Young Dudes” e o gênio lírico de Ian Hunter em “Sucker”, “One Of The Boys” e “Sea Diver” garantem a imortalidade. Ian e o Mott, juntos e separados, ainda fizeram mais bons discos.

 

NEW YORK DOLLSNEW YORK DOLLS (1973)

Dizem que o New York Dolls era a única imitação dos Stones a ter um Mick Jagger e quatro Keith Richards. Que injustiça! A banda foi sucesso de mídia desde que pisou no palco pela primeira vez, graças ao visual drag queen viajando de ácido e às letras provocantes. Sexo, drogas e rock’n’roll no volume 11. Na época pensava-se que esse primeiro LP seria um sucesso estrondoso. Ledo engano. Mas o charme de músicas como “Personality Crisis”, “Subway Train” e “Trash” perdurou e influenciou de Sex Pistols à Morrissey e tudo que veio depois. A banda ainda gravou mais um LP, Too Much Too Soon (1974), um pouquinho menos caótico, antes de virar purpurina.

 

THE SWEET – DESOLATION BOULEVARD (1974)

The Sweet era uma banda de singles como o Slade. Seus singles são tão maravilhosos que é até injustiça não colocar um Greatest Hits nesta lista. Mas por obra e graça desta versão americana de Desolation Boulevard, que reúne as melhores faixas de dois álbuns ingleses da banda (Desolation Boulevard e Sweet Fanny Adams), ficamos com este LP que soa bem até hoje. O engraçado é que, enquanto os ingleses viam o Sweet como banda inconseqüente, os americanos levavam a sério. “The Ballroom Blitz”, a música mais famosa desse disco, foi sampleada por Beastie Boys (em Paul’s Boutique) e volta e meia aparece em compilações dos anos 70.

 

GARY GLITTER – GLITTER (1972)

O peludo e pedófilo Gary já era meio velho e gordo quando gravou este álbum na cola do hit “Rock’N’Roll Part 2”. O som ainda é impressionantemente primitivo/futurista, absolutamente original e irresistível. Misturando canções próprias e covers dos anos 50, o álbum parece ter sido feito por um imitador mutante de Elvis em uma Memphis de outra galáxia. Gary, lenda viva na Inglaterra, até o início da década fazia shows em estádios, cantando os mesmos hits de 25 anos atrás e ainda vestindo seus modelos de lamê apertadíssimos e botas plataformas. E tem a honra de ser o único cantor a ter um hit em que canta uma só palavra, “HEY!!!” Nos últimos anos anda tendo problemas com a lei por molestar criancinhas. Who cares? HEY!

 

LOU REED – TRANSFORMER (1972)

Lou Reed andava meio sem rumo depois do fim do Velvet Underground, quando o incansável Bowie e Mick Ronson produziram e arranjaram este LP. O tema aqui é ambigüidade sexual, vida alternativa e o evangelho segundo Andy Warhol. O humor negro e ácido de Lou nunca esteve melhor do que em “Walk On The Wild Side”, “Vicious” e “Make Up”, seu lado romântico/neurótico nunca esteve mais sedado do que em “Perfect Day” e “Satellite Of Love”. Até hoje, o Príncipe do Valium é obrigado pelos fãs a tocar ao vivo essas canções, constantemente regravadas.

 

SLADE – OLD NEW BORROWED AND BLUE (1974)

O Slade era uma banda de singles. Suas músicas estavam sempre nos primeiros lugares da parada e no coração dos adolescentes, mas seus álbuns não eram levados a sério. Besteira. Pelo menos três deles são ótimos: Slade Alive (1972), Slade In Flame (1974) e este. Sim, porque Old New Borrowed And Blue tem canções maravilhosas, arranjos pesadamente bacanas (as linhas de baixo do Jimmy Lea!), atitude e sinceridade. Dos inúmeros hits da banda, só traz a belíssima balada “Everyday”, que foi sucesso até no Brasil. Infelizmente parece que naquela época ninguém era nascido... 



Escrito por simaopessoa às 13h19
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AMOR DE BICA ONDE BATE FICA

 

A Banda de Ipanema é a mãe de todas as bandas carnavalescas do país e sua origem já faz parte das lendas urbanas da Cidade Maravilhosa. Conta-se que em 1959 o clima do bairro de Ipanema era de uma cidade de interior. Ferdy Carneiro convidou alguns amigos para inaugurar um clube em Ubá (MG). A turma de amigos, entre eles Albino Pinheiro, Paulo César Saraceni e J. Rui, presenciou uma manifestação carnavalesca tradicional na cidade, realizada pela famosa Banda Philarmônica Embocadura, que pertencia à família de Ferdy.

 

Era uma banda em que os pseudomúsicos saíam trajados de branco e com chapéu de palha, sendo que nenhum deles tocava instrumento algum. Atrás, vinha uma banda de verdade, que animava o carnaval de Ubá, terra de Ary Barroso. Quando Ferdy e seus amigos voltaram ao Rio, inspirados naquela animada festa que viram em Ubá, decidiram criar a sua própria banda.

 

Designer formado pela Escola Superior de Desenho Industrial, jornalista, programador visual, diretor de arte de agências de propaganda e artista plástico, Ferdy Carneiro, ex-diretor administrativo do Museu Carmem Miranda, falecido em 18 de outubro de 2002, era um mineiro apaixonado pelo Rio, boêmio “de carteirinha”, freqüentador das rodas de samba mais tradicionais e apreciador de bebidas. Trabalhou no teatro e cinema – sua grande paixão – e escreveu no Pasquim.

 

Ferdy cunhou algumas frases lapidares: “Sou mineiro, mas uma revista me elegeu um dos 100 mais cariocas”, “Freqüento botequins, sou um boêmio de idéias”, “Quando o trabalho é um lazer, é a felicidade!”, “Trabalhar com amor elimina o estresse”, “Sou um biscateiro qualificado”, “Copacabana é uma Babel” , “As bandas de rua mantém o espírito do carnaval do Rio”. Pronto. Agora que você já foi apresentado ao homem, deixemos o Ferdy em paz.

 

No carnaval de 1965, ano do 4.º Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, tendo como referência aquela banda de Ubá e outras idéias na cabeça, Albino Pinheiro, animador cultural e considerado “o prefeito espiritual da cidade do Rio de Janeiro”, por sua animação e carioquice, em companhia de Ferdy Carneiro, do cartunista Jaguar e de mais alguns amigos fundaram a Banda de Ipanema. Em um bar, Jaguar fez a lista com os nomes dos integrantes: trinta, ao todo.

 

Naquela época, primeiro carnaval após o golpe militar, quando era proibido juntar mais de 50 pessoas em local público, a Banda de Ipanema conseguiu reunir cerca de 10 mil foliões. Desde o primeiro desfile, a banda exibe uma faixa com um lema – “Yolhesman Crisbeles” – que sempre intrigou o pessoal do antigo SNI, que deduzia ter ela um significado que, embora obscuro, certamente era subversivo. A expressão enigmática, segundo um cordelista da Estação Pedro II da Central do Brasil, seria o grito do anjo exterminador no dia do Juízo Final.

 

Nascida da combinação de boêmios intelectuais com o espírito dos blocos carnavalescos dos subúrbios, a banda desfila 15 dias antes do carnaval, antecipando a folia carioca. Sempre teve padrinhos e madrinhas famosos. A este fato, reporta-se Sérgio Cabral, em seu livro O ABC de Sérgio Cabral, publicado em 1977: “Ser padrinho ou madrinha da Banda de Ipanema é uma grande honra, como se vê pelos nomes escolhidos nesses 12 anos de existência: Clementina de Jesus, Nássara, Eneida de Morais, Bibi Ferreira, Lúcio Rangel, João de Barro, Leila Diniz, Aracy de Almeida, Clara Nunes, João Nogueira, Oscar Niemeyer, Grande Otelo, Martinho da Vila, Nélson Cavaquinho e Cartola”.

 

Em 1976, Albino Pinheiro convidou Beth Carvalho para madrinha. Como ela havia viajado para a Europa, Albino convocou Bibi Ferreira para o lugar. Beth, entretanto, largou Paris e correu para pegar o desfile da banda, quando encontrou Bibi Ferreira em seu lugar. A cantora ficou tão chateada que recusou o convite para ser madrinha do desfile de 1977. “Só aceito em 1978”, disse ela, vingando-se da hesitação do comandante Albino Pinheiro.

 

Nessa época, a banda chegava a desfilar com mais de 20 mil foliões. Cabia às irmãs gêmeas Laura e Délia (então com mais de 80 anos) e, ainda, às irmãs Judith e Hilda boa parte da alegria no desfile. O percurso da banda é sempre o mesmo: Praça General Osório, rua Teixeira de Melo (na contramão), avenida Vieira Souto, rua Joana Angélica, rua Visconde de Pirajá, e retorno à praça General Osório.

 

Logo na primeira saída da banda, os componentes perceberam a força e o carisma que tinha naquilo que restituía o carnaval de rua. Mas apenas uma banda em Ipanema não bastava. A faixa, que trazia os dizeres “uma banda em cada bairro”, carregada durante o primeiro desfile, tinha o objetivo de fazer com que mais pessoas aderissem à animada festa. E foi isso que aconteceu. Em pouco tempo, muitas bandas surgiram e várias pessoas deixaram de sair do Rio de Janeiro devido a propagação desta folia. Ferdy e sua turma batizaram algumas destas bandas. A do Leme foi a primeira, depois, a do Cardeal Arco-Verde e até bandas de outros Estados. A Banda de Ipanema ressuscitou o carnaval de rua que parecia esquecido.

 

Conta-se que durante o Regime Militar, duas agentes do SNI (Serviço Nacional de Informação) infiltraram-se no desfile da banda disfarçadas de senhoras, querendo descobrir “códigos subversivos”. Outra história bem inusitada se passou com o boêmio Hugo Bidet, que alugou um cavalo branco e, com farda militar de general, entrou na Rua Jangadeiro, tomando um chope sem descer do pangaré. Casos interessantes se passaram durante o desfile da banda, como o da reaproximação de João Saldanha e sua mulher Teresa, refazendo um casamento desfeito há alguns meses.

 

Uma das alas mais interessantes foi a Ala das Escrotas da Banda, composta, dentre outros boêmios e intelectuais, pelo crítico Alex Viany e o também crítico e letrista Sérgio Cabral, que abandonou a ala para sair com a sua camisa do Vasco. Rildo Hora, em parceria com Sérgio Cabral, compôs “Banda de Ipanema”, onde ressaltam o espírito do bloco tão carioca: “Vem a Banda de Ipanema/ Espalhando alegria/ Quero a minha voz/ Dentro do coral/ Viva a vida e morra a morte/ E a moçada de Ipanema/ Botou na rua seu carnaval”.

 

Durante o desfile do ano 2000, o cineasta Paulo César Saraceni, também folião da banda, filmou o documentário “Banda de Ipanema – Folia de Albino”, sobre a vida de seu amigo Albino Pinheiro, morto em 1999, com quem dividia suas duas paixões: o futebol do Fluminense e o carnaval azul e branco da Portela. O filme intermediou cenas do documentário “Natal da Portela”, com Grande Otelo, que conta com vários depoimentos de pessoas ilustres sobre a Banda de Ipanema.

 

“Na primeira saída da banda, o Albino contratou uns músicos na Praça Tiradentes, botou o pessoal tocando as marchinhas na praça e cada um de nós pegou um instrumento. Nós nos formamos de branco, como se fôssemos uma banda, mas ninguém tocava nada. No primeiro quarteirão já tomaram os instrumentos da gente e animaram a festa. A banda virou uma festa da classe média de Ipanema. Como o sucesso foi muito grande, logo já tinha a Banda do Leme, Banda da Tijuca, Banda de Caratinga, bandas do Brasil inteiro. Virou uma instituição, uma forma maravilhosa das velhas marchinhas de carnaval persistirem”, conta Ziraldo Pinto, cartunista e escritor.

 

Ziraldo fazia parte do grupo que saiu pela primeira vez com a banda nas ruas. Muita gente famosa adorava pular o carnaval nela. A atriz Leila Diniz era (e é até hoje) considerada a musa da banda, primeira e única.

 

Em 2003, a Prefeitura do Rio decidiu tombar a Banda de Ipanema. Agora ela é eterna. Com a publicação do decreto no Diário Oficial, a Banda de Ipanema tornou-se o primeiro bem não-material a ser tombado no Rio de Janeiro, ou seja, tem de ir pra rua todos os anos, levada pelos organizadores ou pela prefeitura.

 

Tombar a banda é preservar a memória. No carnaval de 1973, ela passava pela igreja da praça Nossa Senhora da Paz, quando veio a notícia de que Pixinguinha tinha morrido lá dentro. A Banda de Ipanema tocou o “Carinhoso” e seguiu em frente. Histórias que agora viraram de fato um patrimônio do Rio.

 

“Foi tombada, então, não pode acabar. Se um dia os novos diretores da banda desistirem, o poder público tem obrigação de botar a banda na rua. Acabou de tombar, criou esse dever. Vai ser ótimo porque é uma instituição que deve ser preservada. Eu achei um achado o negócio de tombar um bem não-material. É uma idéia que tinha de nascer no Rio de Janeiro”, completa Ziraldo.



Escrito por simaopessoa às 15h11
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AMOR DE BICA ONDE BATE FICA (PARTE 2)

 

Eu, Carlos Araújo, Mário Adolfo, Marco Gomes, Geraldo Pereira e João Santana

 

Leitor voraz do Pasquim, eu acompanhava a distância os desfiles da Banda de Ipanema com uma inveja malsã. Também não era um neófito em termos carnavalescos: em 1973, com Mário Adolfo, Sadok, Sissi, Antídio Weil, Mazinho, Arlindo, Sérgio Mubarac, Ailton Santa Fé, Luiz Lobão, Olíbio Xiri, Ricardão, Nilsinho, Fábio, Fernando, Chico, Sidão, Kleber, Wilson Fernandes, Kepelé, Epitacinho, Ruizinho, Petrônio Alto, Petrônio Baixo, Lúcio Preto e outros amigos da Cachoeirinha, fundamos o “Bloco do Macacão”, que depois foi rebatizado de “Andanças de Ciganos” e se transformou na primeira escola de samba do bairro.

 

Biriteiro desde os catorze anos, comecei a freqüentar o Bar do Armando no início dos anos 80, por iniciativa do jornalista Mário Adolfo, meu amigo desde os 10 anos de idade. Na época, Mário era repórter do jornal A Crítica, cuja redação ficava na Rua Joaquim Sarmento, ali no Centro. Eu era engenheiro da Philco, lá no Distrito Industrial. Apesar de morarmos perto um do outro (eu, no conjunto Petros, ele, no conjunto Tiradentes), não tínhamos o hábito de freqüentar as respectivas casas. Nos encontrávamos quase sempre, para conversar ou discutir as dez mil maneiras de assaltar o céu, em botecos decadentes e fedendo a mijo.

 

O Bar do Armando era uma mistura de mercearia e bodega. O balcão, de parede a parede, ficava a dois metros das portas e existiam apenas duas mesas, de tampo metalizado (uma delas resiste, bravamente, à modernidade). Era nesse espaço minúsculo (6 m², no máximo), sem direito a banheiro (os mais enturmados mijavam na garagem do comerciante, ao lado, onde também funcionava um depósito clandestino de quelônios. Eu e Mário Adolfo sempre preferimos os benjaminzeiros da praça São Sebastião), que as cabeças mais brilhantes da cidade iam conspirar e sonhar com uma sociedade mais justa.

 

Aos domingos, pela manhã, quando íamos curar a ressaca da noite anterior, um violinista cigano nos transformava em “Zorba, o grego”, com suas tzardas cabalísticas que nos cortavam o coração. Foi o mais próximo que já cheguei do paraíso.

 

O bar tinha uma única fama: vendia a cerveja mais gelada da cidade. O diabo é que o Armando não dependia de vender birita (aquilo era uma espécie de concessão lusitana). Ele vivia de vender aquelas coisas típicas de bodegas: conservas, azeite, pão dormido, jabá, bolachas, farinha, pirarucu seco, etc. O boca-a-boca dos biriteiros a respeito da cerveja mais gelada de Manaus começou a fazer a fama do pedaço e, de repente, o espaço ficou pequeno pra tanta gente. Era impossível 50 caras beberem em 6 m² sem acabarem brigando.

 

Alguns anos depois, sabiamente, Armando encerrou as atividades da mercearia, arrastou o balcão para o meio da casa, conseguiu algumas mesas em consignação e, simplesmente, quintuplicou o espaço. Foi uma festa. Semanalmente, 400 grades de cerveja eram consumidas ali, em grande estilo. Durante os anos 80, aquele foi, sem sombra de dúvidas, o espaço mais democrático que já existiu em Manaus.

 

Anarquista confesso, simpatizante do trotskismo e enturmado com a galera do PCB, o Bar do Armando era o único lugar do universo em que eu me sentava ao lado de um militante do PCdoB (Savinho, João Pedro, George Tasso, etc.) sem sentir ânsia de esganá-lo.

 

Discutíamos tudo, da pedra de Roseta ao sexo dos anjos. Éramos os próprios cavaleiros templários, lutando por um mundo mais justo – e cada um tendo seu próprio senso de justiça. A discussão sobre a “mais-valia” e outros textos-cabeça de Marx, Engels e Lênin era tão corriqueira quanto discutir a última aventura do Asterix contra os Bretões. Claro que ninguém chegava a um consenso sobre porra nenhuma. Quando, tempos depois, discutindo nossos pontos de vista nas incendiárias assembléias estudantis e sindicais, vinha a vontade de dizer “você fala isso porque é um reacionário filho da puta” e acabávamos falando “eu penso que o companheiro está equivocado”, só havia uma explicação lógica: éramos parceiros de birita no Bar do Armando. Aquele fato, em si, era superior a qualquer ideologia.

 

O bar ainda comportava uma divisão territorial. Na ponta do balcão, perto dos sanitários, reunia-se a turma do Judiciário (juízes, advogados, promotores), sob a liderança de Jomar Fernandes, Lino Chíxaro e Francisco Cruz. Eles tinham um hábito em comum: só bebiam Brahma (isso, quando a Antarctica estava no auge e era a cerveja mais vendida da cidade), o que afugentava os “bicões”. Na outra ponta do balcão ficavam os músicos e compositores, liderados por Afonso Toscano, Manuel Batera e Américo Madrugada. As duas turmas bebiam em pé, coisa de profissionais.

 

Nas mesas internas ficavam os amadores (biriteiros eventuais, transeuntes, comerciários, estudantes), gente que era atraída ao bar pela fama do famoso sanduíche de pernil preparado pelo português, batizado ca-rinhosamente de “X-Porco”, e pela cerveja estupidamente gelada. Nas mesas externas, ao ar livre, pontificavam os militantes políticos, sindicalistas, escritores e jornalistas, separados pelas próprias turmas, mas trocando farpas afiadíssimas com os desafetos. De vez em quando uma discussão mais séria interrompia aquelas divagações existenciais. Apesar de ser escritor, sindicalista e militante político, acabei na patota dos jornalistas. Explico.

 

Em 1982, o Mário Adolfo já fazia desde o ano anterior uma coluna dominical chamada “Satiribol”, no caderno de esportes do jornal A Crítica. Em março daquele ano, o jornalista Ernesto Coelho, meu colega de classe na ETFA, me convidou pra fazer uma coisa parecida no jornal A Notícia. O editor de esportes era o atual procurador de Justiça Nicolau Libório (que mais tarde acabaria tio da minha filha caçula, Marisa), um incendiário repórter de pista da rádio Difusora. Ele me deu uma coluna dominical (“Pequena Área”) e, por conta da repercussão da coluna no primeiro mês, uma página inteira aos domingos. Foi a glória.

 

Em vez de fazer como o Mário Adolfo, que ironizava apenas a decadência do futebol amazonense, eu comecei a bater a torto e direito nos politiqueiros, nos corruptos, nos imbecis, enfim, nessas tralhas que até hoje nos machucam o fígado. Não sei se aumentei a circulação do jornal, mas com dois meses minha página era bastante comentada, se não em tudo quanto era boteco, pelo menos no Bar do Armando. Até hoje fico encabulado quando um fã mais doentio me mostra um recorte de jornais daquela época.

 

Nicolau Libório me deu liberdade total de criação e resolvi apelar: Eu, Ernesto Coelho e outros jornalistas da Casa elaborávamos cartas de “leitores” e produzíamos respostas alucinantes. Mais ou menos na mesma linha que o Ivan Lessa, sob o pseudônimo Edélsio Tavares, fazia no Pasquim. Virou uma zona, porque uma porrada de leitores começou a escrever cartas de verdade, esculhambando ou elogiando os nossos textos. Era tanta carta que metade da página ficou reservada aos leitores. E a gente sacaneando meio mundo nas respostas.

 

No jornal A Crítica, a nova sacanagem caiu como uma bomba. Flávio Seabra, editor de esportes (hoje está no Em Tempo), chamou o Mário Adolfo às falas: “Porra, curumim, essa tua coluna tem quase um ano e não recebe uma carta. Aquele sacana do Simão, com menos de três meses, está recebendo mais de 20 cartas por semana. O quê que está acontecendo?”. Mário bateu de bico: “Porra, Seabra, aquilo tudo é ficção. O Simão inventa aquelas porras todas. Se você olhar direito o nome dos leitores vai ver que é tudo nome de amigos da gente ou de colegas da faculdade. A onda dele é anarquizar com meio mundo”.

 

Acho que fiquei “anarquizando” meio mundo até setembro ou outubro de 82. Nesse meio tempo, comecei a ter de viajar pra São Paulo a serviço da Philco e, evidentemente, passei a atrasar a página (haja calhau para cobrir meus furos!). Um dia, liguei pro Ernesto Coelho explicando que não dava mais pra segurar a onda. Não houve cenas de ciúmes nem ranger de dentes. Foi bom enquanto durou. Muitos anos depois, Ernesto virou o braço direito do Flávio Seabra no Em Tempo, mas hoje está em A Crítica.

Escrito por simaopessoa às 15h07
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AMOR DE BICA ONDE BATE FICA (PARTE 3)

 

Eu, Engels Medeiros e Dinari Guimarães

 

Durante o período em que escrevi “Pequena Área” nunca recebi uma censura ou um pedido para “aliviar a barra de alguém”. E olha que eu só chutava da canela pro pescoço. Mas foi nessas discussões etílico-literário-humorísticas no Bar do Armando que nasceu o “Caderno C”, de A Crítica, o primeiro suplemento cultural digno do nome. O caderno era editado pelo jornalista Cláudio Barbosa e teve uma existência efêmera (menos de um ano). Também foi no Bar do Armando que eu e Mário Adolfo inventamos o Candiru, o jornal de maior penetração do Amazonas. Mas antes de adentramos em tais assuntos, vamos retroceder um pouco no tempo. Essas coisas não acontecem por geração espontânea.

 

Em 64, se o senhor não está lembrado, a ditadura militar quebrou a continuidade de um processo social que mesmo nos moldes populistas estava “engajando” muita gente e ficando perigoso. O período posterior, depois de uns dois anos de marasmo, encontrou uma geração de manauenses (Joaquim Marinho, Assis Mourão, Anibal Beça, Márcio Souza, Aldisio Filgueiras, Beto Sá Gomes, Sérgio Litaiff, Narciso Lobo, Renan Freitas Pinto, Nestor Nascimento, Deocleciano Souza, Rosendo Lima, José Alfaia, Laiton Medeiros, Amecy Souza, Luiz Maximiano Corrêa, etc.) num aprendizado de mundo voltado “pra fora”.

 

Na época, essa turma de agitadores culturais iniciava sua existência político-genital-afetiva sob o primado do “amor livre”, tomava LSD, fazia cinema experimental, organizava festivais de música, encenava peças teatrais subversivas, ouvia Beatles & Rolling Stones, esses baratos. A partir daí, esse processo, que culminou com o “Festival do Lixo”, na Ponta Negra, em 1968, liberou as energias criadoras pra fora. Havia um espaço para que fosse assim, o que não houve, por exemplo, na geração de 70, que surgiu sob a égide da viagem “pra dentro”.

 

A política cultural adotada pela ditadura após o grande fechamento de 1968 e o clima de repressão e medo dela resultante criaram uma espécie de “frente ampla das oposições” em todas as áreas. A literatura radicalizou esta “frente ampla”, reunindo do mesmo lado todos os que se opunham ao sistema em vigor, a despeito das enormes diferenças de visão de mundo, estilos literários e tudo o mais.

 

Nos anos 70, havia poucas possibilidades de participação social e o processo foi se polarizando à medida que o espaço que a ditadura militar concedia foi-se estreitando. Cada vez ficou mais difícil o meio-termo. O negócio foi virando ou arriscar a vida ou saltar fora e arranjar um Nirvana qualquer para se refugiar e esperar a chuva passar.

 

Foi isso precisamente que a minha geração (Guto Rodrigues, Orlando Farias, Mário Adolfo, Rui Brito, Antonio Paulo Graça, Inácio Oliveira, Plínio Valério, Cláudio Barbosa, Rogelio Casado, João Pedro Gonçalves, João Thomé, Marco Gomes, Arnaldo Garcez, etc) teve de escolher: desbunde ou guerrilha, já que a militância em nível de reformismo era negada. Resistência marginal só houve essas duas. Quem optou por alguma coisa intermediária, optou geralmente pela integração ao sistema.

 

A partir dos anos 80, as duas gerações citadas anteriormente viraram uma coisa só. (Há diferenças intransponíveis entre uma criança de 10 anos e um sujeito de 20, mas entre um cara de 20 e um de 30 elas são minimizadas.) Em seguida, com o pós-desbunde da campanha “Diretas Já”, começou haver uma espécie de tomada de campo, a contagem dos mortos, a retirada dos feridos, um processo que desaguou no “Caderno C”, de A Crítica.

 

Até então, o espaço cultural nos jornais impressos de Manaus resumia-se a uma página dominical publicada pelo Clube da Madrugada e às colunas sociais sobre o high-society. Apesar de admirar o trabalho de Jorge Tufic, Ernesto Penafort, L. Ruas, Elson Farias, Max Carphentier, Antísthenes Pinto e tantos outros, essa nova geração ampliada discordava em gênero, número e grau da deles.

 

Os “clubistas” eram sectários e chatos pra burro, dando a impressão de que não existia vida inteligente fora da panelinha literária criada em 54, na praça da Polícia, sob o pé do mulateiro. “Que porra de clube é esse que não tem nem piscina?”, ironizava Aldisio Filgueiras. Por meio da “Página Madrugada”, publicada desde os anos 60 em diversos jornais (O Jornal, A Gazeta, A Notícia, A Crítica), eles “faziam” a história a seu favor, puxando a brasa para a própria sardinha, legislando em causa própria. Tentavam, ainda, exercer o poder cultural na província, manter o arbítrio intelectual, estar por cima da onda e da carne-seca.

 

O “Caderno C”, que começou a ser publicado no início de 1985, surgiu como uma lufada de ar fresco no nosso marasmo cultural. A idéia do suplemento foi do jornalista Cláudio Barbosa, que conseguiu vender o projeto para Umberto Calderaro e se tornar seu primeiro editor. Cláudio convidou uma dezena de novos articulistas para acompanhá-lo na travessura. Apesar de circular na segunda-feira, em pouco tempo o suplemento se tornou leitura obrigatória nas rodinhas bem informadas. Na verdade, o que Cláudio Barbosa fez foi abrir o leque e rever totalmente, sem exclusivismos, a lição de todos os ativistas culturais da barelândia.

 

A página do Clube da Madrugada começou a ser publicada no novo suplemento e, por simples comparação entre o que rolava lá dentro e o que rolava do lado de fora, dava para ver que o buraco era mais embaixo. Não mais “paideumas”, fatalidades estéticas, visões ordenadas sob um único prisma ou parâmetro. Era o vale-tudo. As mãos duplas. O catch-as-catch-can com todas as linguagens, as “impurezas do branco”, o abrir as janelas para todos os insetos entrarem. A era dos caciques, caudilhos ou simplesmente xerifes literários, com suas ordens-unidas estéticas, estava definitivamente encerrada.

 

O momento, naquela época, pedia mais consensos, sindicatos (em vez de sindicância), e o poder cultural era patrimônio geral, estava em todas as mãos e cabeças e não havia mais recibos, contas e obrigações a serem pagas e resgatadas ao tesouro da intelligentzia de ditadores ou a ditaduras de gabinete de qualquer espécie e formação. Isso indicava, talvez, o encerramento do ciclo “Madrugada” como poder, enquanto ortodoxia, já que o pluralismo das tendências de tal maneira tinha se cruzado e se imposto que qualquer sectarismo não mais seria aceito. Foi essa a revolução literária causada pelo “Caderno C”.

 

Não fiquei para ver o fim do suplemento, já então sendo editado pelo poeta Aldisio Filgueiras. Meses antes, acompanhando Antonio Paulo Graça e João Bosco Ladislau, eu havia me transferido para o “Suplemento JC”, do Jornal do Comércio, que começara a ser editado pelo poeta Narciso Lobo e que, de certa forma, levaria às últimas conseqüências, políticas e estéticas, a revolução iniciada pelo Cláudio Barbosa. O que causou o fim do “Caderno C”? Uma sacanagem genial do Joaquim Marinho, com a cumplicidade do editor Aldisio Filgueiras, aliada à hipocrisia de nossas elites.

 

Colaborador e representante comercial da revista Status, em Manaus, Joaquim Marinho recebia antes de todo mundo a edição que só estaria nas bancas depois de uma semana. Uma das edições trazia uma matéria de quatro páginas com o empresário Thomé Mestrinho, irmão do então go-vernador Gilberto Mestrinho, vinculando-o ao jogo do bicho (o que todo mundo sabia) e à exploração de um cassino clandestino no Rip Show Club (coisa que só a elite sabia, já que não saía das mesas de bacará do cassino). Thomezão era presidente de honra do GRES Andanças de Ciganos, do qual eu fui um dos fundadores, e sempre foi um homem digno. Tenho por ele, até hoje, uma imensa admiração e carinho.

 

Joaquim Marinho e Aldisio resolveram publicar a matéria na íntegra, antes da revista Status chegar na bancas. Colocaram apenas um título criativo, que para muita gente soou como provocação: “Assim caminha a humanidade”. Qualquer cinéfilo de meia-tijela sabe que essa foi a engraçada “tradução” utilizada no Brasil para o clássico Giants, de James Dean e Rock Hudson. O problema é que a tradução literal (“Gigantes”) do filme no título da matéria iria escamotear a fina ironia. Além do mais, era um filme antigo que todo mundo já tinha visto.



Escrito por simaopessoa às 15h02
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AMOR DE BICA ONDE BATE FICA (PARTE 4)

 

Marco Gomes, eu, Luiz Ângelo Vianez, Charles 5 Estrelas e Rogelio Casado

 

Que eu saiba, Thomé Mestrinho não deu a mínima, nem para a matéria publicada na Status, nem para a republicação da mesma no “Caderno C”. Mas aquilo foi o atestado de óbito do suplemento. O saudoso Umberto Calderaro ficou furioso e, pressionado pelos áulicos sobre uma possível retaliação do governador (quem conhece o GM sabe que ele é um dos políticos menos vingativos de nossa terra), encerrou a aventura.

 

Muitos dos órfão bandearam-se para o “Suplemento JC”, que ainda re-sistiria bravamente por quase três anos, e o espaço cultural de A Crítica voltou a ser a “Página Madrugada”. Mas nada mais seria como antes. O saloon lítero-cultural manauense havia sido arrombado de vez. “Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”, cantaria o roqueiro Lulu Santos alguns anos depois.

 

Em 1977, eu e Mário Adolfo havíamos nos cruzado nos corredores do ICHL para estudar algumas matérias na mesma classe (ele fazendo Comunicação Social, eu, engenheiro recém-saído da UTAM, fazendo Administração), quando resolvemos incendiar o cabaré. Nossa primeira tentativa de fazer um jornal universitário de “idéias, cultura e preocupações sociais” esbarrou no cagaço da moçada. O pai da idéia tinha sido o Plínio Valério, que já editava o suplemento “Vida” no jornal A Crítica e estudava com o Mário Adolfo. A maioria dos colaboradores (Inácio Oliveira, Cláudio Barbosa, Carlos Dias, etc.) era da mesma turma, mas também havia gente de outros cursos (Débora Mello, de Letras, e Mônica Xavier, de Economia, por exemplo).

 

Eles me pediram para fazer o editorial do número zero. Fiz, do jeito que foi encomendado: sarcástico, insolente e desafiador. Quando os caras leram, acharam que aquilo era um convite para sermos presos pela ditadura (no ano anterior, vários dirigentes do PCdoB haviam sido mortos pela polícia no bairro da Lapa, em São Paulo, e, naquele ano, o pre-sidente Geisel havia editado o famigerado “pacote de abril”). O jornal morreu na mesma hora, no boteco “Tamborete do Reitor”, ali em frente da Embratel (hoje UEA). Não houve choro nem vela.

 

Foi a partir desse episódio que conheci Orlando Farias e passei a me enturmar com o pessoal do PCB, cujo “aparelho” ficava no bairro da Aparecida sob o sugestivo nome de “Casa da Cultura”. Com eles, cheguei a editar o zine Alavanca, no início dos anos 80, destinado aos operários do Distrito Industrial e que acabou se transformando na semente da Oposição Sindical Metalúrgica (OSM), também conhecida como Puxirum

 

No início de 1983, conheci o economista Theodoro Botinelly, nascido em Autazes, um freqüentador do Bar do Armando que já havia estudado na Universidade Paulo Lumumba, em Moscou, na URSS, nos anos 60. O intermediário do encontro foi meu compadre Adalberto de Melo Franco, companheiro de turma da UTAM. Professor do ICHL, Botica estava insatisfeito com o rumo conservador que o PMDB estava tomando – ele havia treinado os fiscais do PMDB na eleição de 1982 – e me propôs ajudá-lo a fundar o PDT no Amazonas.

 

Reuni a parte mais politizada da OSM e, em dois meses, fizemos o diretório municipal de Manaus. Fui eleito o primeiro presidente, com direito a saudação enviada pelo inesquecível Doutel de Andrade, secretário-geral do partido. Escolhi Vicente Filizzola para secretário-geral, que deve estar no cargo até hoje. O Bar do Armando virou nossa sede informal.

 

No ano seguinte, 1984, disputamos a eleição que começou a escrever uma nova página no sindicalismo amazonense. Sem recursos financeiros, mas com o apoio da maioria dos sindicatos combativos locais e nacionais (inclusive da ANAMPOS, da CUT e de sindicalistas ligados ao amazonense Luiz Antônio Medeiros, ex-deputado federal por São Paulo), a OSM “Puxirum” derrotou a pelegada de Chico Risadinha, com o operário Ricardo Moraes na presidência, e eu, engenheiro eletrônico, na vice-presidência.

 

No mesmo ano, financiamos a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Amazonas. O sindicalista Jaques Castro, meu cunhado, foi o primeiro presidente eleito, apesar de muitas manobras escusas para entregar a direção da CUT ao Adonay Sabá, do Sindicato dos Professores. Não garanto, mas acho que o Jaques Castro, puto com as manobras antidemocráticas, acabou abrindo mão do cargo.

 

Em 1985, depois de uma greve histórica que abalou o Distrito Industrial, uma pequena parte da diretoria foi manobrada pela FASE (que havia sido expulsa de Santarém, no Pará, pelo sindicalista Avelino Ganzer, depois eleito deputado federal pelo PT) e resolveu partir para a retaliação. Eles convenceram Ricardo Moraes a convocar uma assembléia para nos expulsar sob o argumento esdrúxulo “de que a maioria dos diretores tinha curso superior e, por conseguinte, estava mancomunada com os patrões”.

 

Foi um balde de água fria na nossa cosmovisão socialista (quá, quá, quá...). Até então, a gente achava que o que mudaria a correlação de forças entre patrões e operários era o domínio da informação. Quanto mais pessoas letradas e informadas do outro lado da barricada, melhor.

 

Os tais sindicalistas “fasistas” (quase escrevos “fascistas”) defendiam a indigência informacional e cultural. Sugeriram que eu deixasse o cargo de chefe de Engenharia da Philco e fosse trabalhar na linha de montagem de uma outra empresa. Apostaram as fichas no “obreirismo”, cujo símbolo mais patético acabou sendo o próprio Ricardo Moraes.

 

Em dezembro daquele ano, numa reunião tumultuada, eu e a minha turma (Chico Fera, Francisco Bill, Aninha, Alberto Gordo, José Carlos Marinho, Jonacy, João Adalberto, Carlos Lacerda, Cely, Isabel Alegria, etc.), a maioria filiada ao PDT, renunciamos ao cargo de diretores, enojados com a roubalheira que havia se instalado na entidade, e fomos comemorar a decisão no Bar do Armando. Nunca mais colocamos os pés no sindicato. Deu no que deu (Ricardo foi eleito deputado federal pelo PT, em 1990, e depois expulso do partido. De 1993 pra cá, o Sindicato dos Metalúrgicos só freqüenta manchetes policiais).

 

No ano seguinte, em 1986, eu e Mário Adolfo voltamos a galopar o Rocinante e editamos o número zero do jornal humorístico Candiru. A única coisa séria no jornal era uma entrevista de quatro páginas com o lendário jornalista Octávio Ribeiro, o “Pena Branca”. Ele estava em Manaus, a convite do jornalista Umberto Calderaro, para modernizar a redação de A Crítica. Foi a última entrevista do homem. Pena Branca morreu de câncer em maio e o jornal só pôde ser lançado em junho.

 

No dia do lançamento, no Bar do Armando, o poeta Aldisio Filgueiras, responsável pela apresentação do tablóide, conseguiu a suprema faça-nha de lançar um exemplar tão alto, que ele se enroscou no ventilador de teto do boteco e ficou lá, a noite inteira, fazendo um barulho exasperante. O português ficou puto da vida. O economista Theodoro Botinelly recitou quase todos os versos de “A Tabacaria”, de Fernando Pessoa, mas nem assim o Armando ficou calmo. Uma zorra total que só acabou por volta das 5 da manhã.

 

O jornal causou tanta polêmica, que quase o Mário Adolfo perde o emprego no jornal A Crítica. Só não foi demitido porque era dirigente sindical. Mas foi impedido de editar o suplemento infantil “Curumim”, um trabalho que já fazia há vários anos e que só retomaria tempos depois, quando foi trabalhar no Amazonas Em Tempo.

 

Apesar de tudo, conseguimos esgotar a edição de 2 mil jornais em menos de um mês, mas, aí, não encontramos nenhuma gráfica disposta a rodar o número um e tivemos de dar uma parada estratégica. Nesse meio tempo, nosso tesoureiro e diagramador, Jorge Estevão, sumiu com o dinheiro apurado e nunca mais foi visto em Manaus. Dançamos legal.



Escrito por simaopessoa às 14h59
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AMOR DE BICA ONDE BATE FICA (FINAL)

 

Em pé: Roberto Dibo, Ivan Oliveira, Candinho, Inácio Oliveira, Davi Almeida, Carlos Castro, Carlos Dias, Zemaria Pinto, Braguinha, Antonio, Socorro Papoula e Montanha (encoberto pelo Noleto)

Sentados: Dílson, Anchieta, eu, Armando Português e Noleto

 

No início de 87, com Heloísa Cardoso, Celito, Manuel Batera, Afonso Toscano e Mário Buriti na linha de frente, os biriteiros do Armando resolveram criar a Banda Independente Confraria do Armando (BICA). O nome foi sugerido pelo advogado Sérgio Litaiff, meu ex-companheiro de batente no semanário Maskate.

 

Quem teve a brilhante idéia de usar como fantasia aqueles dois itens exclusivos do vestuário do Armando (a risível camiseta sem manga, que ele usa sob o jaleco ensebado, e a bisonha cueca samba-canção, que ele lavava a cada quinze dias) foi o irreverente jornalista Eduardo Gomes, o “Gonzaguinha”. Impedidos de publicar nossas diatribes na mídia convencional, eu e Mário Adolfo logo nos engajamos na ala de compositores da nova banda carnavalesca.

 

O hino oficial da BICA, da dupla Celito-Afonso Toscano, diz o seguinte: “Na Banda Independente Confraria do Armando/ Tá todo mundo dando/ Tá todo mundo dando/ Dando alegria para esse pessoal/ Que quer fazer o verdadeiro carnaval/ Não tem Baile de Gala/ Nem tem Baile da Chica/ Vem brincar na BICA/ Vem brincar na BICA/ De camiseta e samba-canção/ Vamos dançando ateus e cristãos/ Nosso estandarte é uma cueca/ De cebola e mortadela/ Será que é do Armando?/ Será que é do Cancela?”.

 

E aqui cabe um registro histórico. Realizado sempre na Segunda-feira Gorda, o Baile de Gala do Atlético Rio Negro Clube – durante os anos 60 e 70 – foi o mais chique, sofisticado e badalado baile carnavalesco da cidade. O traje dos homens era, obrigatoriamente, o “black-tie”, ou seja, smoking preto, gravata borboleta e faixa escura, camisa branca e sapatos e meias pretas. As mulheres podiam usar fantasias de luxo ou vestidos de baile ultra-requintados, cujos modelos exclusivos eram pinçados diretamente das páginas das revistas Vogue, Elle e Cosmopolitan. Era uma festa feita exclusivamente para a elite e os endinheirados locais.

 

No campo oposto, estava o Baile da Chica. A lendária Chica Bobó foi uma das mais famosas cafetinas da cidade. Nos anos 60, ela montou sua “casa de tolerância” na estrada da Ponta Negra, entre os lupanares Mansão das Brumas e Floresta’s. alguns anos depois, se mudou para uma chácara situada em frente ao atual Aeroclube, no bairro Laranjeiras. Seu covil foi muito freqüentado por empresários e políticos, que iam ali traçar – além das garotas – a célebre “galinhada” preparada pessoalmente pela proprietária. Feito de galinha caipira ou picota, o prato era uma espécie de “caldeirada”, com bastante caldo à base de cheiro verde, cebolinha e chicória. Numa época em que o “bobó” (pulmão) do boi era considerado comida de cachorro, a quituteira Chica Bobó fazia um “picadinho de bobó” melhor do que qualquer sarapatel de tartaruga feito pelo chef Pereira. Ela não ganhou o apelido por acaso.

 

As garotas da Chica Bobó eram mulheres bonitas, refinadas, cultas, elegantes e inteligentes. O que se teve de mais próximo de uma gueixa japonesa, com a vantagem do rebolado e dos peitões tupiniquim. Além disso, elas costumavam receber os clientes garbosamente trajadas em imaculadas fardas estudantis dos mais famosos colégios da época (Estadual, Instituto de Educação, Dorotéias, Auxiliadora), tendo como acessórios livros do Domingos Paschoal Cegalla, Jairo Bezerra, Tábuas de Logaritmos e cadernos espirais de 4 matérias. Para quem cultivava o fetiche recorrente de abter “uma linda normalista vestida de azul e branco”, era um prato cheio. Na verdade, as garotas tinham, no máximo, o curso primário incompleto. Mas eram diplomadas em outras artes.

 

Realizado sempre na Terça-feira Gorda, o Baile da Chica era disputado a tapas. Nesse dia, eram as garotas que escolhia, os clientes e não cobravam nada em troca. A bebida era de graça. Qualquer pé-rapado podia entrar no puteiro e se divertir à tripa-forra. A cafetina Chica Bobó ainda resistiu bravamente nas décadas seguintes, mas teve de fechar as portas de sua casa nos anos 90, depois que Manaus se tornou uma cidade universitária (atualmente, são 17 universidades, entre públicas e privadas). Não agüentou a concorrência das “amadoras”, segundo suas próprias palavras...

 

Em 1988, por problemas de saúde na família do Armando, a banda não desfilou, limitando sua festa carnavalesca a uma comportada guerra de talco dentro do bar. A partir de 1989, entretanto, essa coisa meio pueril e descompromissada foi deixada de lado e a banda adquiriu sua característica de biombo político da sociedade.

 

Em 1988, numa eleição histórica, o atual senador Artur Neto havia derrotado o ex-governador Gilberto Mestrinho e conquistado a Prefeitura de Manaus. O compositor Américo Madrugada não deixou por menos e “reescreveu” a lenda do boto-tucuxi:

 

“Na época do tititi/ Boiava em Manaus o boto-tucuxi/ Um tremendo fariseu/ Dizendo que reinava até o ano 2000 / Mas o tempo se passou/ A história não se repetiu/ Foi o rei Artur que falou/ Lugar de boto é lá para o fundo do rio/ Foi pra lá.../ Foi pra cá.../ Não se deu bem/ Porque não soube/ Urna emprenhar”.

 

É evidente que, durante a cantoria, os 5 mil foliões tiravam a sua casquinha: a parte “lugar de boto é lá para o fundo do rio” virava “lugar de boto é lá pra puta que o pariu”. Na época, Gilberto morava em São Conrado, lá nos fundos do Rio de Janeiro. A ironia cortante tinha tudo a ver. O compositor, talvez sem querer, havia cometido uma peça histórica. Em 1990, Gilberto Mestrinho daria a volta por cima e voltaria ao governo tendo como símbolo o “boto navegador”. Não, ele nunca mandou dar uma surra no Américo Madrugada. O senador tem senso de humor.

 

Também não sei quando, como ou por que a quizumba começou. Só lembro que um determinado dia, no Bar do Armando, evitei que o artista plástico Jorge Palheta, meu amigo desde os sete anos de idade, cortasse a garganta do compositor Américo Madrugada com um caco de garrafa. Foi um custo tirar a “arma” da mão do Palheta. O motivo? Uma marchinha que passou a ser o “hino de aquecimento” da banda: “Está chegando a hora/ Vou dar a dica/ Chegou Palheta/ Vai entrar na BICA/ Vou de tamborim, de cuíca/ Vou levar você pra minha BICA/ Vai com Armando na BICA brincar/ Vai todo mundo na BICA sambar/ Chega de tocar cuíca/ Palheta agora vai dançar/ Na minha BICA”.

 

O resto, conforme se diz, já faz parte da lenda.



Escrito por simaopessoa às 14h57
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Ae povo feio, a música da BICA jah tah pronta!
Vc pode baixar a marchinha em MP3 em:
http://rapidshare.de/files/38074265/BICA_2008_-_Arca_de_Noeh.mp3.html
É só clicar em FREE! Podem confiar, eu mesmo hospedei o arquivo!
Lembrando que a BICA sai dia 26 de janeiro,
mas os ensaios comecam no inicio do mes, todas
as quintas!Esta mensagem foi enviada por Mario Adolfo Filho. Para ver o
perfil de Mario Adolfo, clique em: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16276925424866548975



Escrito por simaopessoa às 16h05
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